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Cafundá (1978/82)
Sérgio Magalhães, Ana Luíza Magalhães, Sílvia de Barros, Clóvis de Barros e Rui Velloso Edição 32, agosto de 1981 |
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O conjunto habitacional do
Cafundá, situado em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro, é o Pedregulho dos anos 1980. Ele representa o último capítulo das grandes propostas modernas de conjuntos habitacionais.
O interesse do projeto reside no dilema de sua concepção. Apesar de o modelo moderno estar desacreditado na época, os autores insistiram por uma alternativa - com influências de Candilis/Josic/Woods -, porém com implantação reconhecidamente baseada na leitura do entorno e da topografia.
Por outro lado, os blocos possuem elementos vazados e brises na fachada que derivam diretamente da experiência da arquitetura moderna carioca, de Jorge Machado Moreira (edifício Ceppas) e, principalmente, Lucio Costa (parque Guinle).
Desde o memorial do concurso, era clara a intenção da equipe de preservar parte da silhueta do morro da Viúva. Apesar da mesma tipologia das unidades, os 14 prédios possuem diversidade de altura - conforme a topografia - e de formas, adequando-se também às curvas de nível. Os brises marcam as circulações horizontais e os cobogós indicam as unidades, todas orientadas para ambos os lados. Cada circulação horizontal atende a três andares - um para baixo e um para cima -, combinada com torres de escadas e elevadores.
Segundo Magalhães, que nos anos 1990 criou e coordenou o programa Favela-Bairro, atualmente o Cafundá está em reformas, e, temendo o resultado, ele diz: “Não quero nem ver”. |
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Centro Cultural São Paulo (1975/82)
Eurico Prado Lopes e Luiz Telles Edição 40, maio de 1982 |
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Implantado pela prefeitura
paulistana, o primeiro grande centro cultural da América Latina mereceu extensa reportagem, com plantas desdobráveis. O projeto foi inicialmente concebido para abrigar a ampliação da Biblioteca Mário de Andrade.
Posteriormente, o programa foi ampliado, com áreas destinadas a exposição, cinema, teatro e uma grande biblioteca/discoteca. O partido arquitetônico buscou a horizontalidade e, em grande parte, a mimetização na topografia. Aparece aqui uma solução estrutural interessante, que antecipa uma mistura bastante utilizada em São Paulo nas décadas seguintes - concreto (neste caso, as vigas) e metal (os pilares).
Os pilares, por sua vez, lembram a proposta de Artigas para a rodoviária de Jaú, no interior de São Paulo. Nessa ótica, a obra apresenta grande influência da escola paulista, principalmente na fluidez do espaço, na cobertura maior e no vazio central onde estão as rampas.
Por outro lado, a liberdade formal, de desenho sinuoso, afasta-a dessa corrente. Como a construção foi realizada às pressas, houve muitos problemas na execução - o que justifica as diversas reformas a que o centro cultural foi submetido ao longo do tempo.
No ano passado, o paisagismo foi refeito e uma entrada foi criada, próximo ao acesso da estação Vergueiro do metrô. |
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Centro Administrativo BCN (1976/85)
Lélio Reiner e Juan Camps Andreu Edição 52, junho de 1983 |
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Situado às margens do rio
Tietê, em Barueri, cidade da
Grande São Paulo, o conjunto foi construído para centralizar a administração do BCN, banco comprado pelo Bradesco e extinto.
A proposta apresentava-se como ruptura ao movimento moderno, relendo as relações urbanas da cidade tradicional. Por outro lado, elementos como as clarabóias em pirâmides aproximam-no da estética pós-moderna. Os tijolos e a estrutura revelam o mais kahniano dos projetos brasileiros.
O conjunto foi constituído com sistema de trama do tipo mat-building, utilizando espaçamentos de 10 e 2,50 metros, em modulação A, B, A, nos dois sentidos. Os espaços de 10 x 10 metros são destinados aos escritórios; os módulos de 2,50 x 2,50, às circulações, verticais e horizontais.
No ponto mais alto do terreno está o prédio da diretoria, com 9 mil metros quadrados, que abriga o auditório central de 300 lugares. Os demais, com tipologia semelhante, destinam-se a escritórios, restaurante, serviços e CPD. Com três andares, eles concentram 110 mil metros quadrados.
Conforme informa a seção Memória da edição 257, de julho de 2001, os escritórios Königsberger Vannucchi e José Lucena Arquitetura fizeram estudos para implantar blocos de apartamentos ao redor do conjunto, que, provavelmente, será subdividido em unidades menores, para locação. |
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Sede da Hering (1977/84)
Hans Broos Edição 60, fevereiro de 1984 |
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Os projetos para a Hering - o mais interessante parque industrial criado
no país nos últimos 30 anos - consumiram mais de três décadas de trabalho de Hans Broos, que elaborou um plano diretor para a ampliação da fábrica, sediada em Blumenau, SC.
As instalações mais antigas, que datam de 1880, estão situadas ao longo do vale do Bom Retiro, na periferia da cidade. Para a expansão, o arquiteto - autor do plano diretor do município e, portanto, profundo conhecedor da região - traçou uma proposta com diversas novas edificações, marcadas, sobretudo, pelo uso do concreto armado aparente, agregando ao conjunto as construções históricas da Hering.
Além disso, propôs intensa integração com a natureza circundante e com o paisagismo, assinado por Burle Marx. O trabalho também contou com a participação de Aziz Ab'Saber nas decisões que envolviam o macroambiente. Como o vale é estreito para a implantação de novos conjuntos industriais, a estratégia foi construir pequenas unidades em cidades próximas, como Encano, Água Verde, Ibirama, Rodeio, Indaial e Benedito Novo.
Broos é responsável por outras instalações da empresa, como as de São Paulo e Pernambuco. A expansão não seguiu os caminhos traçados no plano diretor publicado na época pela revista, mas o conjunto edificado de Santa Catarina continua bem preservado. |
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Estação Largo 13 (1985/86)
João Walter Toscano, Odiléa Toscano e Massayoshi Kamimura Edição 76, junho de 1985 |
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Há alguns anos, quando ciceroneava um colega de profissão - o português Fernando Távora - em visita a São Paulo, João Walter Toscano mostrou-lhe um de seus projetos: a estação Largo 13 (hoje Santo Amaro), na zona sul da capital. Távora afirmou, relembra Toscano, que lhe parecia tão harmoniosa a solução e a integração do edifício com o entorno que sua impressão era que a estação de trens havia estado sempre ali.
Ainda que a avaliação seja de um amigo, ela destaca a implantação da edificação na paisagem, um dos aspectos que tornou a obra importante para a arquitetura brasileira do período. Além disso, realçam-se outras características, como o uso do metal. O partido idealizado, inicialmente, para o concreto foi adaptado, com extrema habilidade, ao aço - que, depois deste projeto, passou a ser utilizado com freqüência pela equipe.
Também chama a atenção o perfil dos pilares que, em cada pórtico, inserem-se em um círculo imaginário. Outros itens a destacar são a forma como o mezanino está atirantado ao pórtico, a utilização de cores nos painéis de fechamento e as referências históricas que lembram as antigas estações - a torre do relógio, por exemplo.
No final de 2002, com a inauguração da linha 5 do metrô, a estação tornou-se um pólo de integração ferroviária-metroviária e perdeu a sutileza da inserção no local, diante da escala da vizinha estação estaiada. |
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Citicorp Center (1983/87)
Croce, Aflalo & Gasperini Edições 78, agosto de 1985, e 97, março de 1987 |
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À época de sua construção,
a sede do Citicorp desencadeou intensa discussão arquitetônica. O edifício de 19 andares e silhueta curva rompia com a linguagem ortodoxa dos espigões retilíneos, com vidro fumê ou não, que até então dominavam a cena da avenida Paulista, em São Paulo. Com isso, inaugurava-se uma maneira própria dos anos 1980 de se pensar a arquitetura, explica Gian Carlo Gasperini, um dos autores do projeto.
Dono, até hoje, de forte presença urbana e muito bem conservado, o prédio combina duas faces de grelhas estruturais, revestidas de granito rosa, intercaladas por quinas envidraçadas, azuis. Ele é coroado pelo pórtico curvo que delimita pavimentos técnicos e dá continuidade à lateral sul - há cerca de dois anos foi acrescido um heliponto na cobertura, desenhado por Aflalo & Gasperini, sucessor do escritório autor do projeto.
Além da linguagem, o edifício também foi pioneiro na tecnologia - em automação, ar condicionado, caixilharia (com sistema silicone glazing) e revestimento, com as placas de granito fixadas por grampos metálicos. O emprego de novas técnicas visava diminuir a manutenção e economizar recursos energéticos - e o discurso da sustentabilidade ainda não estava em voga.
Gasperini dispensa o rótulo de pós-moderno e enfatiza a funcionalidade da edificação. Segundo o arquiteto, o desenho da sede do Citicorp foi conseqüência de longa pesquisa empreendida pelo escritório sobre o tema grelhas estruturais, elemento que, a partir daí, reaparece em diversos outros prédios projetados pela equipe, como os da família Atrium, na Vila Olímpia. |
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Centap (1982/85)
Luiz Paulo Conde Edição 80, outubro de 1985 |
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O Centro de Treinamento e
Aperfeiçoamento de Pessoal
(Centap), da Bradesco Seguros, no Rio de Janeiro, foi projetado pelo arquiteto Luiz Paulo Conde, atual vice-governador do estado.
De programa complexo, o edifício de 12 mil metros quadrados abriga salas de aulas, biblioteca, auditório, quadras esportivas, alojamentos para funcionários e dois restaurantes, um deles com capacidade para fornecer 2 mil refeições por hora.
O projeto contrapõe-se ao modernismo ortodoxo, buscando inspiração no protomodernismo (alvo de pesquisa de Conde) e na obra apaziguadora de Lucio Costa. Além disso, o Centap, assim como outros projetos da equipe de Conde, busca estabelecer, em certa medida, relações com o entorno. Segundo o autor, a linguagem do prédio rejeita o discurso formal e prioriza aspectos construtivos e espaciais, o que contribuiu para manter sua atualidade ao longo do tempo.
Entre as características do Centap estão a simplicidade do traço geométrico, o uso de cores para reforçar a distribuição dos espaços e o caráter tropical, definido pelo pátio que dá acesso às salas de aulas e à quadra coberta. O corredor central do restaurante maior faz referência ao Aeroporto Santos Dumont, projetado no final da década de 1930 pelos irmãos Marcelo e Milton Roberto. “O desenho homenageia essa obra-prima da arquitetura moderna brasileira”, diz Conde. |
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Sesc Pompéia (1977/86)
Lina Bo Bardi Edição 92, outubro de 1986 |
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A arquitetura do Sesc Pompéia há muito deixou de ser referência apenas para arquitetos e paulistanos. Ele é visitado semanalmente por público não apenas de seu entorno imediato, ou mesmo da capital paulista, mas também de localidades bem mais distantes.
O nome proposto - Centro Cultural e Desportivo da Pompéia - foi considerado, pela arquiteta Lina Bo Bardi, pouco apropriado para a idéia de centro de convivência que tinha para o programa. Assim, rebatizou-o de Centro de Lazer Fábrica da Pompéia, denominação muito indicativa do conceito do projeto e da apropriação do espaço, efetivada ao longo de seus quase 18 anos.
“Pouca coisa mudou no Sesc Pompéia desde sua construção, porque ele rompeu a barreira da moda”, comentam Marcelo Ferraz e André Vainer, arquitetos que acompanharam com Lina, durante nove anos, o projeto e a obra. Para eles, embora o trabalho representasse à época as propostas iniciais de recuperação de galpões industriais ociosos e a materialização do embate entre o novo e o antigo na arquitetura do Brasil, o conjunto de suas características - ambiência, materiais, partido e desenho urbano - logo o firmou como “um lugar definitivo”.
Para os analistas, o espaço é fonte de um emaranhado de interpretações. Difícil ouvir críticas ao projeto em voz alta. |
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Centro Itaú Conceição (1980/2001)
Itauplan Edição 85, março de 1986 |
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A primeira fase do conjunto
administrativo do banco Itaú,
em São Paulo, foi inaugurada em meados da década de 1980, época de grande produtividade para a arquitetura brasileira de edifícios corporativos.
Com a linguagem de grandes caixas de vidro e diferenciadas pela moderna tecnologia construtiva e de sistemas, essas edificações definiram uma tipologia homogênea, da qual o Centro Itaú Conceição, projeto de João de Genaro, Francisco Javier Manubens e Jaime Cupertino, do extinto Itauplan - escritório de projeto ligado ao grupo financeiro -, é exemplar típico.
Contudo, a implantação e o desenho urbano permanecem, na análise de Manubens, como os elementos principais do projeto. “É natural que seja assim”, ele comenta, “já que tivemos de lidar com a complexa interface entre público e privado, usuários fixos e flutuantes, e em terreno irregular, com enorme desnível, nas proximidades de um parque em área que demandava urgente requalificação”.
Embora o conjunto tenha sido construído em etapas (a quinta torre foi concluída em 2002) e com a participação de outros arquitetos, destaca-se ainda hoje, segundo Manubens, a idéia de unidade, tanto dos edifícios entre si, quanto na relação com o entorno. |
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Palácio Arquiepiscopal (1983/88)
Éolo Maia, Jô Vasconcellos e Sylvio Emrich de Podestá Edição 116, novembro de 1988 |
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Orquestrado por um trio de
arquitetos cuja obra - concordem eles ou não - é considerada até hoje a mais genuína manifestação do movimento pós-moderno no Brasil, o Palácio Arquiepiscopal de Mariana, MG, foi implantado na década de 1980 sob o signo das polêmicas.
Algumas delas, como escreveu Ruth Verde Zein na edição em que o projeto foi publicado, desprovidas de sentido - por exemplo, a que questionava a suposta suntuosidade da edificação e a que afirmava que os fiéis se intimidariam com sua riqueza. “Como se as igrejas barrocas de ouro intimidassem o povo”, argumentou a crítica.
Quando o projeto foi contratado, a diocese local era liderada por dom Oscar de Oliveira, depois sucedido por dom Luciano Mendes de Almeida, atual arcebispo. O principal mérito da intervenção foi ter inserido um volume marcante e contemporâneo no conjunto histórico sem, no entanto, destoar do entorno.
Com sua linguagem peculiar e, às vezes, inusitada, Maia, Jô e Podestá reavivaram um debate que se mostra inesgotável. Se na face externa o conjunto é contido, de sutileza minimalista, no interior abundam a extravagância e a irreverência do trio, entre o pop e o kitsch. |
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Centro de Proteção Ambiental (1983/88)
Severiano Porto Edição 125, setembro de 1989 |
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O Centro de Proteção Ambiental foi construído pela Eletronorte, na década de 1980, para dar suporte à pesquisa sobre os impactos decorrentes da construção da usina hidrelétrica de Balbina, a primeira de grande porte na região. O conjunto foi projetado por Severiano Porto, arquiteto formado em 1954 pela Universidade do Brasil (atual UFRJ) e radicado desde 1966 em Manaus, onde passou a desenvolver uma arquitetura com os materiais e técnicas disponíveis na região.
“Quando cheguei percebi que o índio e o caboclo sabiam muito bem como construir suas casas e fui me adaptando”, ele relata. Segundo Severiano, no centro foram empregadas diversas espécies de madeira da área que seria inundada para a formação do lago da hidrelétrica. Troncos roliços estruturam a cobertura sinuosa que sombreia os blocos de alvenaria. A própria cobertura adota telhas de madeira submetida à imunização por imersão em óleo de motor queimado. “A técnica é até hoje utilizada no Japão e nos países escandinavos”, detalha o arquiteto.
Apesar de oferecer a infra-estrutura necessária, o centro nunca desempenhou plenamente sua função e hoje é atrativo turístico na cidade de Balbina, a 200 quilômetros de Manaus. |
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Residência Hélio Olga (1987/90)
Marcos Acayaba Edição 134, setembro de 1990 |
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Publicada pela revista pouco antes da conclusão da obra, a residência Hélio Olga, construída na encosta de um bairro residencial paulistano, foi destaque em mais de 50 publicações, no Brasil e no exterior.
“Ela realmente se tornou famosa”, observa Marcos Acayaba, que aponta como principal fator para isso a bem-sucedida experiência de industrialização da estrutura em madeira que ela representa, além da evidente explicitação do potencial arquitetônico do material. “Não houve nenhuma modificação na casa desde sua construção”, comenta o também famoso cliente, engenheiro Hélio Olga - exceto pela implantação, em 2000, de um anexo para abrigar seu estúdio, na cota mais elevada do terreno.
“O projeto permanece como proposto por Acayaba, em muito devido à pertinência e à precisão do programa. As mudanças ficaram por conta do entorno; o lado ruim é que hoje tenho vizinhos, e o bom é que as árvores cresceram e estão com suas copas à altura do telhado”, observa Hélio.
Quanto ao interesse crescente que o projeto desperta no público europeu, ele comenta que atualmente a madeira é material recorrente nos melhores projetos residenciais. “Trata-se de uma questão ambiental, mas, à época, foi para nós uma oportunidade de experimentação”, conclui. |
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Sesc Nova Iguaçu (1985/92)
Hector Vigliecca e Bruno Padovano Edição 153, junho de 1992 |
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O Sesc Nova Iguaçu ocupa
pouco mais de um terço do
terreno irregular de 45 mil metros quadrados, à margem da via Dutra. O projeto utiliza a tipologia de galpões e emprega estrutura mista de concreto e madeira, com acabamento em tijolo aparente e massa raspada, opções inspiradas em referências locais.
“Na época priorizamos o diálogo com o entorno. Hoje vemos que o contextualismo também é questionável, porque as coisas mudam e é difícil manter esses valores regionais”, explica Padovano.
Entre os principais pontos do projeto está a implantação, que resultou num conjunto quase urbano e fragmentado, com riqueza espacial e unidade de linguagem. Ele é composto por quatro grandes volumes em que se distribuem os diversos itens do complexo programa de um clube, incluindo ainda teatro, biblioteca e centro cultural, entre outras instalações. Construídos em forma de pavilhões longilíneos, os blocos acompanham os limites irregulares do lote e apresentam fachadas diferenciadas entre si, que refletem a topografia e as variadas necessidades do programa.
Padovano atribui os principais méritos do projeto a Vigliecca, que desenvolveu o conceito geral e acompanhou de perto a execução das obras. |
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Moradia estudantil (1989/91)
Joan Villà Edição 162, abril de 1993 |
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O sistema construtivo da
moradia estudantil da Universidade Estadual de Campinas emprega pré-fabricados feitos com blocos cerâmicos solidarizados por concreto e nervura central com barras de aço. Leves e de rápida execução, esses painéis são montados sobre gabaritos de madeira, PVC ou metal e podem ser aplicados em lajes, paredes, coberturas e escadas.
A técnica começou a ser desenvolvida no início dos anos 1980 por alunos e professores do curso de arquitetura da Escola de Belas-Artes de São Paulo, que buscavam soluções para a questão habitacional brasileira, e teve continuidade em 1986, quando Villà passou a desenvolver o sistema na Unicamp.
A moradia estudantil ocupa lote de 55 mil metros quadrados no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, SP, onde se situa a universidade. São pouco mais de 17 mil metros quadrados construídos e capacidade para 1600 universitários. De volumetria variada, o conjunto ocupa patamares que tiram partido da declividade da área, e é formado por unidades autônomas de 63 metros quadrados, articuladas para formar alas com 27 células, dispostas de três em três. As unidades são interligadas por jardins internos e cada ala possui sala de estudos e centro de convivência.
A técnica não teve aplicação em larga escala, para a qual foi desenvolvida, mas ainda é adotada nos projetos de Villà. |
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Centro Administrativo (1990/93)
Acácio Gil Borsoi, Janete Costa, Marco Antônio Gil Borsoi, Milton Ribeiro e Rosa Aroucha Edição 166, agosto de 1993 |
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O Brasil era presidido por Itamar Franco quando foi inaugurado, no segundo semestre de 1993, o Centro Administrativo de Uberlândia, complexo cívico que agrupa, no mesmo terreno, as sedes dos poderes Executivo e Legislativo municipais, além de diversos órgãos da administração direta daquela cidade.
De aspecto monumental, o conjunto, de 26 mil metros quadrados, parece fruto tardio dos anos do milagre brasileiro. O projeto, gerado na prancheta de Acácio Gil Borsoi - considerado um pioneiro da arquitetura moderna no Nordeste -, é um dos mais interessantes exemplos de arquitetura pública edificada no final do século passado.
Resultado de um concurso, o conjunto, marcado pelo contraste entre o concreto e cores fortes - azul, vermelho e amarelo -, possui equilíbrio entre os blocos edificados e vazios estratégicos. Para indicar a hierarquia, a equipe utilizou duas tipologias. Mais forte, a primeira, do plenário e do gabinete do prefeito, possui planta hexagonal e cobertura em duas águas. A outra, secundária, abrange as secretarias e os gabinetes dos vereadores, e é composta de três prédios pavilhonares organizados em torno de pátios cobertos com abóbadas de alvenaria armada.
Se a aridez da praça seca lembra os espaços de Brasília, a preocupação com o conforto ambiental marca a diferença em relação aos edifícios cívicos do planalto Central. |
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Unilivre (1992)
Domingos Bongestabs Edição 170, dezembro de 1993 |
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No livro Cities for a small planet, de 1997, o arquiteto inglês Richard Rogers - figura reconhecida pelo alto grau de tecnologia que usualmente adota em seus projetos - coloca a Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre), em Curitiba, como um dos exemplos de arquitetura adaptada à natureza.
Domingos Bongestabs é um dos responsáveis por criar diversos edifícios-ícones de Curitiba - ele também é autor, por exemplo, da Ópera de Arame (1991/92), sala de espetáculos que, assim como a Unilivre, ocupa a área de uma pedreira desativada, na capital paranaense.
Sobre a obra diz o arquiteto: “Tive a oportunidade de revê-la freqüentemente nestes 12 anos passados desde sua construção, acompanhando professores e alunos de muitas universidades brasileiras e até arquitetos de outros países interessados em contemplá-la. Nessas ocasiões, costumo ouvir de passagem os comentários dos visitantes, turistas e estudiosos, e acredito que a arquitetura da Unilivre continua a surpreender as pessoas - e a mim mesmo - com o impacto de anos atrás. Isso me remete ao seguinte: a modificação do ambiente natural e artificial do seu entorno permanece, é claro, mas a obra ainda se sustenta como distinta e inovadora no âmbito arquitetônico”. |
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Museu Brasileiro da Escultura (1981/95)
Paulo Mendes da Rocha Edição 183, março de 1995 |
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“O juízo entre o belo e o feio
não tem importância. Um
espaço arquitetônico, um espaço da cidade, tem que fluir pela apropriação, pelo uso, e não pela contemplação; seja ele um museu ou uma praça. Essas coisas é que formam a cidade.” É com essa visão crítica que Paulo Mendes da Rocha reflete sobre a arquitetura do Museu Brasileiro da Escultura (Mube), de São Paulo, quase dez anos após sua construção.
O museu conforma, em concreto armado, uma nova topografia para o terreno, resultando em percursos cuja espacialidade surpreendente é, em grande medida, prejudicada pela cerca que a envolve. Um pórtico marca presença - como se fosse uma escultura.
“Posso dizer que foi uma grande sorte ganhar o concurso para sua concepção, e uma grande sorte para a cidade que aquele espaço não seja um centro de compras - à época se cogitava em construir um shopping center no local. Posso dizer ainda que se trata de uma grande obra, mas, daí para a frente, vocês é que devem falar”, propõe o arquiteto.
Cabe reforçar a análise que PROJETODESIGN fez na edição 251, um número especial sobre os anos 1990: “É o mais belo espaço criado para a cultura nos anos 90, no Brasil. O problema (...) é a contradição entre sua proposta e seu uso efetivo”. |
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Rede Sarah (1992/94)
João Filgueiras Lima Edição 187, julho de 1995 |
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As unidades hospitalares
projetadas por João Filgueiras Lima (Lelé) para a Rede Sarah, desde meados dos anos 1970, renderam-lhe prêmios nacionais e internacionais.
Entre os principais méritos do empreendimento estão a tipologia definida pela humanização dos ambientes internos e a bem-sucedida racionalização das etapas de projeto e construção. Lelé dedicou-se à pré-fabricação desde o início de sua carreira, quando trabalhou com Oscar Niemeyer, mas foi com as obras da Rede Sarah que atingiu a excelência arquitetônica no tema.
Se na unidade de Brasília (1980) ele colocou em prática as mudanças de programa e setorização - amplas enfermarias e espaços coletivos ligados a áreas abertas e ajardinadas -, foi com o célebre hospital de Salvador, concluído em 1994, que se definiram os elementos característicos do conjunto.
Entre eles, destacam-se a implantação preferencialmente horizontal, a forte identidade dos pré-fabricados de argamassa armada, metal e plástico, como as coberturas onduladas e ventiladas por sheds, o conforto ambiental decorrente de sistemas naturais e, ainda, a autonomia da construção. Isso porque quase a totalidade das peças construtivas, de vedação e mobiliário, desenhadas pelo arquiteto e sua equipe, são produzidas nas oficinas do Centro de Tecnologia da Rede Sarah, em Salvador, liderado por Lelé. |
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Escola Guignard (1989/94)
Gustavo Penna Edição 191, novembro de 1995 |
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Antes de ocupar a edificação que o arquiteto Gustavo Penna desenvolveu entre os anos de 1989 e 1990, a Escola Guignard havia passado por várias sedes improvisadas. Estivera até mesmo no porão de um prédio municipal, na capital mineira.
Nesse aspecto, sua trajetória apresenta semelhanças com a do personagem que lhe deu o nome - o pintor fluminense Alberto da Veiga Guignard, a quem o talento como artista nunca trouxe fortuna nem condições razoáveis de sobrevivência. Grande parte de sua vida adulta, ele morou em quartos de pensões. Na década de 1940, Guignard foi convidado por Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, para montar na cidade uma escola de artes que veio ser a gênese da atual instituição, dedicada ao ensino artístico - desenho, gravura, escultura e pintura.
Subordinada à Universidade Federal de Minas Gerais, a Escola Guignard tem sua atual sede no bairro de Mangabeiras, junto à serra do Curral, cadeia de montanhas que envolve a capital mineira.
O projeto representa um dos pontos culminantes da pesquisa espacial desenvolvida por Penna, que mistura Álvaro Siza e Luis Barragán para criar, com poucos gestos e de forma original, volumes densos e bem definidos. A respeito desse trabalho, o arquiteto diz que ele carrega o ideal de Guignard, de seus desenhos e cores. “Pousada entre as montanhas que ele amou, vinda dos anos de porão, ela quer ser livre, aberta e feliz”, considera. |
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Favela-Bairro/Vidigal (1996/98)
Jorge Jáuregui Edição 201, outubro de 1996 |
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O morro do Vidigal, endereço
de cerca de 3500 famílias cariocas, foi uma das comunidades favorecidas pelo programa Favela-Bairro, criado pela prefeitura do Rio de Janeiro, em 1993, com o objetivo de integrar as aglomerações clandestinas às regiões circundantes.
Até 2000, 155 favelas haviam sido beneficiadas pelo programa, que também pretende marcar a presença da instância pública nesses locais. A intervenção no Vidigal melhorou as condições de acesso entre o morro e o bairro e implantou diversos equipamentos públicos ao longo de um quilômetro de encosta, tirando proveito da paisagem.
O principal elemento do projeto é a praça de articulação entre a área anteriormente urbanizada e a comunidade, dotada de palco para a realização de eventos. Também foram criados a vila olímpica, no alto do morro, o centro profissionalizante, creches, mirante, praças e centro de atividades comunitárias. Entre os principais benefícios levados ao local está o alargamento de vias, o que resultou em espaço para estacionamento e liberou o acesso de caminhões de lixo até o topo do morro.
Segundo o arquiteto Jorge Jáuregui, a obra no Vidigal buscou beneficiar a comunidade e seu entorno, tomando como ponto de partida as necessidades do poder público e dos habitantes. “Os projetos de urbanização de favelas devem interpretar a demanda em favor do bem comum e da redução das diferenças entre o formal e o informal, combatendo a cidade partida”, ele conclui. |
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Plaza Centenário (1988/95)
Carlos Bratke Edição 193, janeiro/fevereiro de 1996 |
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Popularmente conhecido como Robocop, por causa do revestimento com placas de alumínio, o edifício comercial Plaza Centenário é a face mais visível dos estudos desenvolvidos por Carlos Bratke nesse programa.
Seus prédios são caracterizados pela pesquisa de materiais e pela separação clara entre a área de escritórios e a de serviço e circulação vertical (escadas e elevadores). Este é o caso do Plaza Centenário, um dos mais altos na região da avenida Luís Carlos Berrini, em São Paulo, com 32 andares. Além dos oito pilares próximos ao core, quatro torres destinadas aos serviços têm função estrutural, como se fossem “pilares ocos”. Somadas ao volume central - que, com o heliponto no coroamento, ganha a dimensão de um grande cilindro -, fazem as vezes dos elementos verticais do projeto, aos quais se contrapõem as aberturas horizontais.
Grande parte dos prédios projetados pelo arquiteto está nessa região, que chegou a ser chamada de Bratkelândia. Virou lugar-comum a crítica arquitetônica apontar a falta de urbanidade do conjunto, pensado prédio a prédio. |
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MAC Niterói (1991/96)
Oscar Niemeyer Edição 202, novembro de 1996 |
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O Museu de Arte Contemporânea de Niterói, RJ, foi concebido por Oscar Niemeyer no início da década de 1990, quando o arquiteto completava 84 anos. Trata-se de mais um projeto estética e estruturalmente ousado, caracterizado pelo autor a partir da imagem de um cálice, de uma flor branca suspensa no ar.
O edifício está implantado em um platô do recortado litoral da cidade, escolhido como vista reciprocamente privilegiada da baía de Guanabara, e, sob certa perspectiva, define-se pela relação contraditória com o entorno. Assim, embora as aberturas perimetrais da cota do foyer liberem 360 graus de visibilidade em relação à exuberante paisagem, o volume regular e suspenso revela certa autonomia, sensação favorecida pelos vidros escuros e pela reprodução do mar no espelho d'água de sua praça de acesso.
Inaugurado em 1996, o museu logo se tornou um ícone da cidade, o que motivou a municipalidade a idealizar uma intervenção urbana, de revitalização da orla, denominada Caminho Niemeyer. Dessa forma, o MAC Niterói será uma das extremidades do conjunto de dez edifícios-monumentos, com programas institucionais, culturais, religiosos e de ensino, que, pela escala de implantação, formam o mais importante conjunto arquitetônico idealizado pelo arquiteto depois de Brasília.
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Shopping Ática Cultural (1995/97)
Paulo Bruna e Roberto Cerqueira César Edição 210, julho de 1997 |
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Quando este trabalho foi solicitado ao escritório de arquitetura, o encargo era tropicalizar o projeto de uma livraria fechada, escura, em estilo inglês. O desenho importado havia sido contratado por indicação de empresas de consultoria. Diante daquela proposta, Paulo Bruna e Cerqueira César convenceram os clientes a construir um edifício aberto, todo de vidro, que estabelecesse relação direta com a praça em frente.
O resultado é conhecido: o Shopping Ática Cultural virou ponto de encontro e estabeleceu-se como pólo cultural da cidade de São Paulo, atraindo outras instituições. O prédio ocupa um terreno irregular, mas transmite a idéia de pavilhão regular, reforçada pelo caixilho, voltado para o poente.
Seria natural que os arquitetos, vinculados diretamente à lógica de projeto de Rino Levi, tivessem grande cuidado para amenizar o impacto do sol. E assim foi: os pavimentos estão longe da caixilharia, criando um grande vazio que percorre toda a edificação, ajuda a iluminar o subsolo e concentra a circulação, com escadas rolantes.
Alguns anos depois da inauguração, o espaço foi vendido para uma empresa francesa e agora se chama Fnac Pinheiros. A nova proprietária implantou um projeto de interiores de acordo com seu padrão, diminuindo a transparência do vidro - com película - e colocando, internamente, um ripado de madeira. |
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Sala São Paulo (1997/99)
Nelson Dupré Edição 233, julho de 1999 |
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O arquiteto Nelson Dupré esteve à frente de uma das mais significativas obras de requalificação de edifícios históricos brasileiros: o projeto da Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.
O restauro e a modernização de parte da estação ferroviária Júlio Prestes, localizada no bairro da Luz, região central de São Paulo, transformaram um monumental saguão central em palco de uma das melhores salas de concerto da América Latina. O forro modular e móvel da platéia - talvez um dos itens mais difundidos entre arquitetos e espectadores - comprovou nesses mais de cinco anos de atividades a eficiência do projeto acústico, desenvolvido com a empresa norte-americana Artec.
As temporadas da Osesp e outros eventos culturais firmaram a Sala São Paulo como referência para paulistanos das mais diversas classes sociais. Destaca-se também a pertinência da relação entre o desenho do edifício, projetado na década de 1920 por Christiano Stockler das Neves, e os novos elementos concebidos por Dupré, como o mobiliário e a cobertura central, construída com materiais contemporâneos a partir do projeto original da estação.
As ações posteriores no entorno, contudo, não tiveram o mesmo histórico de sucesso: o processo de requalificacão da área da Luz não deslanchou como se supunha no final da década de 1990.
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Centro Brasileiro Britânico (1999/2000)
Botti Rubin Arquitetos Edição 245, julho de 2000 |
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O Centro Brasileiro Britânico
concentra as principais organizações culturais, comerciais e políticas da Grã-Bretanha em São Paulo. O projeto é exceção na trajetória de Alberto Botti e Marc Rubin, sócios desde 1954, mais conhecidos pelos projetos de edifícios em altura, residenciais e comerciais.
De acordo com Rubin, o Centro Brasileiro Britânico alia funcionalidade e forte presença arquitetônica para representar uma imagem inovadora e cosmopolita. Implantado em meio a sobrados no bairro paulistano de Pinheiros, o projeto foi resultado de um concurso fechado. Uma de suas características é confrontar peso e leveza.
Isso fica patente no partido adotado: aos dois volumes densos e simétricos de arenito francês, de tom rosado, contrapõem-se, no revestimento das fachadas e das áreas comuns internas, a caixa transparente que envolve o átrio central de pé-direito quádruplo e a cobertura em vidro. As fachadas laterais são marcadas pelo uso de brises metálicos, enquanto a face posterior ostenta o volume em balanço que abriga o auditório. A unidade arquitetônica é definida pelo uso de pedras.
Segundo o arquiteto, o recuo de 23 metros em relação à principal via de acesso abriu espaço para o grande espelho d'água, que em alguns pontos chega a invadir o interior da construção e contribui para dar o aspecto institucional do conjunto. No topo, o destaque é uma cobertura móvel, utilizada durante eventos.
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Hotel Unique (1999/2002)
Ruy Ohtake Edição 272, outubro de 2002 |
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Uma das solicitações dos
proprietários do Unique, que se insere na onda dos hotéis-design, era que o edifício chamasse a atenção. Dito e feito: antes mesmo de ser inaugurado, ele já atraía o olhar dos paulistanos, tamanha sua capacidade de comunicação.
Mais uma vez, Ruy Ohtake apóia-se nas formas livres para criar uma arquitetura inesperada. Por outro lado, nesta obra destaca-se a qualidade construtiva, tanto nos elementos industrializados, como o cobre, quanto nos materiais qua empregam mão-de-obra artesanal, caso do concreto.
“O construtor perguntou quanto de tolerância eu daria nas empenas de concreto. Eu disse: dois milímetros!”, relata Ohtake.
O volume principal do hotel - um arco invertido, revestido com cobre e maçaranduba - abriga 95 apartamentos, com aberturas circulares de 1,80 metro de diâmetro. A planta dos andares destinados às acomodações de hóspedes, por sua vez, possui curiosa solução que se assemelha à fachada do hotel. O projeto é marcado também pelo lobby, no embasamento, de vidro e concreto, que, devido à irregularidade e à cor, contrasta com o bloco dos apartamentos. O subsolo possui três pisos de garagem e um destinado a convenções e eventos, que já foi palco de festas, shows e até luta de boxe.
No momento, está em construção um spa, dentro do hotel. |
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Centro de Cultura Judaica (1991/2002)
Roberto Loeb Edição 278, abril de 2003 |
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Situado em ponto elevado da capital de São Paulo, nas imediações da avenida Paulista, o Centro de Cultura Judaica da Casa de Israel tem localização privilegiada: ocupa terreno trapezoidal de topografia inclinada, de onde se tem vista panorâmica para as zonas sul e norte da cidade.
“Como São Paulo não tem a paisagem do Rio de Janeiro, cabe à arquitetura recriá-la”, entende o arquiteto Roberto Loeb. Segundo o autor, o prédio concilia referências das escolas paulista e carioca e resulta numa edificação mais orgânica, que quebra os ângulos retos.
As referências estão evidenciadas pela combinação entre materiais - concreto aparente, metal e vidro - e formas - duas torres cilíndricas unidas por um volume de planta retangular. A linearidade desse bloco central, por sua vez, é suavizada por brises de vidro, fixados em lajes em balanço, que desenham a sinuosidade.
Além das referências à arquitetura de São Paulo e do Rio de Janeiro, a edificação assemelha-se à imagem da Torá (livro sagrado judaico) aberta. A composição dá a idéia de um prédio-ponte, intenção confirmada nos riscos originais, mas o volume do auditório - parte no embasamento, parte na torre - quebrou a leveza sugerida.
A ocupação, marcada pelo aparato de segurança comum em edifícios da colônia judaica, contrasta com a liberdade pretendida pelo projeto. |
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Brascan Century Plaza (1998/2003)
Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados Edição 285, novembro de 2003 |
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Desde o segundo semestre de 2003, a população das imediações do Brascan Century Plaza, complexo de múltiplo uso situado no Itaim Bibi, bairro da zona sul de São Paulo, desfruta de um agradável espaço de convivência, constituído como elemento integrador das três torres que compõem o conjunto.
No terreno das antigas instalações de uma fábrica de chocolates foi construído o empreendimento, que junta dois edifícios de escritórios e um flat, além de salas de cinema e centro de convenções. Desenvolvidas para o mercado imobiliário, as edificações não possuem arquitetura notável, mas nem por isso deixam de ter um desenho acurado, na escolha dos materiais e das formas.
O que se destaca na solução proposta pelo escritório de Jorge Königsberger e Gianfranco Vannucchi é o tratamento conferido à base do complexo. Ali, os autores criaram uma praça que trama a relação entre os blocos construídos, deixando claro que, no empreendimento privado, também há espaço para a gentileza com a cidade e seus moradores. Com tênues limites entre o público e particular conseguiu-se romper o clima pouco amigável (ainda que não explícito) aos não-usuários que costuma prevalecer nessas intervenções.
Apesar de inaugurada há pouco tempo, essa área aberta ostenta visível sucesso, contrariando aqueles que dizem que paulistano só gosta de shopping center. Os cinemas, por exemplo, são dos mais concorridos na cidade. |
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Fórum Trabalhista (1992/2004)
Decio Tozzi e Karla Albuquerque Edição 291, maio de 2004 |
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Um dos maiores projetos
desenvolvidos pelo arquiteto
Decio Tozzi, o Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, em São Paulo, pretendia com sua arquitetura desmistificar a imagem - tão vívida no Brasil - de que a Justiça só serve à elite.
Quase uma quimera que a tétrica história da construção, se não sepultou, chegou a arranhar. O idealizador da obra, o juiz Nicolau dos Santos Neto - membro da elite -, serviu-se dela para articular um esquema de desvio de dinheiro público que beirou os 200 milhões de reais e tornou-se o principal obstáculo a que construção fosse discutida apenas por seu aspecto estético-arquitetônico.
E, sob esse ponto de vista, a edificação é interessante e reaviva, num edifício alto, a lógica da escola paulista, marcada por soluções horizontalizadas. São 87 mil metros quadrados de área construída, em duas torres de 19 pavimentos interligadas por rampas metálicas – cada torre se divide ao meio, originando quatro blocos superpostos dois a dois.
À frente e ao fundo, as empenas se juntam por uma superfície envidraçada, uma espécie de rendilhado repetido na cobertura. Define-se, dessa forma, a praça coberta, que constitui o mote principal dos autores, no desejo de que ela seja o espaço da concórdia. Durante o conturbado período de execução do fórum, com a prolongada suspensão dos trabalhos, chegou-se até a cogitar sua demolição.
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Auditório do Ibirapuera (2002/05)
Oscar Niemeyer |
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O plano original do parque
Ibirapuera, implantado como parte das comemorações do quarto centenário da cidade de São Paulo, previa um auditório que não foi construído. Nestes 50 anos, em diversas oportunidades, cogitou-se executá-lo.
Em 2002, negociações entre a prefeitura e uma empresa de telefonia celular finalmente viabilizaram a obra - com custo de 20 milhões de reais. O projeto da década de 1950 foi revisto pelo próprio Oscar Niemeyer, e, de certa forma, simplificado, com seu uso alterado. A idéia de inaugurar o espaço nas comemorações dos 450 anos da cidade não vingou: a aprovação do projeto arrastou-se e a polêmica construção foi liberada somente em 2004.
O teatro, para espetáculos musicais, comporta 840 espectadores. O palco pode abrir-se no fundo, permitindo que milhares de pessoas assistam, do lado de fora, às apresentações que vinham acontecendo na praça da Paz, dentro do parque. O volume foi praticamente invertido em relação à proposta original, que previa um prédio com laje plana enquanto a face triangular, em corte, ficava para baixo, com um ponto encostando no solo e o auxílio de cinco pilares inclinados. O auditório abriga também áreas de convenções.
Um dos desejos do arquiteto, o corte de parte da marquise atual, não foi autorizado pelos órgãos de patrimônio. A obra ainda não terminou: foi inaugurada, simbolicamente, antes da troca de prefeitos, mas a atual previsão para que entre em funcionamento é março vindouro. |
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