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Este pequeno laboratório, construído no campus de Anápolis, entre Goiânia e Brasília, foi viabilizado com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Ele atende ao curso de ciências biológicas e também a alunos do ensino fundamental em atividades extraclasse. A verba disponível para a obra levou Alexandre Ribeiro Gonçalves, professor da faculdade de arquitetura da UEG, a adotar conceitos de racionalidade e economia no projeto. Apesar da simplicidade da edificação, suas formas leves e delgadas já se tornaram um referencial arquitetônico local.
Os dois pavilhões brancos, sobrepostos transversalmente e implantados de modo a intervir o mínimo no terreno em declive, ocupam um ponto previamente desmatado bem no limite da reserva ambiental que faz parte da gleba. “Nada pode ser construído dali para baixo”, detalha Gonçalves. Elevado, o edifício toca o terreno em apenas seis pontos, o que preserva o solo e favorece a vista dos ambientes internos para a paisagem protegida.
A caixa superior está posicionada perpendicularmente ao edifício-sede do campus, criando um eixo que liga os pesquisadores à universidade. Já o volume inferior rompe a ortogonalidade em relação ao de cima, deslocando-se cerca de 30 graus a fim de buscar a melhor panorâmica do cerrado. O acesso ao laboratório é feito por meio de rampa.
Elementos decisivos para a leveza do conjunto, os fechamentos empregam grandes panos de vidro e brises de madeira apenas na fachada frontal. A face posterior é totalmente transparente e protegida por guarda-corpos de aço, enquanto as duas empenas menores são cegas. Essa combinação de materiais deu grande permeabilidade visual ao prédio, de forma que ele não prejudica a visão do campus para o cerrado nem atrapalha o espetáculo de cores visível no céu nos finais de tarde.
Um espelho d’água ocupa a laje de cobertura do bloco inferior e pode ser acessado pelo deque de madeira que parte do nível superior. Além de contribuir para amenizar o calor interno e reduzir os movimentos de dilatação e retração causados pelas variações de temperatura, o recurso tem um apelo lúdico. “O deque funciona como mirante e as crianças podem ir até lá para ver os peixes ou coletar amostras de água para análise”, comenta Gonçalves.
Desenhado como um salão amplo e com poucas divisórias, o térreo abriga as instalações do laboratório, depósito de reagentes e copa. Mais compartimentado, o pavimento superior é reservado para as atividades de pesquisa. Internamente, o acabamento repete a idéia de simplicidade exterior e exibe pilares de concreto aparente, lajes de concreto polido servindo diretamente como piso, guarda-corpos de aço e panos de alvenaria pintados de branco.
Alexandre Ribeiro Gonçalves (Universidade Católica de Goiás, 1991) é sócio de Deusa Boaventura no escritório G2B Arquitetos, em Goiânia. Desde 2000 é professor do curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Estadual de Goiás, onde foi coordenador entre 2003 e 2006. É mestre e doutorando pela Universidade Federal de Goiás