Amima Arquitetura

Centro de Cultura Max Feffer, Pardinho, SP

Fichas técnicas
Fornecedores
Plantas, cortes e fachadas
Cobertura de bambu protege o palco e o espaço multiuso
Com mais de 800 metros quadrados, a cobertura de bambu protege o palco e o espaço multiuso
Cobertura sinuosa de bambu abriga espaço comunitário
A tônica do projeto realizado por Leiko Motomura, titular do escritório Amima Arquitetura, é a cobertura de bambu apoiada em estrutura independente de eucalipto. Sob essa cobertura, uma segunda construção, feita de concreto e alvenaria, abriga os setores fechados do programa.

Idealizado pelo Instituto Jatobás, o Centro de Cultura Max Feffer é uma das iniciativas do Projeto Pardinho, criado em parceria com o Instituto EcoAnima, que tem por objetivo implantar um modelo de desenvolvimento sustentável no município de Pardinho, no oeste paulista. Considerada berço da música de raiz, a cidade de 5,5 mil habitantes situa-se em uma área de nascentes que fazem parte do aquífero Guarani, significativa reserva mundial de água potável.

O centro de cultura ocupa uma praça cedida pela prefeitura e oferece à população espaço para atividades comunitárias, entretenimento e aprendizado. No local antes havia um palco elevado, aberto para a lateral menor da praça. O vão sob o palco abrigava um pequeno grupo de sanitários públicos. Partindo dessas estruturas existentes, a arquiteta Leiko Motomura desenvolveu a nova proposta de uso da área. O projeto e a obra foram pautados para empregar o máximo de soluções sustentáveis e obter a certificação Leed, concedida pelo United States Green Building Council. Entre os recursos adotados estão soluções de baixo consumo de água e de energia elétrica, tratamento de esgoto e aproveitamento de materiais reciclados.

Apesar de a atual área construída ser bastante superior à antiga, a permeabilidade do terreno agora é significativamente maior devido às linhas de drenos para a absorção das águas pluviais e ao piso drenante que substituiu os passeios impermeabilizados. O próprio paisagismo, que foi recriado com desenho mais orgânico e incluiu o plantio de mudas de árvores de grande porte, é mais uma ferramenta que contribui para a retenção da água no solo. Ecológica, a cobertura foi desenvolvida com bambu, matéria-prima renovável que tem papel de destaque no modelo de desenvolvimento sustentável que visa transformar a cidade em ecopolo de negócios.

Com metragem superior a 800 metros quadrados, a cobertura apoiada em vigas e pilares de eucalipto é o elemento que dá personalidade ao projeto. Ela combina linhas sinuosas, áreas vazadas que possibilitam a entrada de luz natural pelas duas laterais e partes opacas com telhas de fibra vegetal pintadas de branco recobrindo o bambu. “Essa telha é bem flexível e acompanha as ondulações”, explica a arquiteta.

Acesso principal ao centro de cultura
Acesso principal ao centro de cultura. No inverno, o calor retido pelo muro de pedras é liberado nos ambientes do piso inferior
Telhas vegetais acompanham as ondulações da cobertura
Telhas vegetais acompanham as ondulações da cobertura, que tem as laterais parcialmente vazadas
Biblioteca, sala de inclusão digital e sala de reuniões
Biblioteca, sala de inclusão digital e sala de reuniões da comunidade são alguns dos ambientes do piso inferior
Os guarda-corpos reutilizam barras de alumínio de ônibus
O vazio sobre a sala de leitura separa a área da loja do espaço reservado ao Museu do Bambu. Os guarda-corpos reutilizam barras de alumínio de ônibus

Segundo Leiko, as intervenções começaram pela reversão do palco, agora aberto para o centro da praça, onde a topografia do terreno é aproveitada para acomodar 510 pessoas na platéia descoberta. “O público senta no gramado. Os bancos no meio da plateia são reservados às pessoas da terceira idade ou com dificuldade de locomoção”, detalha a autora.

A área livre atrás do palco é reservada para atividades da comunidade, como quermesses ou oficinas. No mesmo nível será instalado o Museu do Bambu. A cota dos antigos sanitários agora é ocupada por biblioteca para 5 mil livros, salas de leitura e de inclusão digital, área multiuso, sala para reuniões da comunidade, escritório, depósito de lixo reciclável e espaços de apoio para eventos. Mista, a estrutura combina concreto nas lajes e alvenaria nos fechamentos.



Texto de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 352 Junho de 2009


Leiko Hama MotomuraLeiko Hama Motomura (FAU / Mackenzie, 1970) é sócia titular do escritório Amima Arquitetura, estabelecido em Cotia, SP.
Especialista em análises e recomendações para minimizar impactos das construções no meio ambiente, desde 2000 Leiko vem utilizando estrutura de bambus em seus projetos. Em 2005 conquistou o prêmio Planeta Casa
O paisagismo foi redesenhado
O paisagismo foi redesenhado e a área ganhou mudas de árvores de grande porte
A sala de leitura
A sala de leitura é separada do ambiente externo por gradis que reaproveitam sobras de chapas de estamparias. As bases dos bancos reciclam antigas colunas de lavatórios e os tijolos são de demolição
 
Detalhe da cobertura
Detalhe da cobertura
Estrutura da cobertura
A estrutura da cobertura emprega peças metálicas complementares