Antônio Ricardo Sardo, Fabíola Ana Tonin e Mário César Costenaro

Teatro Municipal de Toledo-PR

Vista a partir da face sul: o café no foyer, com acesso independente é ponto de encontro
Formas livres em Toledo, no Paraná

A liberdade formal na arquitetura reforça o caráter intrínseco do Teatro Municipal de Toledo, cidade de cerca de 100 mil habitantes situada na região oeste do Paraná. A proposta conceitual de trabalhar com formas livres foi adotada pelos arquitetos Antônio Ricardo Sardo (do escritório ARS Arquitetura), Fabíola Ana Tonin e Mário César Costenaro (ambos do 4 Arquitetos Associados), juntos no projeto desde a montagem do programa.

Uma das principais preocupações do projeto foi a integração entre os elementos arquitetônicos internos e externos, cuidado que transparece na implantação, com a valorização do lote de esquina.

Foi criado, como complemento à massa construída, um anfiteatro externo, elemento que interage com o lago existente e com equipamentos urbanos, como o shopping center e faculdades implantados nas proximidades. No teatro, o diálogo entre interior e exterior assume a forma do desenho da grande fachada de vidro da entrada principal, cuja intenção é reforçar a transparência e a continuidade de leitura.

Um espelho d´água, tangenciando a entrada principal e a área do café, reflete imagens e humaniza o espaço. Internamente, nas duas laterais da platéia, galerias funcionam como câmaras de isolamento acústico e, além dessa função técnica, permitem o acesso às passarelas metálicas de manutenção.

O forro, em gesso acartonado duplo, tem desenho limpo - uma recomendação do projeto de acústica -, configuração que valoriza o revestimento das paredes em lambril laminado de madeira e ripado de perobinha.

A distribuição dos 1.021 lugares do teatro em dois pavimentos atende de forma confortável e proporcional, segundo os autores, diferentes números de público. O palco, cuja boca de cena alcança 14 m, tem o piso revestido por tábuas de pinheiro; há a previsão de um fosso para abrigar orquestra. “O desenho interno teve, em sua totalidade, a preocupação com o conforto e a leveza no detalhamento de seus elementos”, afirma Sardo. Foram também destinadas áreas para oficinas de dança, teatro e música.

O foyer também pode abrigar exposições. Além disso, um café/bombonnière, aberto mesmo em dias em que não há espetáculo, reforça a imagem do edifício como ponto de encontro. Sobre o foyer, no mezanino, um terraço com vista para a cidade reafirma a proposta de integração entre interior e exterior. A concepção inicial propunha ainda um mirante, não construído.

Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 261 Novembro de 2001
Face leste, com rampa de acesso ao foyer
Fachada principal e escada de acesso
Platéia: capacidade para mais de mil pessoas
A distribuição dos lugares em dois pavimentos
permite receber diferentes números de público
Fachada de vidro: permeabilidade entre interior e exterior
Espelho d'água em área que envolve o café