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A clínica odontológica,
com apenas 180 m2 construídos, fica em Orlândia,
cidade agroindustrial do interior paulista. O projeto
é de Angelo Bucci, Fernando de Mello Franco, Marta Moreira
e Milton Braga, do MMBB Arquitetos. A equipe é responsável
por diversos projetos na cidade, entre eles uma
clínica de psicanálise (PROJETO DESIGN 237, novembro
de 1999). Explica-se: Bucci nasceu em Orlândia.
O fato de uma pequena
cidade do interior abrigar relevantes obras de
arquitetura contemporânea aproxima a Orlândia
dos anos 90 da Cataguases dos anos 50.
Naquele período, o município mineiro foi palco de um
boom cultural, sobretudo em arquitetura e cinema, e
assistiu à construção de importantes projetos de Oscar
Niemeyer e Francisco Bolonha, entre outros.
Implantada em lote de esquina, a clínica odontológica
é favorecida pela situação urbana. Além disso,
a percepção é facilitada pela simplicidade do volume
de planta retangular, de 7 m x 21,5 m, construído junto
aos alinhamentos. No entanto, a simplicidade pára
por aí: os elementos da construção, desde a fôrma
do concreto até a caixilharia, são tratados com extrema
delicadeza e requinte.
O acesso principal, situado junto à esquina,
configura-se através de um alpendre, implantado
na cota da rua. As diferentes cotas de ocupação dividem
o programa em dois níveis, um acima e outro abaixo
da rua. No primeiro piso- (cota +1,12 ) estão localizadas
as áreas de atendimento: recepção e dois consultórios,
um para odontopediatria e o outro destinado à prótese
odontológica. Esse espaço é delimitado por painéis
de vidro, junto aos quais foram dispostas as circulações,
setorizadas quanto ao uso: voltada para a rua, a circulação
de clientes; para o interior do lote, a de serviço.
Uma escada interliga o nível principal com o
outro (cota 1,48), que ocupa o embasamento,
onde estão instalados os ambientes de apoio, como administração
e laboratório.
Porém, em vez do embasamento maciço, geralmente construído
em pedra, o espaço visto a partir da rua é transparente,
deixando o piso superior suspenso. Ao analisar os desníveis,
os autores recorrem à história: trata-se de “parte da
memória das pessoas, acostumadas à cota alta
dos assoalhos sobre porões das primeiras casas da
cidade”.
O volume é apoiado em engenhoso esquema estrutural,
que lhe confere leveza e translucidez. A laje de piso,
que não possui vigas e parece flutuar, é sustentada
por uma seqüência de pilares que delimitam o espaço
do embasamento. Já a laje de cobertura apóia-se em pilares
metálicos cilíndricos auxiliados pelo pórtico de concreto,
que delimita o volume. As três peças que formam o pórtico
- laje e duas empenas laterais, travadas por pilares
de seção triangular - não tocam o solo nem se encostam.
Através dessas frestas, feixes de luz natural brotam
da laje.
Esse pórtico abriga o volume da caixa de vidro
sem caixilharia, de 7 m x 16 m. Na fachada norte, um
painel de ripado de madeira controla a entrada
de luz, ao mesmo tempo que protege parcialmente a visão
do interior. Estes painéis são apoiados em um trilho,
podendo ser movimentados para manutenção.
O esquema de fechamento do terreno, com portões baixos,
é camuflado quando aberto. Dessa forma, o volume
desprende-se completamente da massa construída da
cidade, tornando-se um artefato solto, uma nau contemporânea
aportada junto à quadrícula urbana da pequena Orlândia.
Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 248 Outubro 2000
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