Norman Foster
Aeroporto Internacional, Hong Kong, China
Maravilha contemporânea
 

Marco da arquitetura do século 20, o aeroporto internacional de Hong Kong destaca-se pela escala monumental, alta tecnologia e velocidade de construção. A ilha artificial construída para acomodá-lo é como a Grande Muralha, uma das poucas coisas feitas pelo homem que podem ser vistas do espaço. O edifício em forma de Y é facilmente identificado nas fotos tiradas por satélite.

O terminal de passageiros de Hong Kong combina a majestade de uma catedral com a eficiência fria de uma máquina. Englobando 38 pontes de acesso de aviões, 27 locais para estacionamento de aeronaves e um hall de bagagens do tamanho do Yankk Stadium, de Nova York esta é apenas a 1ª fase de um complexo por onde passam 35 milhões de pessoas/ano, dimensionada para atender até 5500 passageiros por hora, nos momentos de pico.
A previsão é de que, dentro de 40 anos, o aeroporto de Hong Kong esteja recebendo 87 milhões de passageiros/ano e movimentando cerca de 9 milhões de toneladas de carga, com 375 mil pousos e decolagens. Afinal, metade da população da terra vive a menos de cinco horas de vôo da cidade.

O aeroporto foi construído sobre a ilha artificial de Chek Lap Kok, que tem 6 km de comprimento por 3,5 km de largura. Apenas 25% dessa área existia antes da construção. Todo o restante foi conquistado com aterros sobre o mar - o que exigiu 197 milhões de m3 de material, movimentando à razão de 10 toneladas por segundo.

O terminal ocupa uma área total de 516 mil m2 distribuídos em oito pavimentos (três abaixo do solo e cinco acima), além de 30 mil m2 destinados a espaços comerciais. O perímetro externo, no qual predominam as paredes de vidro, tem 5 km de extensão. Apesar de sua escala monumental, o edifício é acolhedor e fácil de usar, criando uma atmosfera relaxada e agradável, que contrasta com as em geral estressantes viagens aéreas. Simples e arejados, seus espaços são distribuidos com lógica sob um tetos metálico leve e ondulado que permite a todo o interior ser banhado com bem dosada iluminação natural.

Além disso, as paredes de vidro garantem a vista permanente das montanhas, do mas e dos próprios aviões, ajudando a orientar os passageiros em seu caminho para o embarque. O sistema de manuseio de bagagens, de alta tecnologia, conecta os balcões de check-in a todos os vôos.

Para resolver os problemas criados por uma estrutura tão grande, Foster criou uma configuração técnica e formal clara e reiterativa. Sob a mesma cobertura com abóbadas modulares, alinhadas em uma única direção, acomodam-se os pavimentos destinados aos passageiros e um subsolo para operações técnicas. As abóbadas paralelas funcionam como elemento unificador do espaço e referência para facilitar a orientação dos passageiros. A modulação permitiu que a obra fosse realizada dentro do curto prazo previsto e vai facilitar a futura ampliação do edifício.

Texto resumido a partir de reportagem
de Airton Ribeiro
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 248 Outubro 2000

 
As abóbadas paralelas funcionam também como
referência para facilitar a orientação dos passageiros
 
Vista a partir da fachada de vidro do aeroporto
 
Vista geral do interior do aeroporto
 
Área interna do aeroporto
 
As grandes estrturas metálicas com fechamento
em vidro no andar de embarque
 
Cobertura: área de embarque,
com estrutura espacial metálica
   
Vista área do aeroporto internacional de Hong Kong: visível mesmo do espaço

Ficha Técnica
Aeroporto Internacional
de Chek Lap Kok
Local
Hong Kong, China
Projeto
1994
Conclusão da obra
1998
Área construída
516.000m2
Arquitetura
Foster&Partners
Consultores
Mott Connell, BBA (projeto); Ove Arup
and Partners (estrutura) WT Partnership (custos); Fisher Marantz Renfro
Stone (luminotécnica)
O'brien Kreitzberg
(construção); Wilbur
Smith Associates
planejamento tráfego
Fotos
Michel Porro
e Denis Gilbert

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