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Construção une rigor e preocupação
com detalhes
Inteiramente
revestido com pele de vidro verde e laterais de alumínio
branco, o edifício Faria Lima Premium destaca-se
na ainda relativamente horizontalizada paisagem do bairro
de Pinheiros, zona sudoeste de São Paulo, em frente
a um dos maiores e mais antigos shoppings da cidade.
Caracterizado sobretudo pela extrema elegância de suas
linhas frontais e laterais suavemente curvas, o prédio
impressiona também pelo rigoroso cuidado construtivo,
que transparece no resultado final. Conta ainda com
instalações de ponta e recursos tecnológicos avançados,
como o acesso à Internet por conexão exclusiva da Embratel.
O autor recorre
a uma frase do arquiteto norte-americano Frank Lloyd
Wright - “o prédio precisa ser e parecer alto e ter
solidez”, em tradução livre - para explicar o partido
adotado: um edifício alto (96 m), com uma implantação
pouco utilizada atualmente em São Paulo, com recuos
generosos e uma área frontal semipública. “Uma piazzale,
ou pracinha”, brinca Juliano, lembrando a compreensão
do incorporador e construtor, que concordou com um prédio
mais esbelto, porém mais elegante e com escala que se
destaca no entorno. O edifício ocupa um lote de pouco
mais de 2 mil m2 em área bastante valorizada,
que vem sofrendo forte transformação. A proposta, por
isso, procurou preservar ao máximo o terreno,
erguendo uma torre de 24 pavimentos, um mezanino e três
subsolos, com unidades de 30 a 300 m2, e
cobertura com dois conjuntos dúplex, todos dotados de
vistas privilegiadas.
A arquitetura explorou intensamente
as vistas propiciadas pela solução estrutural, sem
pilares nas fachadas, e de fechamento, em pele de
vidro. A circulação vertical (escadas de incêndio e
quatro elevadores, com um quinto elevador exclusivamente
para os três subsolos) é centralizada. Cada andar pode
abrigar até dez conjuntos de escritórios, todos equipados
com sanitários e copa. Na cobertura, há um heliponto.
Nas esquadrias de alumínio anodizado preto foi utilizada
tecnologia da indústria automotiva para obter
a bela forma curva. Os vidros refletivos coloridos são
parafusados por meio de montantes fixados à fachada,
dotados de perfis ranhurados. A troca de ar no edifício
é feita por meio de shafts instalados em suas laterais.
A área de acesso ao prédio também
recebeu tratamento paisagístico cuidadoso: palmeiras
imperiais foram plantadas na entrada, que conta com
espelho d’água e recebeu ainda piso de granito e tratamento
em pastilhas cerâmicas de tonalidades fortes e contrastantes.
Os halls dos elevadores têm piso de granito, pastilhas
cerâmicas nas paredes, elevadores com portas e paredes
de aço inoxidável. O lobby foi concebido pelos empreendedores
como um espaço de exposição, com obras dos artistas
plásticos J. R. Aguilar, Marcelo Nitsche e Maria Bonomi.
O edifício exibe qualidade e
rigor executivo em áreas geralmente relegadas a segundo
plano, como as garagens, que têm paredes revestidas
com pastilhas de vidro e são climatizadas nos três pisos
- características singularmente positivas. Há quem questione
o emprego de fachada de cortina de vidro, pois ela exige
condicionamento artificial de ar. Juliano argumenta,
porém, que, atualmente, essa é uma falsa polêmica, diante
da tecnologia já disponível em sistemas de ar condicionado
e de vidros refletivos, capazes de refletir até 93%
dos raios solares. O autor diz também que o posicionamento
do prédio permite a incidência da insolação mais forte
em apenas um terço do edifício.
Texto resumido a partir de reportagem
de
Silvério Rocha
(Edição 243 - maio 2000)
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