Miguel Juliano
Edifício comercial, São Paulo
Diálogo com a paisagem
 

Construção une rigor e preocupação com detalhes

Inteiramente revestido com pele de vidro verde e laterais de alumínio branco, o edifício Faria Lima Premium destaca-se na ainda relativamente horizontalizada paisagem do bairro de Pinheiros, zona sudoeste de São Paulo, em frente a um dos maiores e mais antigos shoppings da cidade. Caracterizado sobretudo pela extrema elegância de suas linhas frontais e laterais suavemente curvas, o prédio impressiona também pelo rigoroso cuidado construtivo, que transparece no resultado final. Conta ainda com instalações de ponta e recursos tecnológicos avançados, como o acesso à Internet por conexão exclusiva da Embratel.

O autor recorre a uma frase do arquiteto norte-americano Frank Lloyd Wright - “o prédio precisa ser e parecer alto e ter solidez”, em tradução livre - para explicar o partido adotado: um edifício alto (96 m), com uma implantação pouco utilizada atualmente em São Paulo, com recuos generosos e uma área frontal semipública. “Uma piazzale, ou pracinha”, brinca Juliano, lembrando a compreensão do incorporador e construtor, que concordou com um prédio mais esbelto, porém mais elegante e com escala que se destaca no entorno. O edifício ocupa um lote de pouco mais de 2 mil m2 em área bastante valorizada, que vem sofrendo forte transformação. A proposta, por isso, procurou preservar ao máximo o terreno, erguendo uma torre de 24 pavimentos, um mezanino e três subsolos, com unidades de 30 a 300 m2, e cobertura com dois conjuntos dúplex, todos dotados de vistas privilegiadas.

A arquitetura explorou intensamente as vistas propiciadas pela solução estrutural, sem pilares nas fachadas, e de fechamento, em pele de vidro. A circulação vertical (escadas de incêndio e quatro elevadores, com um quinto elevador exclusivamente para os três subsolos) é centralizada. Cada andar pode abrigar até dez conjuntos de escritórios, todos equipados com sanitários e copa. Na cobertura, há um heliponto. Nas esquadrias de alumínio anodizado preto foi utilizada tecnologia da indústria automotiva para obter a bela forma curva. Os vidros refletivos coloridos são parafusados por meio de montantes fixados à fachada, dotados de perfis ranhurados. A troca de ar no edifício é feita por meio de shafts instalados em suas laterais.

A área de acesso ao prédio também recebeu tratamento paisagístico cuidadoso: palmeiras imperiais foram plantadas na entrada, que conta com espelho d’água e recebeu ainda piso de granito e tratamento em pastilhas cerâmicas de tonalidades fortes e contrastantes. Os halls dos elevadores têm piso de granito, pastilhas cerâmicas nas paredes, elevadores com portas e paredes de aço inoxidável. O lobby foi concebido pelos empreendedores como um espaço de exposição, com obras dos artistas plásticos J. R. Aguilar, Marcelo Nitsche e Maria Bonomi.

O edifício exibe qualidade e rigor executivo em áreas geralmente relegadas a segundo plano, como as garagens, que têm paredes revestidas com pastilhas de vidro e são climatizadas nos três pisos - características singularmente positivas. Há quem questione o emprego de fachada de cortina de vidro, pois ela exige condicionamento artificial de ar. Juliano argumenta, porém, que, atualmente, essa é uma falsa polêmica, diante da tecnologia já disponível em sistemas de ar condicionado e de vidros refletivos, capazes de refletir até 93% dos raios solares. O autor diz também que o posicionamento do prédio permite a incidência da insolação mais forte em apenas um terço do edifício.

Texto resumido a partir de reportagem de
Silvério Rocha
(Edição 243 - maio 2000)

 
O prédio, esbelto e elegante, destaca-se na paisagem
 
O prédio teve rigor também no paisagismo, com adoção de pavimento intertravado de blocos vazados, espelho d'água
e palmeiras na pequena praça frontal
 
O mezanino, sobre a recepção, permite segurança discreta
e eficaz; no vidro, pintura de Marcelo Nitsche
 
Pequeno pergolado em concreto cobre
a garagem situada nos fundos do edifício
   
Na fachada
dos fundos,
um desnível
compõe um
grande pórtico
1. Acesso ao estacionamento
2.
Recepção: grandes panos de vidro,
piso de alta resistência e obras de arte.
No concreto, obra de Maria Bonomi; e,
na parede lateral, tela de J. Aguilar

Ficha técnica

EDIFÍCIO FARIA LIMA PREMIUM

Local

São Paulo, SP

Projeto

1996

Conclusão da obra

1999

Área do terreno

2.130 m2

Área construída

15.099 m2

Arquitetura e paisagismo

Miguel Juliano (autor); Milton Miura (coordenador); José Prieto, Marcos Kawase, Maurício Nascimento, José Cavalcanti, Augusto Higa e Frederico Fialho (colaboradores)

Estrutura

Júlio Kassoy e Mário Franco

Instalações

KML

Fundações

Apoio

Ar condicionado

JMT

Construção

Gustavo Halbreich
Fotos
Nélson Kon
 

Fornecedores
Adalume, Sasp (esquadrias de alumínio); Alcoa (compósitos de alumínio); Santa Marina Vitrage (vidros); Atlas Schindler (elevadores); Ghetal (fôrmas); Montarte (instalações); PJ (chiller e fan-coils); York (ar-condicionado); Knauf (forro de gesso acartonado); Q&D (automação predial); Usemac (balancins elétricos); Stonebras (granito); Vidrotil (pastilhas vitrificadas); Promins (painéis elétricos); Holt (corrimãos); Scala (portas corta-fogo); Metalart (aço inoxidável); Dataphone (porteiro eletrônico); Nivaldo Pisos (pisos de alta resistência); Net (TV a cabo); W. W. Solution (provedor de Internet); Netstream (links de fibra ótica); Dumont (heliponto); Promoverd (paisagismo)

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