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Aflalo & Gasperini
Arquitetos
Teatro Abril Paramount, São Paulo-SP |
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| Teatro, cinema falado,
teatro, cinema, teatro de novo... |
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Em sua longa história, o Paramount se
celebrizou não só por introduzir técnicas
e equipamentos modernos (o cinema falado em 1929, por
exemplo), mas por abrir seus amplos espaços para
os bailes de carnaval, nos anos 50, e ainda,
nos anos 60, sediar os famosos festivais que
revelaram grandes compositores e intérpretes
da música popular brasileira. Quase destruído
em 1969 por um incêndio, foi depois dividido em
quatro salas de cinema, em diferentes níveis,
configuração que permaneceu até
meados da década de 1990, quando fechou as portas.
No ano passado, a empresa mexicana Corporación
Interamericana de Entretenimiento (CIE), que investira
na construção do Credicard Hall, resolveu
reformar o velho Paramount e transformá-lo em
um teatro moderno, com as características necessárias
à apresentação de grandes musicais.
A principal condicionante, segundo Aflalo Filho,
foi a preservação da fachada original
e do saguão, ambos em processo de tombamento.
Enquanto o trabalho na porção anterior
foi o de restaurar as condições originais
do antigo prédio - entregue aos arquitetos Haroldo
Gallo e Marcos Carrilho (leia
o quadro) -, o projeto do escritório
Aflalo & Gasperini resultou na demolição
total do restante do edifício, salvo duas empenas
laterais, que tiveram toda a estrutura reforçada.
O palco, a platéia e as instalações
e espaços de apoio foram redesenhados. Para aumentar
a capacidade da platéia para 1 500 lugares, o
projeto deslocou o conjunto cênico, com novas
dimensões, para os fundos do terreno. A caixa
cênica, reconstruída em estrutura metálica
com 30 m de altura, tem agora condições
de abrigar todo o aparato necessário às
grandes produções.
Reprojetada, a platéia ganhou acentuada inclinação,
que privilegiou a visão dos espectadores e permitiu
a criação de sanitários, bar e
área para equipamentos. O limite da inclinação
da platéia foi estabelecido pela altura do balcão
existente, preservado por fazer parte da estrutura do
saguão principal. A curva de visibilidade desse
balcão também foi alterada, recebendo
inclinação acentuada.
Nas laterais, foram criadas frisas, fixadas por
estruturas metálicas independentes. Além
de permitirem aos espectadores visão privilegiada
do palco, elas vestem as altas paredes. A visibilidade
a partir de cada poltrona pôde ser avaliada cuidadosamente
pelos arquitetos, por meio de modelo tridimensional
do conjunto platéia/palco, desenvolvido pelo
escritório.
Para a boa transmissão do som por toda
a sala, o sistema acústico do teatro utilizou
placas com acabamento de madeira laminada nas superfícies
refletantes e espuma sintética revestida por
tecido nas superfícies absorventes.
Toda a estrutura de cobertura da platéia foi
redesenhada de acordo com as exigências técnicas
atuais, recebendo, internamente, revestimento de espessa
proteção acústica para evitar vazamento
de som. O forro, em gesso, foi projetado de acordo
com as condicionantes acústicas e, em sua posição
posterior, revestido de material apropriado à
absorção sonora.
Dois conjuntos de gôndolas transversais suportam
a iluminação cênica. Para
a iluminação ambiental foram criados,
além de elementos de forro, desenvolvidos especificamente
para esse projeto, linhas de luz horizontais e contínuas
nas paredes, que acentuam a perspectiva para o palco.
O subsolo, que originalmente serviu de estacionamento,
foi ocupado pela infra-estrutura necessária aos
artistas, como camarins, sanitários, cabeleireiro,
sala de maquiagem, e por serviços como lavanderia,
caixas-d´água, casa de bombas, casa de
máquinas e oficina de manutenção.
Para a fachada do pequeno prédio anexo,
de dois pavimentos, o escritório Aflalo &
Gasperini desenvolveu linguagem e pintura semelhante
à do teatro. O térreo desse anexo foi
ocupado pelas bilheterias, bar, loja de suvenires e
café, enquanto no andar superior ficaram os escritórios
da administração. No subsolo, estão
os serviços técnicos de ar condicionado
e eletricidade.
Texto resumido a partir de reportagem
de Éride Moura
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 256 junho 2001
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| Na fachada, a cor ocre original |
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| Detalhe do ornamento do
saguão: carrancas reconstruídas |
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| Saguão, com pé-direito
duplo e lustres originais |
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| Linhas de luz acentuam a
perspectiva para o palco |
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| Platéia e balcão:
inclinações acentuadas pelo projeto |
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| No teto, gôndolas
transversais suportam a iluminação cênica |
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| Cores
fazem a interface entre o antigo e o novo |
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| Ornamentos da fachada |
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Detalhe da limpeza do piso,
recuperado |
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| Fôrmas auxiliaram reconstrução
das carrancas do saguão |
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A pintura do saguão
foi refeita,
pois não pôde ser recuperada |
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Em processo de tombamento,
a fachada e o saguão do teatro
foram restauradas a partir de projeto
de Haroldo Gallo e Marcos Carrilho. Segundo os arquitetos,
a qualidade dos projetos de recuperação
e de construção é fruto do
diálogo mantido durante a obra pelas duas
equipes. Em pontos importantes como as saídas
de incêndio e o equipamento de ar condicionado
- que não poderiam ficar no foyer nem na
platéia -, a solução foi a
criação de uma parede-diafragma,
área de transição entre
os espaços novo e antigo.
Os arquitetos ressaltam, no projeto de restauro
do saguão, a importância das prospecções
pictóricas que revelaram as cores originais
- em que o bordô é predominante. Para
o diálogo entre as partes restaurada e construída,
os arquitetos escolheram justamente as cores.
Atribui-se a autoria da concepção
do antigo Paramount a Arnaldo Maia Lello.
O projeto original, porém, não foi
localizado. Assim, a maioria das decisões
de restauro foram tomadas de acordo com o estudo
do objeto, do que foi encontrado no local. Como
ponto de interesse, os arquitetos apontam os motivos
pictóricos que evocam as artes cênicas,
típicos dos teatros ecléticos. "O
Paramount é considerado o primeiro cinema
a exibir filmes sonoros no Brasil. Como não
havia uma tipologia estabelecida para o cinema,
até então um programa novo, foram
utilizados elementos do teatro", explicam os
restauradores.
Os arquitetos, especialistas em patrimônio
histórico, questionam a idade oficial
do edifício. Segundo eles, a data divulgada
da inauguração do cinema (1929) não
seria a mesma da construção. Acreditam
que antes havia no local um teatro, transformado
depois em cinema. Como evidências, eles apontam
alguns itens: a platéia original não
era inclinada e o balcão sim; alguns caixilhos,
estranhamente, são fragmentados na fachada
pelo balcão; e a própria localização
do balcão, acima do foyer.
Ainda sobre o trabalho recente, Gallo afirma que
a convivência simultânea dos dois
canteiros de obra foi difícil em alguns momentos,
pois o processo de restauração é
necessariamente delicado. "Uma douração,
por exemplo, exige ambiente limpo, mas tínhamos
atrás da parede a construção
da sala de espetáculos para 1 500 lugares",
disse. Apesar de contratempos como esses, a obra
foi realizada em cinco meses.
(Por Fernando Serapião) |
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Ficha Técnica
Teatro Abril
Local
São Paulo-SP
Projeto
1999
Conclusão da obra 2001
Área construída
6 044 m2
Arquitetura
Aflalo & Gasperini Arquitetos -
Roberto Aflalo Filho (responsável);
Carlos Fernando Guimarães (coordenador);
Luana de Alencar Redesco, Juliana Marques Garcias,
Paola Vena
Curatolo, André
Becker Pennewaert
e José Guilherme
de Silos Margara (colaboradores); Camila Mônaco
da Cunha,
Fernando Talarico Barros, Rodrigo Sobreiro e Fabiano
Sinibaldi da Rocha
(estagiários)
Restauro
Haroldo Gallo
e Marcos Carrilho Arquitetos
Estrutura
Escritório
César Pereira Lopes
Consultoria acústica
Acústica Engenharia
Elétrica e hidráulica
SKK
Ar condicionado Thermoplan
Luminotécnica
Cia. de Iluminação
Construção
Racional
Fotos
Arnaldo Pappalardo
e Divulgação Abril
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Fornecedores
Atelier Sarassá (restauro portas, gradis e lustres);
Croma (restauro de pinturas murais, gesso e dourações
em folhas metálicas ) Holt (caixilhos); Mectal
e Construção (estrutura metálica);
CPI (painéis pré-moldados); Operação
(instalações, incêndio); CiaSul
(tratamento acústico); Ambiencold (ar-condicionado);
Telem (urdimento); Trust, Cia. de Iluminação
(luminárias); Ideal (poltronas); Otis (elevadores);
Basic (plataforma do palco); Deca (louças); Neocom
(divisórias sanitárias); Docol (metais
sanitários); Portobello, Eliane (revestimentos
cerâmicos); Gramape (pedras); Bandeirante (carpete)
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