Ceres Storchi e Nico Rocha
Memorial e arquivo histórico, Porto Alegre-RS
Mensagem através do tempo
 

O prédio dos Correios e Telégrafos - tido como o primeiro de concreto armado em Porto Alegre - foi construído entre 1911 e 1913 a partir de projeto de Theo Wiederspahn, arquiteto nascido na Alemanha que emigrou para o Brasil em 1908 e constituiu notável carreira no Rio Grande do Sul. Wiederspahn È autor do Hotel Majestic (atual Casa de Cultura Mário Quintana), do Cine Guarani e do Hospital Moinhos de Vento, entre outros.

Os arquitetos Ceres Storchi e Nico Rocha conciliaram com sutileza e refinada elegância a necessidade de manter o testemunho de época e as exigências de novos usos, ao realizarem intervenção no edifício para transformá-lo no Memorial do Rio Grande do Sul e na sede do Arquivo Histórico Estadual.

A primeira ação, explicam os autores, foi recuperar a volumetria original do prédio, com a recuperação das fachadas e a demolição de construções que, edificadas anos depois, o desfiguravam.

O trabalho de Ceres e Rocha começou a tomar forma no início de 1998, com a visita do designer norte-americano Ralph Appelbaun a Porto Alegre. Na ocasião, foram discutidos aspectos conceituais da intervenção arquitetônica e museográfica, esta de autoria do norte-americano.

As discussões serviram para definir as linhas do projeto museográfico: o percurso expositivo se desenvolveria ao redor da parede periférica do prédio, com uma linha de tempo gráfica condutora da exposição; um auditório estaria inserido no trajeto da exposição; nos quatro compartimentos das extremidades seriam instaladas salas de vídeo conectadas aos eventos da linha de tempo; espaços seriam destinados aos "tesouros" do arquivo, com mostras temporárias de originais em ambientes com controle de luz, temperatura e umidade. Essas diretrizes orientaram a intervenção arquitetônica nos três pavimentos do edifício.


Na construção original não havia conexões internas entre o térreo e o primeiro pavimento. A comunicação entre eles era feita exclusivamente no acesso de serviço, que se dava pela avenida Siqueira Campos. "Optamos por ligar os dois pisos através de circulação vertical, demolindo parte da laje e utilizando escadas metálicas com a mesma definição em planta, porém com detalhamento adequado para demarcar as áreas de intervenção atual", explica Rocha.

Sanitários foram construÌdos em todos os pavimentos e o espaço também recebeu dois elevadores hidráulicos, para facilitar o acesso de deficientes físicos. E, para promover a integração visual e a proximidade espacial entre a área térrea e parte da exposição, o projeto adotou clarabóias abaixo do nível do segundo piso, enclausurando os poços de ventilação. O objetivo, de acordo com os autores, foi não desfigurar a volumetria do prédio e valorizar os pátios como ambientes de convívio e permanência.

"Nossa atuação buscou evitar a adulteração do histórico", afirma Rocha. "Ao mesmo tempo, procuramos adaptar a construção aos novos usos, facilitando a fruição do público com uma proposta arquitetônica da qual a população possa se apropriar e em que consiga ser reconhecer", completa.

Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez

Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 256 Junho 2001

 
 
Torre do relógio
 
Na fachada voltada à praça da Alfândega,
o acesso do Memorial do Rio Grande do Sul
 
Fachada da rua Siqueira Campos: volumetria original
foi reconstituída com a demolição de anexos
 
O terraço do segundo pavimento
e clarabóia sobre pátios vistos da cobertura
 
Fechamento de vidro sobre acesso
 
Ambientes reverenciam memória,
personagens e História do Rio Grande do Sul
 
O auditório, no primeiro piso,
está inserido no percurso da exposição
 
Espaço dedicado à memória dos Correios e Telégrafos
situa-se entre as salas de exposições temporárias
 
Clarabóia valoriza pátios como ambientes de convívio
e permanência, sem desfigurar volumetria do prédio
 
Escada e torre do elevador: circulação
vertical criou ligação entre os três pavimentos
 
 
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Fornecedores
Gerdau (ferro e aço); Semp Toshiba (monitores); Springer Carrier (ar-condicionado); Thyssen Sur (elevadores); Ypiranga (tintas); Aços Gerais (estruturas metálicas); RC (escadas metálicas e artefatos em ferro); Klift (instalação do ar-condicionado); Dallegrave (tecidos para decoração e revestimento); Chroma (cadeiras); Espaço de Trabalho (plotagem); Alminhana (mobiliário); Tria Design (montagem museográfica); Deca (louças e metais); Uniflex (persianas); Madepa (restauração de esquadrias de madeira)

veja também
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