LT Arquitetura
Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo-SP
Para guardar os tesouros da cidade
 

Prevista há longo tempo, a idéia de implantar em São Paulo o Centro Cultural Banco do Brasil - que há mais de uma década é referência no circuito cultural do Rio de Janeiro - foi adiada por alguns anos devido a mudanças na política interna do banco. A espera chegou ao fim em 21 de abril, quando o espaço foi inaugurado com a missão de contribuir para o resgate da região central da cidade.

Tombado por órgãos municipal e estadual de preservação do patrimônio histórico, o edifício eclético de cinco pavimentos, localizado na esquina de duas ruas do centro velho de São Paulo, foi totalmente restaurado, beneficiando-se das novas leis da Operação Urbana Centro. Elas permitiram o aproveitamento do recuo dos fundos do lote para a ampliação da área construída de 3.600 m2 para 4.100 m2, diferença usada para acomodar a escada de incêndio e parte dos equipamentos de ar condicionado.

De acordo com o arquiteto Luiz Telles, coordenador dos trabalhos, o grande desafio foi preservar a linguagem arquitetônica da edificação e, ao mesmo tempo, dotá-la de recursos de automação predial e garantir que o espaço, originalmente uma agência bancária, pudesse exercer suas novas funções.

Para facilitar o intercâmbio de espetáculos e instalações entre Rio e São Paulo, o programa exigia que o centro cultural paulistano tivesse os mesmos ambientes e recursos do carioca, que dispõe de quase 16 mil m2 de área. "O de São Paulo tem tudo o que existe no do Rio, só que menor - exceto o teatro, com quase a mesma capacidade de público", afirma Telles.

O destaque do edifício é o vazio central fechado por clarabóia, agora posicionada no vão do quarto pavimento - originalmente, ela ficava no terceiro andar (leia o quadro). Apesar da mudança de lugar, a peça continua exercendo a função anterior de delimitar espaços públicos e setores de acesso restrito. "Quando se compreendem as intenções do projeto, é possível mexer sem descaracterizá-lo", explica o arquiteto.

O projeto foi dividido em duas etapas. A primeira compreendeu a restauração dos elementos originais catalogados como os mais importantes e em bom estado de conservação, entre eles as colunas com capitéis de gesso, as luminárias, o piso de mosaico veneziano e as portas em latão. Equipes especializadas em restauro fizeram prospecção para resgatar as cores originais, reproduzidas com boa fidelidade a partir de tintas atuais.

As antigas janelas que caracterizam o edifício foram todas preservadas e protegidas por novos caixilhos de função acústica, sobrepostos internamente para não alterar o aspecto da fachada.

As luminárias pendentes do térreo mantêm as canoplas da época da construção; os globos, porém, foram totalmente substituídos na década de 60, o que impossibilitou reproduzir suas linhas originais.

A segunda fase consistiu na implantação dos novos espaços, como o teatro italiano para 130 pessoas, o cinema para 86 espectadores, sala de vídeo com 21 lugares e auditório com 40, além de restaurante e cibercafé, dispostos entre o térreo e o terceiro piso.

O antigo subsolo em ruínas, onde antes ficavam as caixas-fortes, foi transformado em um grande espaço para mostras. Dois dos grandes cofres foram mantidos para preservar a memória da instituição e podem também servir como área de exposição para moedas e demais objetos de pequeno porte.

Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli

Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 256 Junho 2001

 

 
 
O piso em mosaico veneziano, o relógio, alegoria dos tempos do café, e gradis com o brasão do banco Fotos: Jonathan nóbrega
 
Cores originais foram resgatadas
e a clarabóia elevada para o quarto pavimento
 
Térreo: piso em mosaico veneziano, ornamentos das colunas
e partes do antigo balcão originais; a escada, ao fundo, é nova
 
A troca de parte da laje do 4º piso por estrutura metálica abriu espaço ao balcão, permitindo acrescentar assentos ao teatro
 
 
Sala de cinema e auditório, no 1º andar; cortinas
especiais e caixilhos acústicos permitem
multiplicidade de uso dos espaços
 
Restaurante no mezanino
 
Detalhe da clarabóia feita em 1927 pela Conrado, empresa contratada, nos anos 90, para restaurar a peça
Foto: Márcia Macul
 
O torreão e uma segunda clarabóia:coroamento diferenciado
Foto: Luiz Telles
 
 
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Fornecedores
Thyssen Sûr (elevadores); Teck Haus (esquadrias); Telhas Perkrom (cobertura); Hunter Douglas (cortinas, persianas e forros); Santa Mônica (carpetes); Forma (mobiliário); Ômega (luminárias); JN Tradin (piso vinílico); Vidrotil (mosaico de vidro); Philips (luminárias)

 
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