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A pousada situa-se na área
urbana mais afastada
do centro colonial de Tiradentes, cidade que, por
ter como principal fonte de renda o turismo histórico,
possui rigorosa política de preservação
de seu patrimônio. À medida que os terrenos
se afastam daquela região, a legislação
torna-se mais branda.
A localização, associada ao fato
de o entorno estar bastante descaracterizado,
permitiu aos arquitetos André de Paula Abreu
e Gustavo Rocha Ribeiro desenvolver um projeto com linguagem
arquitetônica mais flexível.
Nos primeiros estudos, relembram os autores, foram identificadas
duas condicionantes que determinaram a implantação
e a forma final da construção.
Uma delas, a marcante presença da serra São
José, a norte do lote; a outra, a geometria
do terreno, constituído por uma faixa
de 11 m de largura por 25 m de comprimento que parte
da rua e desemboca num quadrado central com lados de
cerca de 38 metros.
“Optamos por afastar a construção da
testada da rua para permitir que o volume edificado
pudesse ser contemplado de maior distância”, explica
Ribeiro. Assim, a fração frontal do terreno
funciona como pátio de embarque e desembarque
para os hóspedes.
No seu lado direito há um muro de adobe
- material que faz referência ao sistema construtivo
histórico local - lançado perpendicularmente
à fachada frontal.
A intenção dos arquitetos foi a de fazer
com que o muro atuasse como condutor do pedestre e,
ao mesmo tempo, guiasse o olhar na direção
do lobby, espaço articulador das alas da edificação.
Afastado da divisa lateral do lote, o muro tem rasgos
retangulares abertos para uma jardineira que serve
como barreira verde à edificação
vizinha, bastante descaracterizada, segundo os arquitetos.
O lobby, situado no encontro das alas, tem amplo
pé-direito e é fartamente vazado por aberturas,
condição que permite a fácil e
rápida leitura dos espaços internos e
externos.
“A implantação nessa forma propicia o
maior aproveitamento do pátio interno, assim
como cria vistas da serra a partir de todos os quartos”,
informa Ribeiro.
Na ala nordeste estão as áreas
sociais (estar, varanda coberta e bar); na noroeste,
o setor de serviços (lavanderia, cozinha e acomodação
de empregados), o salão de café e uma
suíte com acesso para deficientes físicos.
No piso superior foram distribuídas mais 12 suítes.
No tratamento externo, os autores optaram por
utilizar materiais mais condizentes com o vocabulário
arquitetônico da cidade, o que inclui técnicas
construtivas como a do muro de adobe.
“Contudo, por ser uma edificação original,
em um lote vago e sem entorno notadamente histórico,
adotamos uma linguagem moderna, com amplas aberturas,
visando o máximo de luminosidade natural e vistas
da bela serra local”, conclui Ribeiro.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 258 Agosto 2001
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