Roberto Moita
Parque Municipal do Mindu, Manaus-AM
Arquitetura para entender a floresta
 

Os estudos para a implantação do Parque Municipal do Mindu foram iniciados a partir do reconhecimento da estrutura ambiental existente, como acessos, caminhos, biodiversidade da flora, grandes clareiras, cursos d’água, vocações de uso e possibilidades de recriar ambientes naturais atraentes e estimulantes. A arquitetura procurou ser ambientalmente correta, visando a uma imagem de modernidade ligada às preocupações com o futuro da Amazônia.

O projeto das edificações combina o uso inteligente das madeiras amazônicas com o concreto, o aço e o alumínio, fazendo do desenho uma forma de integração com os exuberantes espaços da mata. Assim, as estruturas dialogam com a floresta em forma e escala, enquanto as cores utilizadas remetem às flores e frutos do local.

Logo após o portão de acesso, um grande totem (projetado pela equipe) traz informações sobre o histórico do parque e seu regulamento, e ajuda o visitante a localizar-se por intermédio de mapa ilustrativo da área. Após conhecer o orquidário, ele pode seguir pelas várias trilhas que avançam pelo interior da floresta, todas com indicações interativas.

Esses percursos seguem por caminhos pavimentados de pedra, concreto ou passarelas de madeira e treliças metálicas, quando cortam córregos ou áreas úmidas. As passarelas são erguidas sobre uma estrutura formada por pilares de aço de perfis laminados, com fundações de concreto.

As trilhas levam à praça principal, a da Sumaúma (grande árvore da região), em torno da qual foram erguidas coloridas edificações, como o Centro de Atividades, o Anfiteatro (uma grande cobertura em forma de semicírculo, inteiramente aberta para a floresta que a cerca) e o Chapéu de Palha, um espaço de sombra e descanso para o visitante, cujo teto lembra um gigantesco chapéu, com lanternim no topo.

De acordo com o arquiteto, as formas projetadas expressam o desejo de afirmação de uma nova identidade da Amazônia, associada a processos de desenvolvimento que sejam, ao mesmo tempo, auto-sustentáveis e arrojados dos pontos de vista econômico, cultural e social.

Todos os espaços do parque foram equipados com sinalização educativa, que interpreta os recintos naturais de forma interativa ou identifica utilizações da rica flora da região.

Texto resumido a partir de reportagem
de Éride Moura
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 261 Novembro 2001

 
Logomarca criada pela equipe do projeto, na entrada do parque
 
Portal de acesso
 
Praça da Sumaúma, com o Chapéu
de Palha e o Centro de Atividades, ao fundo
 
Interior do Chapéu de Palha: uso intenso de materiais locais
 
 
Vista geral da platéia do Anfiteatro
 
Trilha Suspensa: madeira e treliças metálicas
 
Concreto e madeira sustentam o teto das estruturas
 
Vista aérea
 
 
Totem com comunicação visual e sinalização das áreas do parque
 
   
Anfiteatro: colorido das flores da região

Ficha Técnica
Parque do Mindu
Local
Manaus-AM
Projeto
1995
Conclusão da obra 1999
Terreno
330.000 m2
Área construída
2.300 m2
Arquitetura
Roberto Moita
Paisagismo
Ayrton Urizzis
e Graciélio Queiroz
Estrutura
Artur Linhares
e Francisco Lobo
Construção
e instalações
Toronto Construções
Rogério P. Rabelo
e Jorge S. Maior
Fotos
Roberto Moita

 

Fornecedores
Suvinil (tintas); Supermix/Concrex (concreto); Eucatex (portas e telhas metálicas); Carboquímica da Amazônia (estrutura metálica); Philips (lâmpadas e luminárias); Signexpress (sinalização); Gerdau (telas); JBL (sonorização)

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