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Cercada por vegetação, esta residência
de veraneio ocupa dois lotes em um condomínio em Itu,
interior de São Paulo. O projeto dos arquitetos Henrique
Reinach e Maurício Mendonça, criado há seis anos, teve
complicada aprovação no Ibama, por prever a retirada
de árvores. A casa foi implantada na clareira, no centro
do terreno de cerca de 5 mil m2.
O extenso programa está abrigado em um único e complexo
volume, que possui quase 700 m2 de área construída.
A composição é formada por dois eixos que se cruzam,
criando um T, em cuja base estão os serviços; na outra
parte ficam as áreas social e íntima, que ocupam dois
pavimentos. A fragmentação em alas, que geram setores
bem definidos, é uma constante nas residências de veraneio
projetadas pela equipe.
O vazio criado entre o limite da vegetação e a construção
definiu três pátios: de acesso, de serviço
e social. O projeto é marcado por um percurso,
que se inicia no pátio de acesso. Ali, os grandes volumes
com poucas aberturas - à maneira do arquiteto mexicano
Luis Barragán - resguardam o interior da casa. A entrada
é indicada por uma saliência na curvatura da face sudeste
do bloco principal. Ao entrar, começam as surpresas.
O generoso hall com pé-direito duplo possui monumentalidade
e luz inesperadas e concentra grande parte da circulação
social e íntima.
O espaço foi desenhado para permitir fluidez,
que se prolonga em patamares pelo interior e pelo exterior
da casa em direção ao pátio social, sem invadir ambientes
reservados. Já a face noroeste do maior bloco, oposta
à grande curvatura fechada, é recortada conforme a necessidade
dos ambientes internos, formando, entre os blocos, pequenos
pátios externos. O centro da complexa composição geométrica
é definido pela aproximação entre as duas curvas da
fachada sudeste e o eixo do bloco de serviços. Nesse
espaço situa-se a sala de jantar. O prolongamento daquele
eixo é insinuado pelo espaço da sala de estar juntamente
com o espelho d´água que se estende até a piscina.
As aberturas - que receberam vidros temperados
sem caixilho ou peças de alumínio - são cuidadosamente
estudadas. O uso de poucos materiais, porém com exaustivo
detalhamento, remete a elementos básicos da escola paulista.
Entre os acabamentos - massa desempenada pintada, guarda-corpo
de aço e madeira, portas pivotantes de pau-marfim -,
destaca-se o uso da pedra. A mesma pedra, um quartzito
branco extraído no sul de Minas Gerais, foi utilizada
em quase todo o piso interno e externo (exceto na cozinha
e no quarto principal), nas bancadas e até no revestimento
de parede nas áreas do boxe (neste caso, polida).
Texto resumido a partir de reportagem de
Fernando Serapião
(Edição 244 - junho 2000)
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