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Este ensaio fotográfico foi
originalmente realizado pelo fotógrafo Nelson
Kon para o livro Rino Levi - Arquitetura e cidade,
de Renato Anelli e Abílio Guerra (veja
nota), lançado em novembro pela
Romano Guerra Editora. São imagens reveladoras
de seis edifícios fundamentais para a
compreensão de diversos aspectos da obra do grande
arquiteto brasileiro:
o Guarani e a verticalização da
cidade; o Sedes Sapientiae e o pátio tropical;
a residência Gomes e seus murais; o Itaú
e o racionalismo; o Centro Cívico de Santo
André e a escala urbana; e, por fim, a sede
da Fiesp e a continuidade do trabalho do escritório.
Rino Levi possuía um arquivo fotográfico
de ótima qualidade. Hoje digitalizado, parte
dele é bastante conhecida do público:
a obra de Levi foi publicada em revistas nacionais e
internacionais e em duas monografias anteriores à
de Anelli e Guerra:
a primeira é de 1940 e a segunda, de 1974.
A tarefa de Kon não foi fácil.
Primeiro, os autores do livro escolheram, entre as obras
mais significativas, aquelas ainda em condições
de ser fotografadas. É um grande desafio registrar
um trabalho décadas depois de ele estar concluído.
Kon, porém, percebeu ângulos inusitados
e revelou-nos cores. E que cores! A iconografia a respeito
de Levi é em preto e branco; aqui, em vez das
“luzes e sombras”, estamos diante da luminosidade que
nos informa sobre a diversidade de tons e a vivacidade
dos jardins.
Mostra-nos ainda um percurso que se inicia quase
monocromático no edifício Guarani
e no Sedes Sapientiae, culminando na energia e vigor
da residência de São José dos Campos-SP,
e na monocromia do concreto de Santo André-SP.
Revela-nos também o envelhecimento de algumas
obras, não por problema técnicos, mas
por total falta de conservação, devido
principalmente, entre outros aspectos, ao descaso dos
órgãos de preservação. Em
todo caso, para sermos surpreendidos pelo tempo, para
o bem ou para o mal, é preciso não seguir
o conselho de Le Corbusier: “Fotografe, e nunca mais
apareça para ver a obra”, ele dizia.
Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 262 dezembro 2001
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