Álvaro Siza Vieira
Museu Serralves , Porto, Portugal
Iluminação natural e aberturas integram os espaços com o exterior
 

O Museu Serralves está implantado na Quinta de mesmo nome, onde várias edificações são circundadas por um grande parque. O projeto de Álvaro Siza Vieira estabelece um novo núcleo - autônomo e independente das construções anteriores - para absorver a maior parte das funções antes centralizadas no edifício principal, a Casa Serralves, que durante dez anos abrigou exposições.

A nova construção foi erguida em uma parte do terreno não arborizada e próxima à grande avenida que corta a área, facilitando o ingresso de visitantes.
O projeto de Siza Vieira desenvolve-se ao longo de um eixo longitudinal, orientado na direção norte-sul. O prédio tem um corpo principal, do qual partem duas alas assimétricas em direção ao sul, com um pátio entre ambas. Orientado para o norte, outro volume, em forma de L, cria com o bloco principal um segundo pátio, precisamente na zona de acesso do público.

Exteriormente
, o edifício é definido por superfícies verticais cobertas de pedra e estuque. A cota superior das paredes se mantém em nível constante, enquanto a parte inferior acompanha as variações do terreno (a diferença de cotas ao longo da zona de intervenção é de 9 m, o que corresponde a um declive de 5,3%, no sentido norte-sul).

O nível mais elevado corresponde à entrada do público no museu, através de uma abertura no muro que circunda a quinta. Essa abertura conduz a um pátio, para o qual convergem a escada e o elevador do estacionamento subterrâneo (em dois níveis), e ainda aos caminhos que ligam os diferentes jardins.

Um percurso coberto leva à bilheteria e, desta,
a um segundo e amplo pátio que permite o acesso tanto ao interior do museu quanto ao foyer do auditório, no piso inferior, por uma entrada independente. Logo na entrada do museu, foram colocados o balcão de informações e o foyer da recepção, com chapelaria.

Dali, parte um corredor que leva ao grande átrio de planta quadrada e duplo pé-direito, com iluminação zenital, situado no centro dos eixos de orientação longitudinal e transversal que definem o edifício.
A posição das aberturas dessa sala e dos compartimentos adjacentes prolonga visualmente a axialidade do projeto para o exterior em todas as direções. O átrio funciona, assim, não apenas como pólo ordenador da geometria do edifício, mas também como centro de orientação para os vários serviços oferecidos pelo complexo.

No nível de acesso, além das salas de exposição, estão a livraria e a loja de lembranças (que podem funcionar em horários diferentes dos do museu, pois dispõem de acesso independente); no superior, café e terraço; no primeiro nível inferior, estão biblioteca, auditório e estacionamento; e, no segundo, estacionamento e pátio.

As salas de exposição
ocupam a maior parte do nível de acesso, estendendo-se por uma das alas do primeiro piso inferior. Elas têm diferentes características de escala, proporção, luz e tipos de aberturas, e estão conectadas por uma ampla galeria em forma de U. As portas que ligam essas salas podem ser utilizadas para criar diferentes rotas ou para organizar exposições distintas, de forma simultânea.

A passagem para o nível superior - com café para 80 pessoas, aberta para uma esplanada e para os jardins do parque - é feita por escadas e elevadores localizados na galeria próxima ao átrio principal. Essa galeria se conecta ainda com duas salas polivalentes, utilizadas para as atividades educativas do museu.

No primeiro nível inferior, também com acesso por escadas e elevadores que partem da mesma galeria, foi implantado o foyer da biblioteca, que se prolonga para o exterior por meio de uma área ajardinada. Ainda nesse piso estão os lavabos de público, biblioteca, foyer e auditório. A biblioteca, dividida em dois pisos, é destinada a diversos tipos de público e especializada em artes.

Além de sala de leitura, dispõe de videoteca, espaços para pesquisas, depósito de livros e equipamentos para informática. O auditório, para 290 espectadores, foi projetado para funcionar de maneira autônoma.

Texto resumido a partir de reportagem
de Éride Moura
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 262 Dezembro 2001

 
 
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Pátio entre o auditório e o museu
 
Sala de exposição, com iluminação do tipo mesa-invertida
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Pátio de entrada, com bilheteria ao fundo
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Exterior do museu, com aberturas
que permitem a entrada de luz natural
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Átrio de pé-direito duplo, com iluminação zenital
 
Projeto propiciou integração contínua com o exterior
 
Rampa de acesso
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Um mestre da luz  
     
 
Jan Versnel, autor das fotos
do Museu Serralves que publicamos nesta edição,
é considerado um dos maiores fotógrafos de arquitetura do seu país, a Holanda, onde nasceu
em 1924.

Diplomado pela Escola de Artes Gráficas de Amsterdã, estabeleceu seu escritório em 1947 na cidade, atuando desde então nas áreas de fotografia, arquitetura, design, interiores e publicidade.

Sua obra fotográfica - que documenta a evolução das vanguardas do design e da arquitetura na
 
Holanda desde o final da Segunda Guerra até os dias atuais - foi objeto
da série Monografias de Fotógrafos Holandeses, publicada recentemente em seu país.
Suas fotos já percorreram o mundo e documentam projetos de grandes nomes da arquitetura, como Marcel Breuer, Aldo van Eyck e Gerrit Rietveld. Mestre no aproveitamento da luz (de preferência, a natural), suas imagens fazem uma interpretação espontânea dos objetos focalizados e ajudam a leitura do projeto, sem transformá-lo em composição abstrata e irreal.
     
Capela de Ronchamp (1956),
projetada por Le Corbusier
Europa Hall, 1960

Ficha Técnica
Museu de Arte Contemporânia
de Serralves
Local
Porto, Portugal
Projeto
1991
Conclusão da obra
1999
Terreno
35.000 m2
Área construída
7.000 m2
Arquitetura
Autor:
Álvaro Siza Vieira Colaboradores:
Tiago Faria, Christian Gaenshirt, Sofia Thenaisie Coelho, Edison Okumura, Abílio Mourão, Avelino Silva, João Sabugueiro, Cristina Ferreirinha, Taichi Tomuro, Daniela Antonucci, Francesca Montalto, Francisco R. Guedes de Carvalho, Ulrich Krauss e Angela Princiotto
Estrutura
João Maria Sobreira
Elétrica
Raul Serafim e Alexandre Martins
Acústica
Daniel Commins
Instalações
Inês Sobreira
e Raquel Fernandes
Ar condicionado
Alfredo Costa
Pereira
Paisagismo
João Gomes da Silva
e Erika Skabar
Fotos
Jan Versnel

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