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Cristina Xavier tem uma trajetória
ligada ao canteiro de obras. Em 1984, quando ainda
estudava Filosofia na USP, ela projetou e construiu
uma casa para sua própria residência. Em
87, concluída a primeira faculdade, Cristina
iniciou o curso de Arquitetura também na USP.
Em 1991, ainda aluna da FAU, ela colaborou com o pai,
o arquiteto João Batista Alves Xavier, no conturbado
concurso para o Paço Municipal de Osasco, no
qual saíram vencedores (Leia
mais na seção Memória).
Antes de concluir o curso de arquitetura, Cristina
também trabalhou em projetos, basicamente residências,
solicitados por amigos. Na época, conheceu o
engenheiro Hélio Olga, calculista e fabricante
de estruturas de madeira, com quem formou parceria desde
o início. “Trabalho com Cristina desde a primeira
casa que ela desenhou“, relata Hélio. Esses projetos
seguem a experiência contemporânea da arquitetura
brasileira com estrutura de madeira difundida por Zanine
Caldas.
Dessa fase inicial destacam-se uma casa em São
Paulo, cujo partido geométrico divide a construção
em duas alas simétricas; uma casa de veraneio,
no litoral paulista, na qual o programa se desenvolve
em torno de um pátio; e um estúdio de
teatro, em Carapicuíba, na Grande São
Paulo. Durante o curso, o envolvimento de Cristina com
a construção reforçou seu interesse
pelas matérias técnicas, geralmente
desprezadas pelos alunos. Isso fez com que houvesse
certo distanciamento em relação à
vida acadêmica da faculdade - cujo forte são
as matérias teóricas - e aos demais alunos.
Em 1996, dois anos depois de formada, a arquiteta
recebeu solicitação de uma incorporadora
para projetar um conjunto residencial na Vila Madalena,
zona oeste de São Paulo. O projeto foi possível
graças à aprovação de uma
lei municipal que regulamentou a construção
de condomínios horizontais, a chamada Lei
das Vilas, de 1994. O lote, situado ao lado de uma
praça, possui forte inclinação.
O conjunto tem oito unidades - de desenho individualizado,
com dois dormitórios cada - e é dividido
em dois volumes. O primeiro, implantado junto à
rua, com garagem subterrânea (semelhante a um
edifício residencial), possui quatro residências,
duas no térreo e as outras duas (dúplex)
no primeiro piso. O segundo fica distante do solo, apoiado
em pilares de concreto, e tem quatro unidades dúplex.
As casas possuem vista em direção à
zona oeste da cidade. A estrutura de concreto é
aparente e os fechamentos de alvenaria, revestidos com
plaquetas cerâmicas.
A velocidade com que trabalha o mercado imobiliário
acabou atropelando o projeto de arquitetura,
que ficou comprometido. Essa experiência foi fundamental
para que a arquiteta refletisse sobre esse mercado,
levando-a a incorporar, com um grupo de amigos - em
empresa batizada de Taguaí Arquitetura e Incorporação
- outro conjunto residencial, na mesma rua.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 263 Janeiro 2002
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