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Acontecimento que muitos comparam à
inauguração, no início do século, do edifício Chrysler,
a nova torre LVMH/Moët Hennessy Louis Vuitton, concebida
pelo francês Portzamparc, em associação com o Grupo
Hillier, introduz um elemento surpreendente no panorama
nova-iorquino.O novo edifício situa-se no melhor ponto
de Manhattan, na feérica rua 57, entre a Quinta Avenida
e a avenida Madison, quase na esquina desta. Fica bem
de frente para o imponente edifício da IBM, marcado
por uma fachada escura. O desejo do cliente, de erguer
um edifício que refletisse a forte presença do grupo
na América do Norte, era difícil de ser concretizado,
devido, principalmente, às reduzidas dimensões do terreno.
Além do lote muito estreito
e comprimido entre duas construções
convencionais, o que limitava a liberdade de concepção,
o arquiteto teria ainda de se submeter às rígidas
restrições municipais relativas ao gabarito.
Para que a torre LVMH conquistasse certa visibilidade,
restava apenas a Portzamparc a possibilidade de criar
uma fachada que fugisse do convencional. Uma parede
de vidro plano e clássico faria apenas refletir
o poderoso vizinho da frente e mergulharia o novo prédio
em um eterno eclipse.
Depois
de vários estudos, o arquiteto encontrou uma
solução original que evitava os efeitos
da sombra esmagadora do imóvel à sua
frente e dos demais vizinhos. Ele decidiu explodir a
fachada em facetas colocadas numa posição
oblíqua em relação à rua
e ao edifício da IBM. E fez jatear o vidro branco
extraclaro do volume principal, cuja superfície
enevoada impede a reflexão dos prédios
vizinhos. Com isso, conseguiu também difundir
uma maior e melhor quantidade de luz natural no interior
da torre. Ao dobrar em duas partes as bordas das faces
da fachada, seguindo um ângulo em relação
aos imóveis ao redor, Portzamparc criou uma original
parede envidraçada, sem ferir as normas de alinhamento
estabelecidas para a rua 57.
Publicada originalmente
em PROJETODESIGN
Edição 241 Março de 2000.
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