Otip CA e Conac
Centros culturais comunitários, Venezuela
   
       
 
  Espaço cultural comunitário em Guaribe: pré-fabricados e brises de madeira desenham a luz e imprimem a marca do edifício no sítio
       
 
Onde mora a cultura
 

Há alguns anos, um dos filhos do engenheiro venezuelano José Adolfo Peña iniciou um trabalho intensivo para o ensino de dança a crianças e jovens em bairros de Caracas, Venezuela.

A iniciativa deu certo, multiplicou-se em vários grupos culturais e ampliou-se para a música, artes cênicas, literatura e artesanato. Com apoio do Ministério da Cultura da Venezuela, o trabalho passou a demandar locais para reuniões, ensaios e apresentações. Nasceu daí a idéia de criar um sistema construtivo modular que permitisse a montagem rápida de espaços culturais pelo interior do país.

Adolfo Peña já criara vários sistemas para a construção rápida de escolas, casas e edifícios residenciais, nos moldes do que João Filgueiras Lima (Lelé) faz no Brasil. A diferença é que Peña é diretor de uma empresa privada, a Otip, e desenvolve a maior parte de seus projetos sem qualquer apoio governamental.

No entanto, no caso dos espaços culturais, o governo tornou-se o principal agente de desenvolvimento do projeto, através do Conac-Conselho Nacional da Cultura, que criou o Plano Nacional de Espaços Culturais Comunitários.
Desta forma, o projeto arquitetônico foi coordenado pelo arquiteto Juan Pedro Posani, do organismo estatal.

O primeiro centro foi construído em San Sebastián de los Reyes, no Estado Aragua, e inaugurado em junho de 2001. Trata-se de um complexo com mais de 1300 m2 de área, com três salões-oficinas para as atividades de criação, uma biblioteca, auditório para 200 pessoas, camarins, museu, estúdio para emissora FM e áreas de administração e serviços.

Montados em cerca de 90 dias, os edifícios possuem estrutura de aço, que recebe piso, vedações e coberturas pré-fabricadas com argamassa armada. A flexibilidade do sistema construtivo permite a rápida expansão do conjunto ou mesmo sua desmontagem e transferência para outros locais. Sua leveza também garante a segurança contra abalos sísmicos, comuns na Venezuela, explica Peña

As instalações são dotadas de grandes aberturas para permitir a ventilação cruzada dos espaços, protegidas por uma espécie de brise-soleil feito com lâminas de madeira de reflorestamento. Assim, lá dentro, a temperatura estará sempre 4 graus abaixo do exterior. Os brises, à noite, funcionam como elementos cênicos, pois permitem a fuga da luz interna para os pátios próximos e para as vizinhanças do bairro.

Casa um dos centros custa em torno de 300 milhões de bolívares (cerca de US$ 400 mil), prevendo-se a construção de quase 200 unidades em toda a Venezuela.

 
Detalhe do primeiro centro, em San Sebastián de los Reyes: estrutura metálica e brises de madeira
 
Espaço de circulação: teto e piso de argamassa armada.
 
Detalhe dos elementos vazados
 
Montagem da primeira unidade: estrutura metálica,
pisos e vedações de argamassa armada
 
Crianças de um grupo folclórico no Centro Cultural de Guaribe
 
O centro de Palmarejo, concluído no final de 2001
   
 

Ficha Técnica
Espaços Culturais Comunitários
na Venezuela
Local
Guaribe, Palmarejo, San Senastián de los Reyes e outras cidades
Projeto
1999-2000
Obras
2001
Área construída
1.100 a 1.400 m2
Arquitetura
Juan Pedro Posani (Dirección de Edificaciones Culturales del Conac); e
Otip C.A:
José Adolfo Penã; Cármen Yanes; Kleeders Garcia; Karina Caro; Yasmin Duque e Rolexander Diaz
Construção
Otip C.A. e Precast
de Venezuela
Estrutura
José Adolfo Peña
Fotos
Divulgação

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