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Os clientes sabiam muito bem o que
queriam.
Isso trouxe vantagens - e algumas divergências
- para a autora, a arquiteta Hebe Olga de Souza.
Os questionamentos iniciais da arquiteta resultaram
em um meio-termo que contemplou as exigências
do casal com uma residência que se destaca pela
interação entre áreas externas
- marcadas por um amplo jardim - e internas, com grandes
panos de vidro.
A residência localiza-se na Granja Viana,
em
Cotia-SP, local de condomínios fechados de alto
padrão, mas que conservam certo ar rústico.
Essa característica definiu o partido - um
grande pavilhão, com telhado em duas águas
e beirais generosos e protetores. A solução,
definida pela autora como “muito simples”, organiza
eficientemente as diversas áreas da casa, posicionadas
de acordo com a função.
Assim, a sala tem dimensões superlativas
e grandes panos de vidro, praticamente inexistindo barreira
visual com o jardim, conforme solicitação
dos clientes. As demais áreas - social, de serviços
e a parte íntima, com os dormitórios -
seguem uma disposição espacial que procura
preservar a necessária privacidade para cada
uma delas.
Os dormitórios, por exemplo - todos suítes
- situam-se sobre a garagem e são a única
ala assobradada da casa.
O tratamento dado à área de serviços
exemplifica o conceito arquitetônico. Todo o setor,
incluindo o dormitório de empregada, volta-se
para um pátio interno, que fornece luminosidade
natural e privacidade a essa ala. Um ateliê, posicionado
entre os dormitórios e a área de serviços,
tem acesso independente, possibilitando visitas sem
interromper a rotina da casa.
O corpo da casa é todo estruturado em madeira,
projeto do engenheiro e irmão da arquiteta, Hélio
Olga. “Apenas na garagem
decidimos usar o concreto, por causa do vão de
20 metros que precisaria ser vencido e para o qual a
madeira não é recomendada”, explica Hebe.
O espaço recebeu tratamento diferenciado porque
o proprietário coleciona automóveis
e o local - que é usado para reuniões
com outros colecionadores - deveria acomodar pelo menos
oito carros, além dos da família. O conceito
adotado ali foi de um grande pórtico em concreto,
apoiado nas laterais e com apenas um pilar central.
Para a autora, a principal virtude do projeto
é a
sua “personalidade muito forte”, com a possibilidade
de desfrutar do amplo espaço do pátio-jardim
quase de qualquer ponto da casa. Externamente, o pátio
leva a um anexo, que contém uma cozinha auxiliar
e sauna e serve como apoio para reuniões sociais.
Texto resumido a partir de reportagem
de Silvério Rocha
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 264 Fevereiro 2002
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