Marina Grinover e Piratininga Arquitetos
Residência, São Paulo-SP
Casa a quatro mãos
 

Esta casa foi realizada graças à associação de dois escritórios: Marina Grinover Arquitetura e Piratininga Arquitetos Associados. O esforço projetual, incomum no desenho de uma casa, rendeu frutos positivos: em 1999, quando não passava de uma idéia, foi premiada pelo IAB-SP com menção honrosa no 4º Prêmio Jovens Arquitetos. Construída, ela confirma as virtudes percebidas pelo júri .

Apesar de localizada em zona estritamente residencial, a casa situa-se em rua de tráfego intenso. Coisas de São Paulo. Esse fato, aliado à necessidade de segurança, fizeram com que o projeto se fechasse para a rua, voltando-se completamente para o interior do lote.

A maquete premiada pelo juri permitia a relação com a via através de um gradil frontal vazado. Durante a execução, no entanto, o peso da segurança desequilibrou a balança e o resultado, para quem vê a casa a partir da rua, é um compacto muro que oculta inteiramente a residência. Talvez agora não merecesse o prêmio.

A setorização do programa
sugeriu a volumetria adotada. “No primeiro estudo que fizemos, a setorização foi criada pela divisão em dois pavimentos”, diz Sérgio Kipnis, sócio do escritório Piratininga. O cliente, porém, desejava uma casa térrea, o que foi possível com a compra do lote contíguo, por sugestão dos arquitetos.

Assim, a casa foi construída com apenas um pavimento. Ela pode ser definida, do ponto de vista volumétrico, como uma planta em H onde dois blocos de aparência hermética e cobertos por laje impermeabilizada são interligados por um terceiro, que possui fechamento transparente e cobertura inclinada. Os ambientes que exigem privacidade - como serviços e áreas íntimas - foram implantados nos volumes laterais, onde predominam os cheios.

As áreas de convívio
- estar e jantar - ocupam a parte com grande transparência. Os vazios do terreno (com exceção dos recuos laterais) foram transformados em dois grandes pátios, um frontal e outro no fundo do lote.

Na lateral de maior dimensão foi implantada a ala mais comprida do H. O programa ali subdivide esse volume em duas partes. Na parte da frente, junto a rua, ficam a garagem e áreas de serviço (lavanderia, cozinha, dependências de empregados e depósito).

Ao fundo, a partir do ponto em que o volume hermético encontra o volume transparente, está implantado um estar íntimo, a ala do estúdio e dormitórios dos filhos. O bloco transparente é destinado às áreas de estar e jantar. Esse volume - completamente transparente no sentido longitudinal do terreno, permitindo assim o relacionamento visual entre o pátio da frente e o do fundo - é coberto por uma estrutura leve de metal apoiada em pilares de concreto. O terceiro e último bloco, a parte menor do H, é destinado à suíte do casal e à biblioteca.

A beleza do projeto está na relação entre a transparência e a opacidade, no contraste da natureza desses espaços. A cobertura da zona de estar, uma ponte entre os blocos fechados, desafia
a horizontalidade desses volumes. Internamente o espaço, alinhavado com precisão, flui à lá escola paulista, denotando a matriz inspiradora.

Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 264 Fevereiro 2002

 
Dormitórios dos filhos: abertos para o pátio do fundo
 
Volume de vidro é ladeado pelos dois blocos de dormitórios
 
Da rua, um muro esconde a volumetria da casa
 
No pátio do fundo,varanda do estar é elevada do terreno
 
Cobertura: estrutura de metal sobre pilares de concreto
 
Treliça metálica estrutura a cobertura do estar e jantar
 
Eixo de circulação junto ao caixilho interliga
áreas implantadas nos volumes laterais
 
Jantar e estar situam-se sob cobertura inclinada
 
Estar e jantar abrem-se para pátio lateral
 
Laje de concreto protege aberturas do pátio lateral
 
   
O diálogo dos triângulos (1961 - 2001)
 
       
A localização da casa acabou criando uma feliz concidência, permitindo comparar dois projetos, separados por um muro e quarenta anos de existência. Os dois projetos são reveladores das diferenças e semelhanças da arquitetura paulistana, em sua face urbana e doméstica.

A casa desenhada por Kipnis e Marina é vizinha de outra projetada por Carlos Lemos e Eduardo Corona, em 1961. Enquanto na casa antiga a horizontalidade do pavimento térreo é equilibrada por um grande triângulo de concreto, que contém o pavimento superior, a vizinha desafia a horizontalidade com a leveza de um triângulo de metal, que marca a área de estar.

Ficha Técnica
Residência
Local
São Paulo
Projeto
1999
Conclusão da obra
2001
Arquitetura
e construção

Autores:
Piratininga Arquitetos Associados e Marina Grinover Arquitetos- Sérgio Kipnis
e Marina Grinover
Colaboradores:
Joana Elito, Fernanda Carvalho, Márcia Crespo, Simone Castro e Irene Pereira
Estrutura
França e Associados
Fundações
Cepolina
Elétrica e Hidráulica
MA2
Fotos
Carlos Kipnis

 

Fornecedores
Granitorre (granilite); Scora (impermeabilizações); Deca (louças e metais); Pedras Amazonas (pedras); Madeireira Pau Pau (pisos e forros de madeira); Canaã (empreiteira de mão-de-obra); Reka (luminárias); Panisol (telhas metálicas); Vidrotil (pastilhas de vidro); Quadrilumini (caixilhos de alumínio); Móveis Imperial (madeira); Zenita (domus)

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