|
O arquiteto Carlos André
Palatnic venceu belgas e holandeses no concurso
que escolheu o projeto da Escola Guido Gezelle, em Bruges,
na Bélgica. Residente na Bélgica há
mais de dez anos, Palatnic, buscou atender ao programa
complexo utilizando na arquitetura conceitos do pedagogo
Rudolph Steiner, seguidos pela escola, os quais
preconizam o uso da luz solar, o estímulo ao
movimento, à criatividade e à socialização.
Implantada em três blocos autônomos,
a escola foi desenvolvida para potencializar, com a
posição no conjunto e o desenho das classes,
as fases específicas da evolução
da criança, explica Palatnic.
A concepção de cada espaço
também procura atender às faixas etárias.
Assim, o jardim de infância tem cinco salas
de aulas no térreo, todas octogonais e bastante
protegidas em relação ao exterior, com
ângulos que “favorecem a criação
de ambientes estimulantes à fantasia”.
Com orientação leste, mais favorável,
elas ocupam a posição central do terreno,
“protegida entre as escolas primária e secundária”.
Cada classe tem cozinha e sanitário, com piso
em madeira.
As transformações psicofísicas
ocorridas ao longo
das séries da escola primária são
traduzidas espacialmente em classes que vão,
sutilmente, perdendo seus ângulos até tornar-se,
na última fase, um retângulo perfeito,
antecipação da próxima etapa.
A escola primária tem ainda salas de apoio
pedagógico, de professores, sanitários
e sala polivalente (para espetáculos de teatro,
dança etc.). O hall de entrada desse bloco tem
pé-direito duplo, aberto para o primeiro andar,
que conta com iluminação zenital. As primeiras
cinco séries ficam no pavimento superior e a
última, no térreo, sinaliza a mudança
para o bloco frontal que abriga a escola secundária.
As classes na escola secundária são
retangulares e têm acabamento sóbrio. A
escola conta ainda com laboratório, salas de
música (ligada ao teatro) e de artes plásticas,
duas oficinas polivalentes e sala de professores, conectada
à praça central. O térreo e o mezanino
são ligados pela circulação, com
átrio central e farta iluminação
natural.
O terceiro bloco é formado pelo teatro
(com capacidade para 300 pessoas e um lobby-bar), oficinas
(no subsolo) e administração, que
ocupa um antigo palacete, recuperado, na entrada principal
do complexo.
Para dar unidade arquitetônica ao conjunto,
o autor usou os mesmos materiais e elementos em todas
as fachadas. O tijolo vermelho aparente demarca os volumes
principais. O zinco diferencia os locais de atividade
social: sala polivalente do primário e teatro.
Os grandes beirais de madeira funcionam como
elementos de ligação arquitetônica
dos volumes e foram dimensionados para permitir o máximo
aproveitamento do sol (baixo) do inverno e, ao mesmo
tempo, proteger do sol (alto) do verão.
Texto resumido a partir de reportagem
de Silvério Rocha
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 265 Março 2002
|