Brasil Arquitetura
Centro cultural KKKK, Registro-SP
Registro da memória
 

 
 
 
 
 
 
 
 
Plantas
 
Ficha técnica
Fornecedores
   
História
Impressões
 

Três impressões
de um projeto atípico

(Por Fernando Serapião)

Poucos elementos marcam a paisagem urbana de Registro.
Um deles
é a recém-concluída intervenção nos edifícios do KKKK, um projeto atípico nos aspectos arquitetônico, urba
nístico -ambiental e social. Uma marquise, alguns volumes autônomos no interior
das construções, e um

edifício novo - uma caixa branca destinada ao teatro. Essa simplicidade, de grande força e qualidade, é fruto da convivência dos autores (Ferraz, sobretudo) com Lina Bo Bardi. As propostas de intervenções de Lina - o Solar do Unhão (1959) e a Casa do Benin (1987), ambos em Salvador, ou o paulistano Sesc Pompéia (1977), por exemplo - são referências no Brasil.

A influência de Lina no projeto de Registro evidencia-se também nos detalhes: revestimento interno de chapisco e caiação branca, como no solar baiano, por exemplo. As semelhanças com
o Sesc Pompéia (também revitalização de uma construção fabril de estilo inglês, em cujo desenho Ferraz colaborou, juntamente com André Vainer) estão nos caixilhos novos, na treliça que unifica os galpões, na lareira da área de convivência ou mesmo nos blocos autônomos e passarelas de concreto no bloco das salas de aula. O interior do teatro, por sua vez, é um “primo próximo” do auditório do Masp (1957).

Também incomum é o relacionamento que o projeto cria entre a população e o rio. Desde o alto da colina, o KKKK foi alinhavado à cidade. Ali está a praça dos Expedicionários, cuja revitalização também foi orquestrada pela dupla de arquitetos com linguagem assemelhada: duas lajes apoiadas por pilares de seção redonda. No eixo da praça está o início da rua D. Pedro II, cuja outra extremidade é a escadaria que leva ao conjunto beira-rio. Um muro de concreto de dois metros, para conter as cheias do rio, tem seu efeito negativo amenizado por taludes de grama. Depois do talude, ficará um grande parque ribeirinho.

O mais importante e atípico aspecto é a participação dos arquitetos na idealização do programa e até na coordenação
das doações de obras de artistas plásticos nipo-brasileiros
que compõem o acervo. Talvez essa atitude (e persistência) represente o melhor legado que Lina deixou para seus “herdeiros”.
 



veja também
  Carlos Alberto D´Andréa Ribeiro e Décio Luiz Cardoso - Prefeitura, São Miguel do Iguaçu-PR
  Ivanir Reis Neves Abreu e Luiz Felipe Teixeira Pinto - Anexo de convento, São Paulo-SP
  Carlos André Palatnic - Escola, Bruges, Bélgica
  Stefan Camenzind e Michael Gräfensteiner - Loja de pneus-galeria de arte, Zurique, Suíça
  Fernando Popp, Dóris Teixeira e Gerson Smal Staehler - Arquivo histórico, Curitiba-PR
  Humberta Farias - Laboratório médico, Maceió-AL
 
patrocínio   informe publicitário
     
Índice Notícias Agenda Fórum Envie por e-mail