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Dez anos separam o projeto da conclusão,
em 2000, da nova sede da prefeitura de São Miguel
de Iguaçu-PR. Mesmo decorrido esse tempo, o trabalho
de Carlos Alberto D’Andréa Ribeiro e Décio
Luiz Cardoso mantém seu vigor expressivo.
Linhas curvas, suaves, quase naturais, dão
forma à edificação, que, junto
com o prédio da antiga prefeitura e a futura
Câmara Municipal, completará
a praça cívica da cidade.
“Nossa incumbência era criar uma obra que
tivesse, na modernidade de suas linhas, uma clara visão
do futuro”, explica Ribeiro. Essa proposta deveria transferir-se
para o projeto, de forma que expressasse também
a história local, desde a ocupação
do território até o presente. A edificação
ocupa uma quadra, na área central da cidade,
onde já funcionava a prefeitura - numa construção
que, preservada, tem agora outra finalidade.
Com a opção pelo vidro incolor,
diz Ribeiro, estabelece-se a transparência interior/exterior,
permitindo que as fachadas reflitam a cidade.
O arquiteto explica também que as proporções,
a ocupação do terreno, as formas, as fachadas
e os materiais especificados tinham como intenção
conferir à obra de caráter público
uma imagem vigorosa, com o devido destaque. A população
deveria identificar com facilidade tanto o edifício
como as finalidades nele propostas.
O prédio acomoda em seus dois pavimentos
e subsolo diversas secretarias municipais e outras repartições,
além do gabinete do prefeito, localizado no piso
superior. No térreo, uma das extremidades laterais
foi reservada para um auditório, que conta com
palco, apoio de palco e vestiário/camarim.
Bem distribuídos, os espaços internos
possibilitam circulação adequada e clara
distinção entre os que são reservados
ao uso funcional e os de acesso do público.
O fato de o projeto trabalhar com fachadas de vidro
incolor acentua a luminosidade interna.
A preocupação de integrar o edifício
com a praça no interior da quadra mostra-se evidente.
Uma extensa passarela coberta, que faz a interface
do interior do edifício com a praça, conduz
a uma escada que a liga com o plano mais baixo da rua
transversal onde se situam os departamentos que trabalham
mais diretamente com o público. Recuados em relação
à via, chega-se a eles por uma calçada
que circunda um espelho d’água.
Essa rua foi integrada ao projeto como exclusivamente
de pedestres, tendo recebido equipamentos e mobiliário
específicos. “O edifício foi projetado
para estar sempre atualizado, digno da cidade que representa,
bonito, refletindo a intensa luminosidade daquela região”,
avalia Ribeiro.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 265 Março 2002
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