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Engenheiro e construtor, Antonio
Gerassi admitiu o acerto da proposta de Paulo Mendes
da Rocha para sua casa quando trabalhava nas obras de
uma rodovia, em Rio Claro, interior de São Paulo.
Chovia e Antonio abrigou-se sob as estruturas de uma
ponte em construção. Os minutos de chuva,
a observação das vigas e pilares da ponte
bastaram para provar a adequação dos pré-fabricados
à casa rápida que ele necessitava.
Era o ano de 1989, final do governo Sarney, inflação
alta e todas as incertezas sobre o futuro da economia
brasileira. Antonio Gerassi acabava de vender uma casa
e precisava aplicar o dinheiro rapidamente em outro
imóvel. Adquiriu um terreno no bairro do Alto
de Pinheiros, em São Paulo e foi buscar um arquiteto
para desenvolver o projeto. Escolheu Paulo Mendes, que
a princípio não se interessou pela proposta,
pois... "eu não gosto de fazer casas porque,
seriamente, em São Paulo é uma bobagem fazer
uma casa isolada", comenta o arquiteto em seu depoimento.
Quando finalmente arquiteto e engenheiro se encontraram,
surgiu a idéia de uma construção
com aqueles pré-fabricados pesados, normalmente
usados em obras industriais. A proposta ganhou concretude
com o ingresso de Carlos Tauil, também arquiteto,
que na época trabalhava na Reago, uma empresa
de pré-fabricação com concreto.
Depois de alguns desenhos e várias discussões
com a família Gerassi, o projeto ficou pronto.
Gerassi, que foi o responsável
pela construção, resume suas impressões
sobre o processo:
"Foi uma obra muito rápida. Depois de feitos
os blocos de fundações, bastaram quatro
dias de montagem e a casa estava pronta... É
preciso saber tirar partido estético do pré-fabricado,
desfrutar dos grandes vãos e trabalhar com um
profissional que tenha sensibilidade."
O sucesso da casa se deu pelo casamento entre o
cliente e o arquiteto. "Foi uma experiência didática
para a família... todos participaram, inclusive
as crianças. Quando o Paulo projetou a piscina e nós
fomos discutir a cor dos azulejos, ele disse:
- Azulejos não, a piscina vai ser revestida com
os mesmos ladrilhos hidráulicos que fazem o piso
da casa, vai ser uma lagoa de concreto".
Morar lá é uma delícia.
É uma casa aberta, sem muros, transparente, arejada
e essa abertura nos dá segurança, pois
permite controlar visualmente quem se aproxima. Ela
tem dez anos e nunca precisou de qualquer manutenção,
apenas algumas lavagens periódicas. E em1999,
quando as minhas filhas já estavam crescidas,
o Paulo projetou um pequeno estúdio para elas.
E ficou um lugar muito agradável."
Texto: Marcos de Sousa
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