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A intervenção da
arquiteta Érica Yoshioka transformou um antigo
casarão de dois pavimentos em sede da Associação
Cultural Cachuera!, centro destinado à pesquisa
e à difusão das manifestações
artísticas brasileiras. Versátil, o conjunto
inclui área de espetáculos, auditório,
estúdio com ilha de edição e acervo
multimídia com mais de 3 mil livros, 15 mil fotografias,
videoteca e discoteca étnica.
Da construção original, o antigo
casarão situado no bairro de Perdizes, zona oeste
de São Paulo, conserva somente as paredes perimetrais
- solução encontrada pela arquiteta Érica
Yoshioka para aproveitar a legislação
que anistiou o imóvel sem áreas livres
laterais e com apenas 4 m de recuo frontal. Ao mesmo
tempo, havia a necessidade de reforçar a estrutura,
para acrescentar mais um pavimento ao conjunto.
Essas condições explicam a opção
da arquiteta por refazer a estrutura, perfurando
a antiga de lado a lado. O passo seguinte foi a demolição,
de cima para baixo, dos planos de alvenaria que não
coincidiriam com o novo programa. Pela falta de espaço,
Érica decidiu-se pela estrutura metálica,
que, ao permanecer à vista, acentua a plasticidade
do projeto. “O canteiro funcionou como oficina de montagem”,
ela afirma.
O ponto alto do trabalho é a arena, que
ocupa o antigo quintal de terra com vista panorâmica.
“A idéia inicial era manter a área como
um terreiro, para recriar o clima de festas populares,
mas isso não foi possível porque o barulho
incomodaria a vizinhança”, relata Érica.
A solução foi criar um espaço de
pé-direito triplo, fechado com grandes panos
de vidro na parte de cima, a fim de preservar o
contato com o exterior. Com múltiplo uso, esse
ambiente tem palco removível, o que o capacita
a receber espetáculos de dança, música,
performances e exposições.
Uma passarela com guarda-corpo de tela perfurada
funciona como galeria, para ampliar a capacidade de
público. A mesma tela fecha a escada metálica
que conduz ao setores documental e administrativo e,
na seqüência, ao auditório, no último
pavimento.
Entre os cuidados acústicos (leia
mais), estão a laje de piso do auditório,
do tipo pré-moldada sobre junta carboelástica,
e os tijolos de revestimento das empenas da arena. Assentados
no formato espinha-de-peixe, com diferentes relevos
e combinados a tijolos furados, eles criam condições
acústicas ideais para a voz humana e instrumentos
naturais acústicos, em especial os percussivos,
explica o arquiteto Adalberto Baggio, especialista em
conforto ambiental.
No segundo pavimento ficam a recepção,
os centros de documentação e os escritórios.
“Como havia limitação de área,
as salas pequenas deixam mais espaço para as
atividades culturais”, detalha Paulo Dias, fundador
da associação.
O terceiro piso é ocupado pelo deque com
vista para o pico do Jaraguá e pelo auditório,
com palco e cadeiras removíveis. Esse espaço
pode acolher desde palestras até apresentações
de piano, instrumentos clássicos de corda, sapateado
e canto.
Segundo Baggio, essa diversidade é proporcionada
pela combinação bem dosada de revestimentos
refletores e absorventes.
Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 266 Abril 2002
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