|
“Todas as coisas
de que falo estão na cidade entre o céu
e a terra.”
Ferreira Gullar
Escolhido em concurso
aberto, organizado pelo
IAB-SP, O projeto para o Teatro Laboratório
e para os edifícios das Faculdades de Artes
Cênicas e Artes Corporais no campus da Unicamp,
em Campinas, tem como objetivo integrá-los às
escolas de Música e Artes Plásticas. A
proposta do projeto é conferir unidade ao
Instituto de Artes.
A implantação define um eixo de ligação
entre os diversos edifícios, um passeio. O Teatro
Laboratório ocupa uma posição central
no conjunto. Nesse ponto, o passeio ganha a proporção
de uma praça, remetendo à escala urbana.
É a idéia de cidade dentro do campus,
como condição para a extensão das
atividades das escolas no espaço aberto.
O acesso principal passa a ser a rua Bertrand
Russel, marcado pelo edifício laminar
que concentra as escolas de Artes Cênicas e Corporais.
O estacionamento nasce a partir do alargamento desta
via, o que evita a concentração de automóveis
nas ruas estreitas laterais. Sob a lâmina, uma
ampla varanda marca o início do eixo que liga
os edifícios do Instituto de Artes e as entradas
independentes das escolas de Artes Cênicas e Corporais.
As escolas desenvolvem-se perpendicularmente,
de forma a envolver a praça do teatro. As salas
que exigem maior altura estão agrupadas no nível
superior da lâmina, uma construção
de estrutura metálica com 10m de altura interna.
Estas salas, cada uma pensada como um galpão,
possuem uma pequena abertura na face norte, descortinando
uma vista para o lago. A abertura em forma de shed
na face sul permite luz difusa e ventilação
cruzada para todas as salas. Um passadiço técnico
facilita o manuseio de cenários e iluminação
cênica.
A circulação das salas é uma
galeria envidraçada que funciona como espaço
de repouso para alunos e professores. Uma ponte coberta
comunica esta galeria com o mezanino do edifício
do teatro, onde estão as duas maiores salas
das escolas, que podem dar acesso ao público:
a sala para grandes grupos de dança e o laboratório
de técnicas circences. Essas salas possuem ainda
acesso direto pelo estacionamento existente, permitindo
entrada de material no mesmo nível. O edifício
do Teatro Laboratório foi projetado como
uma escola: um edifício de acesso franco, onde
o nível do palco corresponde ao nível
da praça.
O salão de espera possui iluminação
zenital,
luz que atinge o nível inferior onde estão
dispostas as oficinas. Uma escada metálica
cruza este salão
e sua forma indica um percurso contínuo que se
estende ao edifício das escolas.
O público pode ter acesso ao teatro tanto
pelo térreo como pelo mezanino, sempre pelas
laterais da sala. O sistema de circulação
permite a entrada e a saída de cena por qualquer
lado e em qualquer nível da sala. O acesso para
serviços e cenários é feito através
da rua Carlos Gomes.
Uma viela, que acompanha os laboratórios
do teatro e a circulação da escola de
Artes Corporais liga o centro do conjunto ao Instituto
de Estudos da Linguagem na quadra seguinte.
A viela funciona como passagem e a praça
como local de convívio. São espaços
externos, pensados como extensão do teatro, cenários
das atividades diversas de dança, música,
artes plásticas, cênicas e corporais.
A tipologia da sala do teatro
adotada neste projeto é a de uso múltiplo.
Esta opção se deu em função
das características de uso do equipamento e do
próprio conceito de ‘teatro experimental’.
A alteração da topografia da cena e do
formato da platéia ampliam o alcance do edifício
teatral para além de uma ‘sala de espetáculos’
e aponta uma via exploratória de todas as possibilidades
formais do teatro: aprender com a tradição
do teatro grego, pesquisar a história do teatro
elizabetano ou desvendar as vanguardas contemporâneas
do teatro total.
|