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A plasticidade do tijolo e da madeira
foram exploradas para moldar o Haras Buona Fortuna,
em Cotia, município da Grande São Paulo.
O conjunto está sendo construído por
etapas e deve abrigar importantes competições
nacionais e internacionais.
Ecléticas, as construções
lembram edificações fabris misturadas
ao estilo rural predominante na região da Toscana,
na Itália. O Haras Buona Fortuna ocupa área
superior a 50 mil m2 e deverá estar totalmente
concluído em meados de 2004, quando entrarão
em funcionamento todos os espaços previstos no
projeto inicial.
Por ora, foi finalizada apenas a primeira das três
etapas de obras, que compreende a maior parte das
instalações hípicas, como baias,
dois picadeiros descobertos e clínica veterinária,
além de espaços administrativos, cozinha
e refeitório para funcionários, banheiros
e depósitos de alfafa e ração.
A implantação do conjunto foi norteada
pela insolação e pela curva de nível
do lote. “Os cavalos precisam de sol e baias frescas”,
explica o arquiteto Márcio Ferraz, também
responsável pelo gerenciamento da obra.
As origens italianas do proprietário influenciaram
as linhas gerais do haras, que lembra construções
rurais da região da Toscana, no sul da Itália.
Ao mesmo tempo, o estilo fabril inglês se faz
notar nas paredes que delimitam as baias, separando-as
da praça.
A presença da madeira e do tijolo aparente
é outra marca evidente. “Trabalhamos com o artesanal.
A madeira é a itaúba bruta, de alta resistência,
tratada apenas com óleo de linhaça e verniz.
Os tijolos, cerca de 400 mil unidades de formato
grande, feitos sob medida, foram usados para
dar conforto térmico aos ambientes”, afirma.
Não houve projeto detalhado. Segundo Ferraz,
foi elaborado apenas um projeto básico, e o detalhamento
definiu-se no canteiro, no decorrer da construção.
“Isso nos deu tempo para garimpar elementos como as
lajotas de barro, que vieram do terreiro de café
de uma fazenda em Bragança Paulista, e até
mesmo as grandes árvores frutíferas que
compõem o paisagismo, transplantadas de outros
locais”, exemplifica.
O principal cuidado construtivo foi reservado às
baias dos cavalos, animais que danificam com facilidade
pisos, madeiras e até mesmo as paredes.
Para evitar esse problema, o chão e os cochos
são de concreto armado; as portas de ipê
têm encabeçamento metálico para
desencorajar as mordidas; argamassa de traço
forte de cimento e areia protege as paredes de tijolos
contra coices e arranhões. Aberturas com grades
separam as baias internamente para que os cavalos mantenham
contato visual. Um sistema de esgoto exclusivo
para os animais completa as instalações.
A segunda parte das obras, a ser entregue até
o final deste ano, inclui hotel com 30 apartamentos,
quadra de tênis, belvederes para o público
acompanhar as competições, cabine para
jurados e picadeiro coberto. A última etapa prevê
construção de dois restaurantes, piscina
e a ampliação do hotel. “As equipes de
competição poderão se hospedar
no próprio haras”, diz o arquiteto.
Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 268 Junho 2002
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