Marília Sant’Anna de Almeida e José Magalhães Júnior
Teatro Municipal, São Sebastião-SP
   
 
  O teatro ocupa lote criado a partir da construção de um píer, na década de 1950
       
 
Para ouvir as sereias
 

A estrutura mista de aço e concreto dá formas ao Teatro Municipal de São Sebastião, cidade do litoral norte de São Paulo, projetado pelos arquitetos Marília Sant’Anna de Almeida e José Magalhães Júnior. Vedado por tijolos maciços, o edifício ocupa lote de esquina à beira-mar, surgido como conseqüência da implantação de um píer.

A construção de um quebra-mar nos anos 1950 fez surgir uma grande área na orla de São Sebastião. Parte do espaço foi aproveitada na década seguinte para a implantação de um centro recreativo - que entrou em decadência nos anos 1980. Em 1991, a prefeitura decidiu dar outro destino ao terreno e construir ali seu teatro. No mesmo ano, os arquitetos foram convidados a desenvolver o projeto do novo prédio, que hoje se destaca no entorno por sua fachada angulosa. Eles propuseram um edifício de perfil contemporâneo, com estrutura mista de aço e concreto. Os materiais escolhidos para a vedação foram o tijolo aparente e o vidro, que proporcionam, respectivamente, conforto termoacústico e integração com a paisagem.

Para proteger o interior de interferências externas, os arquitetos desenharam o polígono que dá forma ao edifício e idealizaram a sala de espetáculos como uma célula circular, quase centralizada. Esse ambiente é delimitado por paredes duplas de tijolo maciço entremeadas por uma camada (8 cm) de lã
de vidro. O corredor que surgiu no entorno funciona como foyer e dá acesso ao bar, posicionado na lateral direita do térreo, com vista para o jardim e a praia. Inicialmente planejado como salão para bailes ou espetáculos em geral, o auditório deveria ter cadeiras removíveis. No entanto, o ritmo lento das obras (que atravessaram quatro mandatos na prefeitura) resultou na revisão e aprimoramento do projeto, que evoluiu para uma sala de múltiplo uso, com poltronas fixas, destinada a audições de música acústica e apresentação de peças teatrais.

As características acústicas da sala asseguram tempo de reverberação de 0,8 segundo tanto no palco como na platéia, resultado alcançado a partir da composição de revestimentos internos. “O projeto de acústica nos forneceu os dados técnicos, como a área necessária de tijolos aparentes, madeira e lã de vidro”, diz Marília. Para a platéia, foi especificado piso de borracha e, para o palco, assoalho de madeira freijó. Nos demais espaços foi aplicado piso de granilite com desenho da própria arquiteta.

O lençol freático alto determinou que o térreo ficasse 3 m acima do nível das ruas. Com isso, foi possível criar um pavimento inferior para instalações de apoio, como camarins e oficinas de figurinos e de cenários. O acesso principal se dá pela escadaria de frente para o mar; a rampa para deficientes ocupa a face externa da lateral do bar.

O balcão no mezanino do teatro aumenta a capacidade total da platéia para 500 lugares.
O edifício conta ainda com três salas de exposições que receberam cobertura com telhas metálicas protegidas acusticamente e mais um andar que funciona como piso técnico. O concreto foi empregado no embasamento, nas colunas e nas vigas do edifício. Uma estrutura metálica espacial aparece em evidência sob a laje maciça que faz a cobertura do palco e da platéia, dando plasticidade ao espaço recortado pela passarela da iluminação cênica.

Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 268 Junho 2002

 
A "caixa" de concreto, aço e tijolo aparente
envolve palco e platéia, em formato circular
 
 
Fachada em dois ângulos: escadariae rampa para deficientes
 
Cobertura metálica espacial sob laje maciça e isolamento acústico lateral evitam a entrada e a saída de sons
 
Madeira em diferentes texturas e profundidades
e tijolos aparentes determinam as condições acústicas
   
     
A paisagem determinou o uso de transparências na área do foyer.
Paredes duplas com preenchimento de lã de vidro isolam a platéia do ruído externo

Ficha Técnica
Teatro municipal
Local
São Sebastião-SP
Projeto
1991
Conclusão da obra 2002
Terreno
1097 m2
Área construída
1650 m2
Arquitetura
Marília Sant’Anna
de Almeida e José Magalhães Júnior
Interiores
Marília Sant’Anna
de Almeida
Luminotécnica
Marília Sant’Anna
de Almeida
e Procion Engenharia
Acústica
Milton Granado
Paisagismo
Prefeitura
de São Sebastião
Estrutura
de concreto
J. R. Ferrari Engenheiros Associados
Estrutura metálica Avantec
Instalações
Procion Engenharia
Ar condicionado Willem
Scheepmaker
Construção
Épura
Fotos
Nelson Kon

 

Fornecedores
Avantec (estrutura metálica); Quadrante (ar-condicionado); DJ (esquadrias de alumínio); Pisogran (pisos de alta resistência); Inter Eight (piso de borracha); R. Boselli (sistema de som); Montalto (luminárias); Dorma (fechaduras antipânico); Oriente (metais sanitários); Dekore (cortinas e poltronas)

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