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José Luiz Tabith,
Carlos Eduardo Bianchini, Fausto Torneri e Irineu Idoeta
Paço Municipal, Suzano-SP |
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Câmara Municipal:
projetada depois de mais de uma década, quando as obras
foram retomadas |
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No projeto, a estrutura constitui
a arquitetura |
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Proposta elaborada na década
de 1980: semelhança
com o traçado da escola moderna paulista |
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A parte mais vísivel do novo
Paço Municipal é um volume de concreto,
no qual a estrutura constitui a arquitetura. A proposta
reflete a convicção do uso do espaço
público como estratégia para o redesenho
da cidade, segundo os arquitetos que, em 1984, fizeram
o projeto do centro cívico de Suzano.
O município fica próximo da capital de
São Paulo e o prefeito da época pretendia
que seu complexo administrativo fosse um modelo para
as cidades vizinhas.
Grandioso, o conjunto teria, além do paço
municipal, praça cívica, câmara
de vereadores, teatro, teatro de arena e casa de cultura.
A qualidade do projeto foi reconhecida pelo IAB-SP,
que o premiou em 1987.
Iniciada em 1986 pela construção
do paço, a obra seria interrompida no
ano seguinte, quando estava concluída a estrutura
da edificação.
Os trabalhos seriam retomados apenas em 1998,
mas com dimensão mais modesta - o paço
teve mantida sua configuração inicial,
mas a câmara de vereadores foi edificada na parcela
do lote antes destinada à casa de cultura.
Apesar de diversos percalços, o desenho,
com traços que o identificam com a escola moderna
paulista, mostra-se ainda vigoroso e atual -
um exemplo daquilo que a arquitetura brasileira revelou
de mais criativo e original.
O conjunto abriga no bloco principal a administração
da cidade, cujas atividades se distribuem pelos dois
pavimentos superiores.
Em outro volume, com acesso independente e em cota
mais baixa, está a Câmara Municipal,
cujo projeto foi elaborado em 1998 somente por Tabith
e Bianchini.
Apesar do intervalo de tempo - a estrutura do paço
foi concluída em 1987 e o edifício do
Legislativo começou a ser executado em 1998 -,
a coesão revela-se pela idéia de
que o espaço público deve ser amplamente
acessível à população.
Tabith conceitua a proposta como um esforço
para constituir um grande vazio urbano qualificado,
dentro da tese de que o edifício público
pode ser usado como estratégia para o redesenho
da cidade.
“Não é apenas mais um prédio no
local.
Em vez de um palácio, fizemos uma praça”,
afirma. Essa teoria expressa-se na permeabilidade do
conjunto - o vazio perpassa a edificação
no sentido longitudinal, estruturando-se o pavimento
de acesso (do paço) como uma praça
interna, que é a extensão das áreas
frontais.
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Paço (à direita)
e Câmara Municipal:
projeto embute conceito de redesenho urbano |
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No volume maior, os dois
pavimentos superiores
são ocupados por escritórios da administração
municipal |
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Permeabilidade de ponta a ponta:
a praça interna é extensão das áreas
frontais |
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A frontalidade,
no caso, é quase uma figura de linguagem, pois
o acesso pode ser feito pelas quatro faces do complexo.
No volume do paço,
todo em concreto aparente, os espaços de trabalho,
protegidos por brises, ocupam a área periférica.
Os pavimentos superiores mais largos criam no térreo
uma marquise que acompanha as duas laterais. É
necessário também ressaltar a flexibilidade
da edificação, que, com pequenos rearranjos,
poderia abrigar, por exemplo, uma escola ou outra repartição
pública. Internamente, a circulação
vertical é feita por escadas esculturais de concreto.
A Câmara Municipal também adota o
concreto e a mesma linguagem conceitual. O acesso, marcado
por um pórtico, dá-se por rua lateral, disposta
em cota inferior - seu pavimento térreo, portanto,
corresponde ao subsolo do paço. Blocos de vidro
numa das laterais deixam passar a luz natural para o interior
do plenário.
Nas duas edificações, a cobertura em
policarbonato sobre estruturas metálicas é
utilizada como face suplementar para a expressão
da arquitetura.
Texto resumido a partir
de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 268 Junho 2002 |
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Fornecedores
CCR (recuperação do concreto); Fishet-Abacs
(estrutura metálica); Lumibox (caixilhos)
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