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O centro comercial e de serviços
projetado pelos arquitetos Luciano Margotto,
Marcelo Ursini e Sérgio Salles,
do escritório Núcleo de Arquitetura,
no bairro paulistano de Higienópolis, ocupa duas
esquinas em frente ao edifício da Faap- Fundação
Armando Álvares Penteado.
O fluxo de estudantes, professores e visitantes dessa
instituição gera demanda por estacionamento
de veículos e espaços comerciais em meio
à vizinhança residencial.
O conjunto é composto por três construções
e três subsolos. Mais encorpado, o primeiro volume
situa-se junto à esquina de cota mais elevada,
a qual ajuda a redesenhar. Nele estão implantados,
além de sanitários comuns, quatro dos
cinco espaços destinados a locação:
duas lojas e duas sobrelojas.
Neste bloco - que possui interessante relação
com
a viela lateral, pois aumenta a estreita calçada
existente -, um vão possibilita a circulação
de pedestres no sentido transversal, criando um eixo
até a segunda construção.
Esta, um pavilhão encostado na divisa do terreno,
abriga o quinto espaço para locação
e as áreas complementares do posto de abastecimento
de veículos (troca de óleo, lavagem e
administração).
A entrada de carros para o estacionamento
subterrâneo situa-se entre os dois volumes principais.
Os arquitetos desenharam, para a área
de abastecimento de combustível, uma cobertura
não executada, que foi trocada pelo projeto-padrão
da rede a que pertence o estabelecimento.
Uma das características do conjunto é
a maneira como estabelece o convívio entre
pessoas e veículos - a junção
dos diferentes usos poderia gerar conflitos de circulação.
O pedestre, como deveria ser usual nas cidades,
tem prioridade. Os autores conceberam um espaço
semipúblico, com equipamentos e elementos (calçada,
bancos e marquises, por exemplo) típicos do desenho
urbano. “Procuramos levar a cidade para dentro do projeto“,
explica Salles.
Para a conexão com o entorno, os autores
fizeram cuidadosa leitura do local, em gabaritos, eixos
de circulação e até sutis citações.
É o caso da relação entre as colunas
da fachada do centro comercial e as do edifício
da Faap - delgadas embaixo e grossas em cima, características
da obra de Auguste Perret, arquiteto francês precursor
no uso do concreto armado e consultor do projeto do
edifício da Faap.
O projeto é uma demonstração
da coerência na trajetória desses profissionais,
com soluções que recordam suas origens.
O banco, por exemplo, lembra a FAU-USP, de Vilanova
Artigas.
Recém-formados, em 1991, eles afirmaram à
revista PROJETO, em reportagem publicada na edição
143:
“A análise do contexto, entendido como a percepção
das potencialidades do sítio e do entorno, reflete
nossa preocupação com o desenho urbano.
Tentar refletir uma preocupação com o
homem e o lugar, sua escala e seu cotidiano, através
do desenho de espaços que recuperem a cidadania”.
A generosidade da relação entre pedestres
e veículos qualifica o projeto. Detalhes, como
os brises de madeira, estão em segundo plano.
“É preciso fazer cantar os pontos de apoios“,
pontificou Perret, em frase que Artigas gostava de repetir.
Mas é necessário e urgente ser generoso
com a cidade.
Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 268 Junho 2002
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