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Inaugurado no início de
2002, o conjunto Central Towers Paulista reúne
edificações de uso misto numa área
lindeira à av. 23 de Maio, no centro de São
Paulo. O terreno íngreme em que foi construído
exigiu a implantação em dois blocos, com
resultado que surpreende pela harmonia e integração.
A idéia do projeto foi criar, sob o conceito
de uso misto, um conjunto destinado ao segmento médico,
que reunisse flats, consultórios, hospital-dia,
restaurante e centro de convenções.
Da rua para a avenida, a diferença de cotas
é de cerca de 14 m, e a encosta precisou receber
muro de contenção. O grande desnível
fez com que um dos blocos ficasse apoiado sobre uma
base, enquanto o outro desce até quase a 23 de
Maio, o que deixou os subsolos aflorados em uma das
faces.
O terreno apresentava ainda outro problema: um velho
edifício, que ocupa parte do lado voltado
para a rua. Para melhor aproveitar as vistas para
a via, os arquitetos evitaram colocar um prédio
diante de outro. O programa foi dividido em dois blocos
próximos (um deles recuado), voltados para a
avenida e unidos pelo corpo central, que se abre para
a rua. O volume mais alto, destinado aos flats, tem
no topo um heliponto.
O bloco menor foi ocupado pelo hospital-dia e
pelos consultórios. No corpo central ficaram
os setores para convenções, o restaurante
e serviços. Para valorizar o conjunto, foi criada
imponente praça de acesso na fachada principal,
voltada para a rua Maestro Cardim. Devido à proximidade
do antigo edifício, esse bloco teve seu núcleo
de circulação voltado para a rua e
as aberturas, para a avenida.
A torre de circulação vertical dos flats
volta-se para a via expressa. Esses volumes de escadas
e elevadores cortam os dois blocos verticalmente,
em lados opostos, e criam pequena diferença nas
fachadas devido à colocação de
vidros, que, nesses locais, aparecem mais internos.
Nas fachadas, as grelhas" dialogam":
no bloco mais baixo elas ficam contidas numa moldura
e no mais alto ultrapassam a construção
para formar um plano vazado.
Cores contrastantes diferenciam o padrão
da grelha (em geral apresentada como elemento uniforme
e simétrico), dos elementos mais leves. Segundo
Roberto Aflalo, a volumetria do conjunto observou proporção,
número de unidades por andar, recuos, recursos
de iluminação e de ventilação
naturais etc.
A proximidade da avenida, com fluxo de veículos
e nível de ruído indesejável
para ambientes hospitalares, exigiu proteção
especial, por meio de um tipo de caixilharia
associado ao vidro, que proporcionou estanqueidade acústica
aos espaços.
À noite, uma iluminação
especial transforma a fisionomia das fachadas, por meio
de um jogo de sombras, e torna o conjunto uma referência
naquele trecho inicial da av. 23 de Maio.
Texto resumido a partir de reportagem
de Éride Moura
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 271 Setembro 2002
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