Piratininga Arquitetos Associados
Edifício institucional, São Paulo-SP
       
   
 

Localizado no centro velho de São Paulo,
o edifício eclético foi construído na década de 1940

  Recorte na fachada lateral:
para a iluminação natural do átrio
       
 
Um espaço reciclado
 

O edifício dos anos 1940 foi adquirido pela Associação dos Advogados de São Paulo para assegurar melhores condições de realização dos cursos diários e para o atendimento aos quase 68 mil associados.

Realizada pelo escritório Piratininga Arquitetos Associados, a revitalização contou com os benefícios da Operação Urbana - Centro, o que permitiu o acréscimo de dois pavimentos para acomodar as áreas técnicas.

Como não há registros sobre a edificação, foi impossível descobrir o que pertencia ao projeto original e o que era resultado de sucessivas reformas.

“Os banheiros e o ar-condicionado tinham distribuição quase aleatória. Encontramos diversas escadas, mas só uma contínua”, conta o arquiteto Sérgio Kipnis, do escritório Piratininga.

 
Com pé-direito duplo, a ampla área da
entrada serve de foyer ao auditório, projetado para palestras
   
  A construção do mezanino foi permitiu abrir 400
lugares no auditório. O complemento estrutural é metálico
  Sala de convivência do primeiro
andar recebe a iluminação zenital
       
 
Originalmente com térreo e sete pavimentos, o edifício, com estrutura independente de concreto, ganhou mais dois andares, estruturados em aço, para acomodar a sala de gerador e o sistema de ar condicionado central. As janelas, que já não eram autênticas, foram substituídas por caixilhos de alumínio de design limpo e com grande área de vidro laminado, fixado por silicone.

Para melhorar o transporte
das cerca de 700 pessoas que visitam o prédio diariamente, os dois antigos elevadores foram modernizados e foi instalada uma terceira cabine. A reorganização de percursos e da infra-estrutura reservou a lateral esquerda para as caixas de circulação vertical, sanitários e cabines de ar-condicionado, telecomunicações e elétrica.

Essa medida liberou a área central das lajes
, que têm cerca de 900 m2 cada, para os diversos ambientes previstos pelo programa, como escritórios, biblioteca, salas de aulas, espaço de convivência com pontos de Internet, auditório e quatro salas de apoio aos advogados, que podem usá-las para descanso ou reuniões com clientes nos intervalos entre audiências.
 
Vista noturna das janelas voltadas para o átrio
       
   
  Escada e passarelas metálicas
no vazio central do edifício
  Sala de espera da diretoria: na lateral esquerda, próxima aos elevadores
  Painéis inclinados de madeira:
cuidado acústico
 
No piso térreo estão a recepção, o amplo foyer e o auditório - em parte construído onde antes estava o recuo dos fundos -, praticamente todo revestido por painéis refletores de madeira com diferentes densidades, assegurando boas condições acústicas para a realização de palestras.

Para manter a imponente porta original
, os arquitetos instalaram uma antecâmara de vidro transparente e uma segunda porta com abertura e fechamento automáticos.

Três passarelas metálicas, pintadas de branco, foram instaladas no segundo andar, no quarto e no sexto pisos, para interligar os salões. Foi construída também outra escadaria, na extremidade esquerda do átrio, para agilizar a circulação entre os andares e facilitar o acesso às salas de aulas.

Do segundo pavimento para cima existe um vazio descoberto, que, neste piso, é equipado com mesas e cadeiras para funcionar como fumódromo ou área de bate-papo. O acesso a ele se dá pela biblioteca, que possui acervo com 22 mil volumes e ocupa integralmente o andar.

Embora preserve a ambientação tradicional dos espaços dos advogados, ela apresenta linguagem mais leve, definida pela presença dominante do cedro, madeira de tonalidade clara, e pelas cadeiras de design menos formal.

Sem paredes ou divisórias, a biblioteca é subdividida em espaços menores identificados pelo mobiliário específico para grupos de trabalho ou usuários individuais, que podem optar por mesas ou cantos alternativos de leitura. Vitrines com fechamento de vidro expõem livros, objetos e documentos de valor histórico.

No terceiro pavimento funcionam os setores de administração e contabilidade, além de CPD e ambulatório. Diretoria e conselho estão no sétimo piso, o último abaixo das áreas técnicas.

Os demais andares ainda não têm uso definido. Todo o prédio tem forro de fibra mineral e luminárias modulares com refletores duplo-parabólicos.


Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 272 Outubro 2002
 
A biblioteca, de acesso restrito, é dividida em setores
que atendem usuários individuais ou em grupo
 
Divisórias móveis permitem transformar a grande sala de
aulas em duas, dando flexibilidade à organização dos cursos
 
Mesa de reuniões: design dos arquitetos
 
 
Clique e veja a Ficha Técnica
   
 

Fornecedores
AMWM Metalúrgica (complementos estruturais metálicos); Aluparts (caixilhos); Deca (louças e metais sanitários); Santa Marina (vidros e acessórios da antecâmara); Pedras Faro (granitos); Otis (elevadores); Lumini (luminárias); Philips (lâmpadas e reatores); Hunter Douglas (forros); Offis (carpetes); Voko (divisórias); Aceco, Escriba, Forma, Giroflex, Montenapoleone, Probjeto, Voko (mobiliário); Madeform, Visuarte (marcenaria)

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