|
|
 |
 |
 |
 |
| |
José Luiz Mota
Menezes
Sinagoga Kahal Zur Israel, Recife-PE |
| |
| Recife redescobre a antiga Sinagoga |
|
| |
|
Primeira sinagoga das Américas,
a Kahal Zur Israel foi inteiramente reconstituída
em 2001 e já se transformou em ponto obrigatório
de visitação na Recife revitalizada.
Segundo o arquiteto José Luiz Mota Menezes, responsável
pela recuperação, o templo pode ser considerado
um bem cultural auto-sustentável, fiel
à nova filosofia de preservação
do patrimônio histórico.
A Kahal Zur Israel (Comunidade Rochedo de Israel,
nome que alude aos recifes espalhados pela costa da
capital pernambucana) situa-se em Recife Antigo
ou bairro do Recife - como é identificada a ilha
formada na junção do rio Capibaribe com
o oceano -, local onde a cidade nasceu e reduto
de rico patrimônio histórico, submetido
atualmente a um programa de revitalização.
A sinagoga foi fundada com a chegada de religiosos
judeus, junto com os holandeses que ocuparam
Pernambuco em 1630. Ela ocupava dois imóveis
separados no térreo e unidos no piso superior,
localizados na chamada rua dos Judeus.
|
|
|
 |
| Fachada da Kahal Zur Israel,
primeira sinagoga das Américas |
|
 |
 |
 |
 |
| |
 |
|
 |
| |
Passarela de grelha metálica
permite ver os
alicerces, os pisos anteriores e as paredes de pedra |
|
Piso superior: grande salão
com móveis que se
referenciam no mobiliário de sinagogas européias |
| |
|
|
|
| |
A expulsão dos holandeses levou os membros
da comunidade judaica à decisão de partir
para os EUA, com medo da Inquisição. A sinagoga
aparece entre os imóveis inventáriados logo
após a retomada do território pelos portugueses,
em 1654.
Durante anos, pesquisadores tentavam localizar esse
prédio, mas só recentemente, por meio
de estudo que utilizou a cartografia histórica
e textos do historiador José Antônio Gonsalves
de Mello,
o arquiteto José Luiz Mota Menezes conseguiu identificar
as construções, pertencentes à Santa
Casa de Misericórdia.
Identificados os prédios, iniciaram-se os trabalhos
de pesquisa arqueológica, com o patrocínio
de instituições privadas, dos governos municipal,
estadual e federal, e os benefícios da Lei Rouanet
de incentivo à cultura e do Programa Monumenta
BID.
O projeto de intervenção, elaborado
pela equipe coordenada por Menezes a partir de achados
arqueológicos que confirmaram ser aqueles os edifícios
da sinagoga, procurou deixar à mostra os vestígios
materiais da presença judaica e da construção
original do século 17, em pedra.
Entre outros elementos, a equipe encontrou um micvé,
espécie de tanque destinado a banhos de imersão
para purificação dos fiéis.
Ele pode ser avistado - a partir da espessa proteção
de vidro, sobre a qual o visitante pode caminhar -
no térreo, rebaixado em 70 cm para deixar o objeto
visível.
No prédio geminado, colocou-se uma passarela
de grelha metálica para que os alicerces, parte
dos pisos anteriores e as paredes de pedra pudessem ser
vistos.
Como os elementos encontrados eram insuficientes
para uma perfeita restauração, Menezes optou
pela reconstituição da sinagoga original.
No piso superior, o grande salão recebeu móveis
que lembram os da época, tendo como referência
o mobiliário do mesmo período de sinagogas
européias.
O interior foi ressaltado pela iluminação
da arquiteta Esther Stiller. A fachada do século
19 do edifício foi apenas pintada, conservando-se
seus elementos arquitetônicos.
Texto resumido a partir de reportagem
de Éride Moura
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição de 273 Novembro 2002. |
|
|
 |
| O trabalho de restauração
deixou visíveis as paredes e pisos originais, em
pedra, do século 17 |
| |
 |
| Reconstituição deixou à
mostra os pisos originais |
| |
 |
| Exposição permanente, em suportes
de vidro, sobre a presença dos judeus no Nordeste,
a partir do período do domínio holandês |
|
| |
 |
O micvé, tanque destinado
a banhos de
purificação, pode ser avistado da proteção
de vidro |
| |
 |
|
 |
 |
| |
|
Fornecedores
Sanvidros (vidros); H. Zaicaner (piso de madeira); Lumini
(luminárias); Padron (ar-condicionado); Coral
(tintas); Deca, Celite (louças e metais sanitários);
Serraria Rocha (portas e janelas); TSC (estrutura metálica)
|
|
|