Alfredo Tapia, Martín Fourcade e Gaston Atelman Museu de Arte Latino-Americana, Buenos Aires    
       
   
  Desenho priorizou espaços internos. Do lado de fora, vê-se apenas volumes revestidos com pedra natural e alguns panos de vidro   O Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires
é o maior museu privado da Argentina
       
 
Arquitetura discreta para
mostrar a arte. Só a arte.
 

O Malba-Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires é a obra cultural mais importante da Argentina em 2001 - um ano turbulento tanto para o país como internacionalmente, simbolizado pelo ataque terrorista a Nova York, em 11 de setembro, nove dias antes da inauguração do museu.

O Malba é mais conhecido como Museu Costantini, em reconhecimento ao empresário argentino do setor financeiro Eduardo Costantini, que investiu
40 milhões de dólares
para construir um edifício
que abrigasse sua importante coleção de arte latino-americana. Para isso, adquiriu um terreno no luxuoso bairro de Palermo.

Jorge Glusberg, organizador das bienais internacionais de arquitetura de Buenos Aires, propôs a convocação de um concurso de anteprojetos para o museu.

Além dele, participaram do júri estrelas da arquitetura mundial, como os britânicos Norman Foster e Kenneth Frampton, o argentino Cesar Pelli, o suíço Mario Botta, o alemão Josef Kleihues, a mexicana Sara Topelson (então presidente da UIA), Terence Riley, do Moma, e o espanhol Enric Miralles, falecido em 2000.

Realizado, em 1997, o concurso recebeu mais de 450 trabalhos, vindos de 35 países. Os vencedores foram três jovens (com menos de 30 anos) arquitetos argentinos - Alfredo Tapia, Martín Fourcade e Gaston Atelman -, com proposta que combina tecnologia, volumetria simples e imagem atemporal.

“O concurso coincidiu com a inauguração do Guggenheim de Bilbao, que marcava uma nova ideologia sobre os edifícios para museus, mais expressivos, quase competindo com a obra exposta”, lembra o arquiteto Alfredo Tapia, do escritório AFT Arquitectos.

“Nosso caminho não era o oposto, mas o protagonista deviam ser as obras, e não o museu. Parecia-nos ir contra a corrente, e com essa proposta ganhamos.

Hoje, penso que em 80% do tempo estávamos dedicados a desenvolver uma postura museológica, mais que um desenho arquitetônico, fachadas, volumetrias.”

O edifício tem arquitetura simples e atemporal, mas a complexa resolução tecnológica inclui todas as instalações necessárias a um museu do século 21.

O desenho priorizou os espaços interiores, o que resultou na volumetria revestida com pedra natural, de onde se destacam apenas os panos de vidro de alta tecnologia.

O espaço protagonista é o grande átrio, com 20 metros de altura, que abriga as circulações, escadas e elevador.

 
lUm deque de madeira integra o bar-café e o auditório
ao grande espaço verde da praça, como um terraço
 
 
Átrio com 20 m de altura: circulações, escadas e elevador
   
  Biblioteca   Salas de mostras transitórias não admitem distrações visuais...
       
 
Os autores decidiram abrir o átrio envidraçado para uma via lateral e voltar o auditório para a praça. “O natural seria abrir o edifício para a praça, mas a orientação oeste, com o sol muito forte à tarde, é inimiga das obras de arte”, explica Tapia.
Além disso, a rua lateral, muito tranqüila e arborizada, livrava o visitante do ruído da cidade.”

Com isso, criou-se um acesso interessante, que parte da avenida de trânsito veloz, ruidosa, e passa por um hall relativamente baixo, de 4,5 m de altura. Do hall atinge-se o átrio, com luz natural e vista para a rua lateral.

As áreas de exposição e os espaços públicos constituem a alma do museu: a concepção e a organização desses setores definem tanto a imagem exterior como o caráter do edifício. Ele contém uma série de grandes salas, que podem ser divididas em galerias de dimensões adequadas aos distintos formatos das obras da coleção Costantini, em constante crescimento.

As salas destinadas a mostras transitórias não admitem distrações visuais: são caixas brancas que obedecem a padrões técnicos internacionais, com disposição estratégica que permite a entrada de luz natural matizada e gera um clima propício à contemplação das obras de arte.

Esses espaços se alternam com outros, concebidos como remansos para o encontro das pessoas e a circulação entre as distintas mostras.

Nestas, diferentes aberturas contribuem para a orientação do museu e, com vistas singulares do entorno imediato, apresentam a paisagem urbana em condições similares às das pinturas.

Externamente, as salas de exposições são grandes prismas revestidos de placas de pedra natural, de geometria despojada, que se justapõem com planos envidraçados, dando a impressão de estar apenas apoiados neles. O sofisticado desenho estrutural reforça o contraste entre esses planos, com reflexos e transparências em contraposição aos encorpados volumes maciços.

Os planos envidraçados delimitam espaços públicos que abrigam atividades complementares mas vitais para o museu. Eles se organizam ao redor de um grande vazio central, como um hall, tomando como referência as diferentes características de cada uma das fachadas do entorno do museu. No acesso estão a recepção e a livraria, em frente de uma grande esplanada que se volta para a avenida frontal à fachada institucional.

A biblioteca e um jardim externo de esculturas orientam-se para uma via tranqüila e arborizada.
O bar-café e o auditório com capacidade para 300 pessoas abrem-se para o grande espaço verde da praça, integrando-se a ela por meio de um deque de madeira, como se fosse um terraço.

Texto resumido a partir de reportagem
de Hernán Barbero Sarzabal e Sergio Castiglione
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 273 Novembro 2002
 
...São caixas brancas, tecnicamente adequadas aos padrões internacionais...
 
...Com disposição estratégica para a entrada de luz natural
 
O museu tem uma série de grandes salas, que podem ser divididas em galerias de dimensões adequadas aos distintos formatos das obras da coleção, em constante crescimento
 
 
Auditório: capacidade para acomodar 300 pessoas
 
 
Bar-café: espaço contíguo ao deque de madeira, integrado à praça
 
 
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