Edson Elito
Teatro Colégio Santa Cruz, São Paulo-SP
   
       
 
  Densidade da vegetação e espaços abertos do Colégio definiram a implantação do teatro
       
 
Um teatro para gente grande
 

Concreto, tijolo, aço e vidro compõem a obra, que, segundo o autor, Edson Elito, tem como preocupação principal o conforto, e não o luxo.

O cliente queria um teatro para usos diversos e voltado à comunidade. Deveria, portanto, estar aberto tanto para o campus quanto para o exterior.

Essas exigências foram facilitadas com a implantação do edifício no extremo da área de atividades esportivas, de frente para uma das ruas que ladeiam o colégio.

O projeto cenotécnico de José Carlos Serroni - em conjunto com Gustavo Lanfranchi - desenvolveu configurações da relação palco-platéia que indicaram a necessidade de oferecer, além dos tipos tradicionais, novas possibilidades de palcos, como estímulo à pesquisa.

Como encontrar a resposta arquitetônica
para essas propostas da cenotecnia?

A solução proposta por Edson Elito foi um grande volume, com platéia de 20 m x 20 m e pé-direito de 13 m, capaz de acomodar 480 pessoas, 210 na parte fixa, 120 numa platéia inferior desmontável e 150 nos balcões e galerias.

A sala pode receber cadeiras adicionais. O pé-direito idêntico em todo o volume gerou interiores criativos e de dimensões variadas.

Serroni explica que a cenotecnia adotou um padrão pouco usado no Brasil, o de teatro multiforma não-mecanizado, que pressupõe flexibilidade concebida de maneira simples, fundamentada nas necessidades dos usuários. Estão relacionadas a conceitos de formalidade x informalidade, continuidade x descontinuidade, e proximidade x distanciamento.

Palco e platéia são adaptáveis a diversos tipos de espetáculo. Assim, o módulo frontal da platéia inferior pode ser desmontado, criando área de cena elisabetana ou de arena, ou ser deslocado para o centro do teatro, alterando o relacionamento palco-platéia.

Montado, ele resulta no palco italiano, necessário à maioria dos espetáculos. As galerias podem ser ocupadas pelo público ou utilizadas para a apresentação.

Os palcos laterais são prolongamentos do frontal, articulados pelo proscênio. Podem, ocasionalmente, acomodar público ou ser usados como coxias.

A vedação da caixa de palco e platéia é feita com paredes inclinadas e duplas, de tijolos aparentes; em sua parte alta foram colocadas placas refletoras pendentes das treliças da cobertura, para rebatimento acústico.

Algumas superfícies receberam materiais absorventes e as portas tiveram tratamento acústico.

O sistema construtivo adotou superestrutura em concreto moldado in loco, com pilares retangulares envolvidos por paredes isolantes duplas, com vazio interno, de tijolos na área do palco e da platéia.

Na área de eventos, os pilares têm seção circular e a vedação usa caixilhos de alumínio, vidro e venezianas, que conferem farta luminosidade aos ambientes. No foyer, as lajes são nervuradas nos dois sentidos, em forma de grelha ou colméia.

A estrutura da cobertura e do piso técnico, em treliças planas de aço, sustenta um sistema de forro com isolamento acústico, constituído por duas lajes de concreto celular e, entre elas, uma camada de lã de vidro.

No banzo inferior das treliças se apóia um sistema de passarelas técnicas e de manutenção sobre toda a área da platéia; sobre o palco, o urdimento é em deque de perfis de aço.

Segundo Elito, trata-se de uma obra simples
, despida de acessórios sem função específica.
“A preocupação foi o conforto e não o luxo. Utilizamos concreto, tijolo, aço e vidro, na vedação da fachada, onde a transparência era desejada”, afirma.

Texto resumido a partir de reportagem
de Éride Moura
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 274 Dezembro 2002

 
Ambientes de recepção e eventos
se integram ao entorno pelo uso do vidro
 
Paredes de tijolos aparentes com angulação interna
e externa para condicionamento acústico definem
o volume opaco da platéia
 
Grelha de concreto com iluminação interna
permite vão de 20 metros no foyer
 
Sistema construtivo misto, com pilares, vigas e lajes
de concreto e estrutura da cobertura em treliças de aço
 
A área de exposições e eventos com pé-direito
triplo comunica-se com terraço aberto para o entorno
 
   
Platéia avança sobre o palco:
boca de cena é de tecido negro
antichama e auto-extinguível
  Fundo do palco: porta elevadiça abre
acesso a grandes elementos cênicos
e permite levar a cena para fora do teatro
 
A platéia tem pé-direito de 13 metros e balcões sobre lajes em balanço

Ficha Técnica
Teatro do Colégio Santa Cruz
Local
São Paulo-SP
Projeto
1997
Conclusão da obra
2002
Terreno
50.000 m2
Área construída
2.791 m2
Arquitetura
Elito Arquitetos Associados:
Edson Jorge Elito (autor); Abrahão Sanovicz (consultor); Joana Fernandes Elito, Cristina Macchi, Alexandra Otero e Adilson Viviani (colaboradores)
Projeto cenotécnico e iluminação cênica
J. C. Serroni Criações Visuais: José Carlos Serroni e Gustavo Lanfranchi
Mobiliário e móbile
do saguão

J. C. Serroni
e Gegê Leme
Sonorização
Raul Teixeira e Roberto Ramos
Estrutura
Modus
Instalações hidráulicas
e elétricas
Sandretec
Ar-condicionado
Escritório Técnico Willem Scheepmaker
Acústica e
conforto ambiental

Ambiental
Construção
FGE
Maquete eletrônica Clóvis Cunha
Fotos
Nelson Kon

 

Fornecedores
Geofix (fundações); Concrevit (concreto); Skylight (estrutura metálica, urdimento e passarelas); ST (tijolos); Megamix (argamassa); Squadrus (impermeabilização); Brafer (telhas de aço); Pedras Amazonas (granito); Plurigoma (piso); Tatu (pavimento intertravado); Gail (revestimentos); Hunter Douglas (forros); Sical (painel de concreto); Esquadriall, Continental (esquadrias de alumínio, de ferro, guarda-corpos e corrimãos); MGA (vidros); Metalgrade (gradis); Neocon (divisórias sanitárias); Otis (elevadores); Reset (instalações elétricas); Plan-Air (ar-condicionado); Lustres Projeto (luminárias); Telem (palco, mecânica cênica, varas, praticáveis e iluminação cênica); Cineplast (vestimenta cênica); Probjeto (poltronas); Lucas Acústica (tratamento acústico); Ple-Leva (porta elevadiça do palco); Metalcorp (porta corta-fogo); Deca (louças e metais sanitários); ETC Expression (mesa de luz); Sound Kraft (mesa de som); EAW, RCF (caixas acústicas); Shure (microfones); Ciclotron (amplificadores); Próxima (projetor de vídeo)

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