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Inaugurado em novembro de 2002,
o NovoMuseu apresenta uma proposta ambiciosa: quer tornar-se
conhecido mundialmente. Apesar de incertezas quanto
à implantação de uma programação
efetiva, o conjunto conta com um trunfo poderoso:
sua arquitetura leva a chancela da principal estrela
brasileira do setor, Oscar Niemeyer.
E ela não decepciona, na medida em que,
tendo sido a instituição batizada de NovoMuseu
- Arte, Arquitetura e Cidade, o próprio complexo
(à semelhança do Guggenheim de Bilbao,
Espanha, desenhado por Frank Gehry) é a mais
importante obra de seu acervo.
A gênese do museu remonta ao início
de 2001, quando a grife Guggenheim cogitou erguer no
país uma de suas franquias. A capital paranaense
candidatou-se a recebê-la, chegando a apresentar
aos norte-americanos o edifício Castello Branco,
que abriga o NovoMuseu.
O Rio de Janeiro acabou sendo escolhido (projeto do
arquiteto francês Jean Nouvel). Porém,
a idéia de implantar uma instituição
de porte em Curitiba foi encampada pelo arquiteto
e então governador Jaime Lerner, presidente
da UIA - União Internacional de Arquitetos.
O complexo é formado por dois edifícios
independentes, conectados pelas sinuosas rampas
que conduzem ao seu interior - e que, ao longo da carreira,
tornaram-se uma assinatura de Niemeyer - e por um túnel
no subsolo.
A construção existente é um retângulo
de 200 m x 30 m em concreto protendido e formado por
apenas um pavimento suspenso sobre pilotis, além
do subsolo.
O novo prédio, que possui aproximadamente
3 mil m2 de área construída, lembra o
desenho de um gigantesco olho (alguns, mais velhos,
apontam também a semelhança com um mata-borrão),
apoiado por uma estrutura central e com enormes balanços.
De formas completamente opostas - enquanto em
um predomina o ângulo reto, no outro se destaca
a sinuosidade -, os dois se complementam como organização.
Enquanto o olho tem quase o caráter de uma escultura
- é ao mesmo tempo local de exposições
e obra a ser apreciada -, o retângulo é
mais a forma a serviço da função.
Ambos apresentam, porém, caráter monumental.
Objeto escultórico que parece levitar
sobre o conjunto em meio ao espelho d’água, o
grande olho foi implantado de forma a não
esconder o edifício existente. À frente,
o olho vislumbra a cidade; ao fundo debruça-se
e contempla a escola-museu.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 275 Janeiro 2003
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