Oscar Niemeyer
Sede da Procuradoria Geral da República, Brasília-DF
   
 
  Volumes cilíndricos abrigam a nova casa dos procuradores, em área contígua à Esplanada dos Ministérios, em Brasília-DF
       
 
Niemeyer volta a Brasília
 

Em agosto de 2002, sem grande alarde, a área da Esplanada dos Ministérios, em Brasília-DF, ganhou mais uma obra projetada por Oscar Niemeyer.
Trata-se da nova sede da Procuradoria Geral da República, um conjunto com 70 mil m2 de área, que abriga escritórios, auditórios, restaurante, serviços de apoio, áreas técnicas e estacionamentos.

São quatro volumes de formato circular, todos interligados por rampas e passarelas de desenho curvilíneo. Os dois maiores blocos, que abrigam os gabinetes dos procuradores são os destaques da obra. Em um deles, coroado por uma estrela de concreto, o projeto de Niemeyer desafia as concepções tradicionais de estruturas: um único pilar central, de concreto, apóia a grande estrela
de oito pontas e oito tirantes presos a essa estrutura suportam o peso do edifício, que está literalmente "pendurado" na estrela. Essa solução elimina todos os pilares no pavimento térreo e, assim, o prédio parece flutuar.

Trata-se, de fato, de uma estrutura protendida, com cabos que saem do pilar-núcleo central, passam horizontalmente pelas vigas da estrela e descem para suportar o peso do bloco cilíndrico, explica o engenheiro Jair Valera, responsável pelo cálculo estrutural. Rampas circulares interligam os prédios principais a dois volumes menores, pintados de branco, que abrigam o auditório e o restaurante. Há ainda um quinto edifício, também circular, próximo ao prédio principal, onde está o plenário dos procuradores.

A monumentalidade e o arrojo estrutural custaram caro, cerca de R$ 75 milhões, provocando uma série de denúncias de superfaturamento, embora o projeto original de Niemeyer tivesse orçamento de R$ 81 milhões. Mas não apenas os custos geraram polêmicas; a arquitetura também incomodou críticos brasileiros e estrangeiros: ‘‘Fiquei surpreso ao descobrir o Niemeyer pós-moderno, imitando a porcaria da arquitetura das cidades financeiras norte-americanas’’, disse ao jornal Correio Brasiliense o filósofo espanhol Eduardo Subirats, que visitou Brasília no final de 2002.

Texto editado a partir de reportagem
do boletim Cimento Hoje Fevereiro 2003

 
 
Os dois volumes principais abrigam
os escritórios dos procuradores de Brasília
 
Bloco principal está "pendurado" na estrela do topo
 
Plenário dos procuradores, em um dos volumes menores
 
Corte do volume principal: núcleo estrutural
 
 
 
Rampas circulares interligam os edifícios
   
Vista noturna: jogo de claros e escuros

Ficha Técnica
Sede da Procuradoria Geral da República
Local
Brasília-DF
Área construída
70.000 m2
Arquitetura
Oscar Niemeyer
Projeto estrutural
Jair Valera
Construtora
Serveng-Civilsan
Projeto
1995
Conclusão
2002
Fotós
Douglas Haunass

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