Sérgio R. Parada Arq. Associados
Terminal Aéreo, Natal-RN
 
Aeroplano de terra
 

O novo terminal de passageiros do aeroporto internacional de Natal prioriza a luz e a ventilação naturais para dispensar sistema de ar condicionado e o isolamento por esquadrias. A exigência, por parte da Infraero, de rapidez e limpeza na obra visava causar menos transtornos aos usuários e induziu ao uso de estruturas metálicas. O prédio apresenta linguagem baseada em transparências e na plasticidade proporcionada pelo uso de estruturas metálicas aparentes. Previsto pelo plano diretor do aeroporto, o novo terminal foi erguido ao lado do antigo, que deverá ser reformulado para criar um conjunto com unidade arquitetônica e cumprir o programa da Infraero, planejado para 1,5 milhão de passageiros/ano.

O projeto baseou-se em parâmetros como o dimensionamento dos espaços e os tipos de aeronaves, definidos pela Infraero, e a exigência de nível A de conforto para atender às normas internacionais. A condicionante mais importante, porém, foi a necessidade de adaptação do projeto às fundações preexistentes, que impunham modulação estrutural com vãos de 12 metros. Por último, pedia-se que a obra fosse limpa e rápida. Para Sérgio Parada, o uso da estrutura metálica foi a solução lógica. “O terminal é o primeiro do Brasil a ser executado inteiramente em aço”, diz. A proposta procurou tirar proveito das condições naturais, de modo a minimizar o consumo de energia elétrica com soluções artificiais de iluminação e ventilação.

Isso resultou em um terminal aberto, totalmente integrado ao exterior, naturalmente iluminado e ventilado, de forma semelhante ao Aeroporto Internacional de Brasília, modernizado no início da década de 90 por projeto do próprio Parada. Essa opção impôs cuidados extras para suavizar a temperatura, como a elaboração de projeto paisagístico para o entorno do edifício; a especificação, na área de estacionamento, de piso de concreto, que retém menos calor que o asfalto; e a construção de espelhos d’água, para refrescar a brisa antes que ela chegasse aos interiores. Embora importantes, esses itens ainda não foram executados.

O ponto de destaque do conjunto é a cobertura, que explora, ao mesmo tempo, a circulação do ar e a entrada de luz natural. Suas linhas curvas criam vãos diferenciados e de grande plasticidade, complementadas por uma linha horizontal posicionada no encontro dos telhados, na parte superior, formando um shed. O isolamento termoacústico das telhas e o grande colchão de ar entre elas e o forro contribuem para o conforto ambiental. Uma faixa delimitada pela cobertura marca a transição entre interior e exterior e oferece proteção contra intempéries aos passageiros que chegam ou saem do aeroporto.

Texto resumido a partir de reportagem de Nanci Corbioli
(Publicado originalmente em PROJETO DESIGN - Edição 250 - Dezembro 2000)

 
Na fachada sul, a cobertura marca a faixa
de transição entre o exterior e o interior
 
A vista oeste enfatiza as formas dinâmicas do terminal,
que recebeu acabamento com painéis de alumínio
 
Elementos metálicos caracterizam todo o conjunto,
finalizado por uma cobertura dinâmica
 
As pontes de embarque mantêm a linguagem
plástica da estrutura metálica e das transparências
   
O piso técnico separa
o térreo do mezanino,
servido por comércio
Luz e ar atravessam livremente as estruturas; formas dinâmicas da cobertura contribuem para ordenar os espaços
 
Por exigência de segurança, a face norte tem caixilharia com fechamento em vidro

Ficha técnica
Terminal de Passageiros do Aeroporto Internacional
Augusto Severo
Local
Natal-RN
Projeto
1998
Conclusão da obra
2000
Área construída

15 000 m2
Arquitetura
Sérgio Roberto Parada Arquitetos Associados
Coordenação de projetos
Themag
Luminotécnica
Esther Stiller
Consultoria Comunicação visual
Duo Design
Fundações, estrutura de concreto, instalações, ar condicionado e ventilação mecânica
Themag
Estrutura metálica
Paulo André Barroso
Construção
Empire Tecnologia
Fotos
Ricardo Junqueira

 

Fornecedores
Confiança (estrutura metálica); Sert (redes elétrica e hidráulica); Primare (ar-condicionado); Bureau Tecnologia (comunicação visual); Record (impermeabilização); Angra (forros metálicos, grelhas e corrimãos); Med (estação de tratamento de esgoto e drenagem de águas pluviais); Telemática (controle de acesso e detecção de intrusão); EIT (ampliação do pátio de aeronaves); Supermix (concreto); Thissen Boetticher (elevadores, escadas rolantes e pontes de embarque); MPE (esteiras e transformadores); Johnson (sensores eletrônicos e sistema de gerenciamento de unidades de energia); Redisul (rede estruturada); Ramal (sistema de detecção e alarme de incêndio); Leon Heimer (grupo diesel geradores); Di-Som (sistema de sonorização); CNEC (sistema informativo de vôo); Cetest (unidade resfriadora); NTK (sistema de docagem das aeronaves); Alcoa (alumínio); Perkrom (telhas metálicas); Inmecol (esquadrias de alumínio); Granos, Granex (granitos); Eliane (revestimentos cerâmicos); Glassec, SF (vidros); Dow Corning (silicone); Lumini (luminárias); Philips (lâmpadas, reatores e sistema interno de TV); Osram (lâmpadas e reatores); Inelsa (quadros elétricos); Sasimil (divisórias); Queiróz Oliveira (material hidráulico, painéis, vidros e revestimentos de piso); Kauffman (juntas); Teperman (mobiliário); Módulo (montagem de balcões, bancadas e armários)

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