|
|
 |
 |
 |
 |
| |
SPBR Arquitetos e MMBB Arquitetos
Residência, Barueri-SP |
|
|
| |
|
|
|
| |
 |
| |
Vista da rua, a casa
tem seu interior revelado pela transparência |
| |
|
|
|
| |
| Moderna, brutalista e contemporânea |
|
| |
|
A residência desenhada por Angelo
Bucci, do SPBR Arquitetos, e Marta Moreira, Fernando
de Mello Franco e Milton Braga, do MMBB Arquitetos,
encontra parentesco com a escola paulista no
contraste entre a pureza do resultado e a engenhosidade
de soluções.
No entanto, a transparência do volume demarca
as diferenças: enquanto outrora o peso
dominava a cena, aqui a leveza está em
primeiro plano.
Em tese, a casa possui os elementos do modernismo
dos anos 1920: pilotis, planta quadrada, fechamento
em vidro, estrutura de concreto e terraço-jardim,
entre outros. A aparente simplicidade, porém,
esconde elaborações que retomam parcialmente
o brutalismo paulista das décadas de 1960/70.
Situada dentro de condomínio fechado a 40 quilômetros
do centro de São Paulo, a casa chama a atenção
pela contemporaneidade traduzida em transparência
- as residências ao seu redor, na maioria
chalés de estilo para suportar o clima “montanhoso”,
fecham-se para a vizinhança.
Em contraponto, o gradil é um talude de grama,
semelhante ao da casa de Paulo Mendes da Rocha,
de 1964.
A construção foi implantada em lote de
20 x 40 metros, com oito metros de desnível entre
a frente e o fundo. Tendo em mente a pureza no meio
da clareira plana da vila Savoye (de Le Corbusier,
década de 1920), é difícil imaginar
pilotis em terreno inclinado. Os arquitetos, porém,
transformaram o desnível em vantagem - ele favoreceu
a ligação entre os pisos e o terreno por
duas passarelas metálicas.
|
|
|
 |
| Detalhe do vidro-guilhotina
sem caixilho |
| |
 |
Rasgo horizontal marca fachadas
laterais. Ao fundo,
residências do condomínio |
|
 |
 |
 |
 |
| |
 |
| |
Na área posterior,
passarelas interligam a construção ao terreno.
A transparência se beneficia do projeto luminotécnico |
| |
|
|
|
| |
|
Nos pilotis ficam garagem, escritórios
e serviços.
O restante do programa distribui-se no pavimento
superior, de planta quadrada com 16,20 metros de
lado, modulados em 90 centímetros (tamanho da
fôrma plástica utilizada na laje nervurada).
O vazio central é ocupado por dois lances
de escada metálica sobrepostos, que interligam
três pisos.
Esse espaço aberto permite a entrada de luz
nos ambientes que ladeiam a escada - banheiros e
cozinha -, fechados com vidro translúcido.
A organização espacial é simples:
perpendicular à rua estão alinhados em
paralelo estar/jantar, cozinha, escada, sanitários,
os dormitórios e sua circulação;
no outro sentido, acesso/escritório, de um lado,
e a sala de televisão, do outro, interligam de
forma fluida, à maneira da escola paulista, todos
os espaços.
O uso de vidro e a comunicação
com o terreno são as principais diferenças
em relação às casas brutalistas
em pilotis (leia o quadro).
O vidro, além de evidenciar a transparência,
coloca em primeiro plano a leveza, contrastando com
o peso típico dos anos 1960/70.
A introspecção daquelas residências
dá lugar à relação entre
os espaços interno e externo.
Já a utilização de poucos elementos
remete a Artigas. Nesse quesito, a casa é incomparável:
divisórias internas de argamassa armada, portas
e armários-divisórias em MDF, piso em
granilite e fechamento em vidro sem caixilho. Nos dormitórios,
os armários de MDF são também divisórias.
O projeto reproduz o esquema quartos de um lado e
banheiros do outro, bastante utilizado nos projetos
caracterizados como da escola paulista e aparentemente
impensável diante das exigências atuais
em relação à privacidade das
suítes.
Uma engenhosa solução resolveu esse dilema:
portas de correr, embutidas nos armários-divisórias,
quando fechadas fragmentam a circulação
dos dormitórios, transformando-os em suítes.
Os fechamentos externos são um caso à
parte. Como na residência de Ribeirão Preto,
SP, projetada simultaneamente a esta (leia
PROJETO DESIGN 270, agosto de 2002), os vidros
temperados das fachadas frontal e do fundo não
possuem caixilho e alguns deles correm em trilhos.
A novidade é o sistema adotado nas duas faces
laterais (sala e quartos), onde folhas de vidro
se deslocam com o auxílio de contrapeso e cabos
cujo sistema se assemelha a régua paralela. Essas
duas fachadas - norte e sul - são complementadas
por painel de sombreamento de madeira e cimento prensado
(placas cimentícias).
Também como em Ribeirão Preto, a laje
de cobertura é ocupada por espelho d´água.
O piso elevado de concreto e as carpas, porém,
fazem lembrar mais o espaço da cobertura da casa
Millan (de 1972), desenhada por Paulo Mendes da
Rocha.
Em 1991, Franco, Braga e Marta (junto com Vinícius
Gorgati e sem Bucci) desenharam outra casa no mesmo
condomínio. As diferenças entre esses
dois projetos demonstram a evolução
dos profissionais.
Naquela época, as soluções apontavam
em outra direção (tijolos, telhas de barros
etc.). Passados dez anos, a equipe (com Bucci) recuperou,
com particularidades, a essência da escola
paulista com a estrutura de concreto moldada in
loco.
Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 282 Agosto de 2003
|
|
|
 |
Assim como a escada, todos
os acessos
à casa são em elementos metálicos |
| |
 |
A modulação,
de 90 x 90 centímetros, definiu-se a partir
do tamanho da fôrma plástica da laje nervurada |
| |
 |
Vista do quarto principal,
com os dois tipos
de fechamentos externos |
| |
 |
As divisórias internas
são de argamassa
armada e os armários-divisórias, em MDF |
| |
 |
O espelho d’água
da cobertura é parcialmente
ocupado por piso elevado de concreto |
|
| |
 |
| |
|
|
|
| |
Paulistas
em pilotis
A residência em Barueri apresenta a clássica
composição de um pavimento sobre pilotis.
Difundida por Le Corbusier, a chamada casa-apartamento
sobre colunas possui diversos exemplares em São
Paulo, como a Casa de Vidro (de Lina Bo Bardi,
desenhada em 1949), a residência Nadir
de Oliveira (de Carlos Millan, 1960), a casa
Nadir Zacharias (de Ruy Ohtake, 1970)
e a casa de Liliana Guedes (de Joaquim Guedes,
1971). No entanto, a clássica caracterização
da escola paulista sob pilotis - quatro pilares, duas
faces parcialmente abertas e duas fechadas por empenas
estruturais que apóiam a cobertura - foi criada
por Paulo Mendes da Rocha, com a casa do arquiteto,
de 1964, a residência Masetti, de 1968, e a residência
James King, desenhada em 1972.
|
|
 |
 |
 |
 |
| |
 |
|
 |
| A cozinha
é iluminada por vidros translúcidos |
| |
 |
| Aberturas
horizontais, com vidros móveis sem caixilho, marcam
a área de estar/jantar |
|
|
Ficha Técnica
Residência
Local
Aldeia da Serra, Barueri, SP
Projeto
2001
Conclusão da obra 2002
Área do terreno
800 m2
Área construída
256 m2
Arquitetura
MMBB Arquitetos - Fernando de Mello Franco, Marta Moreira
e Milton Braga;
SPBR Arquitetos - Angelo Bucci (autores);
Anna Helena Vilella, Eduardo Ferroni,
Maria Júlia Herklotz e André Drumond (colaboradores)
Estrutura
Ibsen Pulleo Uvo
Construção
Nelson Cahali e
Paulo Balugoli
Fotos
Nelson Kon
|
|
 |
 |
 |
| |
|
Fornecedores
Atex, Mecan (fôrmas e escoramentos); Concrelix
(concreto); Moreno (serralheria); Geraldo Teles da Silva
(granilite); João Alves de Oliveira (marcenaria);
Sintex (impermeabilização); JV (vidros);
Viroc-Falco (painéis de sombreamento)
|
|
|