Andrade Morettin, MMBB, Una Arquitetos
e André Vainer e Guilherme Paoliello

Projetos de escolas em Campinas - SP
 
Escola-padrão
 

A Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), vinculada à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, contratou 28 arquitetos para desenvolver 29 projetos de escolas. Serão construídas pelo sistema de pré-moldados de concreto, com resistência de 40 MPa. As unidades terão entre dois e quatro pavimentos e áreas variando de 1.575 a 3.780 metros quadrados.

Situadas em Campinas, SP, região de clima quente, as quatro primeiras unidades mostram nítidas influências da escola paulista. Elas atenderão a um conjunto residencial da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), em construção, e devem ser entregues no início de 2004. As demais, localizadas principalmente em municípios da Grande São Paulo, devem estar prontas para o ano letivo de 2005.

Segundo Avany Ferreira, gerente de projetos da FDE, a opção pelo pré-moldado se deu pela melhoria da qualidade construtiva e pela rapidez na execução. Para criar escala de produção, o órgão determinou a padronização dos vãos de todas as unidades (10,80 x 7,20 metros) e a divisão das escolas em grupos de três ou quatro que utilizam os mesmos tipos de elementos pré-fabricados. Isso exigiu que os arquitetos se reunissem para fazer ajustes entre seus projetos. As primeiras quatro unidades utilizam vigas e pilares de seção retangular produzidos industrialmente.

Mudando as antigas orientações, a FDE solicitou aos arquitetos que incorporassem as quadras esportivas ao edifício principal, o que contribui para a utilização das coberturas como focos de atenção espacial e para que sejam evitadas soluções improvisadas de fechamento. A arquiteta Mirela de Mello, da FDE, ressalta que, apesar das diversas características comuns, os projetos resultaram em propostas individualizadas e de forte personalidade.


Galpão compacto

Um dos quatro primeiros projetos a serem construídos é assinado pelo escritório Andrade Morettin. A unidade atenderá alunos de 5ª a 8ª série do ensino fundamental e seu projeto caracteriza-se como um galpão compacto e alto, distribuído em térreo e mais três pavimentos.

Segundo o arquiteto Marcelo Morettin, o prédio será dividido internamente por uma rua central com pé-direito que ocupa toda a altura do edifício; sua cobertura translúcida garantirá iluminação natural à circulação. Uma das laterais acolherá as salas de aulas; a outra concentrará cantina e pátio sob a quadra. As janelas das classes serão recuadas para proteger contra o sol e o fechamento com brises de PVC proporcionará luz e ventilação naturais à quadra.


Térreo transparente

O projeto do escritório MMBB para a escola de 1ª a 4ª série do ensino fundamental será traduzido por uma construção robusta e de fácil manutenção. Como a área dos fundos do terreno recebe a melhor insolação e é a primeira a ser vista por quem entra no conjunto habitacional, os arquitetos optaram por fazer da fachada posterior a principal e concentrar ali o setor de convivência das crianças.

Isso ainda possibilitou usar o desnível natural para acomodar a arquibancada da quadra, cujas laterais apresentam elementos vazados de concreto para garantir luz natural e ventilação cruzada permanente, explica Milton Braga. O bloco administrativo, no térreo, é marcado por transparências que o integram à praça frontal da escola e ao pátio de recreio.


Circulação fluida

Com 12 salas de aulas, a proposta do Una Arquitetos para unidade destinada a alunos de 5ª a 8ª série é dividida em térreo, dois pavimentos e quadra na cobertura. De acordo com o arquiteto Fábio Valentim, a linguagem do conjunto busca evidenciar o sistema industrializado de construção e tira partido, nas laterais, das juntas aparentes dos painéis de vedação.

Acessos simétricos nas duas esquinas do prédio promoverão a circulação contínua. Para criar um anteparo solar, a proposta prevê brises de alumínio no fechamento lateral da quadra e nos patamares das classes. Como o edifício é vizinho a outra escola dessa primeira fase de obras, projetada por André Vainer e Guilherme Paoliello, os arquitetos das duas unidades se uniram para desenvolver um paisagismo que integrasse as áreas externas dos dois prédios.


Espaços integrados

A unidade desenvolvida por André Vainer e Guilherme Paoliello é dividida em térreo e mais dois pavimentos, por onde se distribuem 15 salas de aulas para turmas de 1ª a 4ª série do ensino fundamental. Com acesso no centro do bloco, a edificação terá no térreo os setores administrativos e o refeitório, ambos à direita; a outra extremidade será ocupada por quadra de pé-direito triplo e pátio de recreio, espaços que podem ser integrados entre si e ao refeitório para atender a atividades especiais.

A quadra receberá fechamento com grande brise de tela expandida de metal, capaz de preservar a ventilação e a iluminação naturais, ao mesmo tempo em que controla a incidência direta de sol ou água de chuva. O paisagismo interliga suas áreas externas à escola vizinha, projetada por Una Arquitetos.

Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 284 Outubro de 2003

 
Escritório Andrade Morettin:
interior do galpão compacto
 
Escritório Andrade Morettin:
fachada do galpão
 
Escritório MMBB:
o projeto caracteriza-se por transparências no térreo
 
Escritório MMBB:
elementos vazados garantem iluminação natural e
ventilação cruzada
 
Una Arquitetos:
a proposta tira partido das juntas aparentes
dos painéis de vedação
 
Una Arquitetos:
brises de alumínio estão previstos para
o fechamento lateral da quadra
 
André Vainer e Guilherme Paoliello:
espaços integrados
 
André Vainer e Guilherme Paoliello:
o paisagismo interliga as áreas externas à escola vizinha
 

Equipes convidadas pela FDE
André Vainer e Guilherme Paoliello; Andrade Morettin; Angelo Bucci e Álvaro Puntoni; Antenor Bertarelli;
Barossi e Nakamura; Benno Perelmutter e Marciel Peinado; Ecoplan; Estúdio 6 Arquitetos; Ferro e Talaat;
Francisco Petracco; Gesto Arquitetura; Hector Vigliecca; José Condé Lamparelli; Marcelo Suzuki; Marcos Acayaba;
Metro Arquitetura; MMBB; MPS; Nagle & Cecco; Nave Arquitetos; Pablo Hereñu e Eduardo Ferroni (com dois projetos); Paulo Sophia; Pedro Taddei; Piratininga; Weliton Ricoy Torres e Eduardo Colonelli; Ubyrajara Giliolli;
Tito Lívio Frascino; Una Arquitetos.

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