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A Fundação para o Desenvolvimento
da Educação (FDE), vinculada à
Secretaria da Educação do Estado de São
Paulo, contratou 28 arquitetos para desenvolver 29
projetos de escolas. Serão construídas
pelo sistema de pré-moldados de concreto,
com resistência de 40 MPa. As unidades terão
entre dois e quatro pavimentos e áreas variando
de 1.575 a 3.780 metros quadrados.
Situadas em Campinas, SP, região de clima
quente, as quatro primeiras unidades mostram nítidas
influências da escola paulista. Elas atenderão
a um conjunto residencial da Companhia de Desenvolvimento
Habitacional e Urbano (CDHU), em construção,
e devem ser entregues no início de 2004.
As demais, localizadas principalmente em municípios
da Grande São Paulo, devem estar prontas para
o ano letivo de 2005.
Segundo Avany Ferreira, gerente de projetos da FDE,
a opção pelo pré-moldado se deu
pela melhoria da qualidade construtiva e pela rapidez
na execução. Para criar escala de produção,
o órgão determinou a padronização
dos vãos de todas as unidades (10,80 x 7,20
metros) e a divisão das escolas em grupos de
três ou quatro que utilizam os mesmos tipos de
elementos pré-fabricados. Isso exigiu que os
arquitetos se reunissem para fazer ajustes entre seus
projetos. As primeiras quatro unidades utilizam vigas
e pilares de seção retangular produzidos
industrialmente.
Mudando as antigas orientações, a FDE
solicitou aos arquitetos que incorporassem as quadras
esportivas ao edifício principal, o que contribui
para a utilização das coberturas como
focos de atenção espacial e para que sejam
evitadas soluções improvisadas de fechamento.
A arquiteta Mirela de Mello, da FDE, ressalta que, apesar
das diversas características comuns, os projetos
resultaram em propostas individualizadas e de forte
personalidade.
Galpão compacto
Um dos quatro primeiros projetos a serem construídos
é assinado pelo escritório Andrade
Morettin. A unidade atenderá alunos de 5ª
a 8ª série do ensino fundamental e seu projeto
caracteriza-se como um galpão compacto e alto,
distribuído em térreo e mais três
pavimentos.
Segundo o arquiteto Marcelo Morettin, o prédio
será dividido internamente por uma rua central
com pé-direito que ocupa toda a altura do edifício;
sua cobertura translúcida garantirá iluminação
natural à circulação. Uma das
laterais acolherá as salas de aulas; a outra
concentrará cantina e pátio sob a quadra.
As janelas das classes serão recuadas para proteger
contra o sol e o fechamento com brises de PVC proporcionará
luz e ventilação naturais à quadra.
Térreo transparente
O projeto do escritório MMBB para a escola
de 1ª a 4ª série do ensino fundamental
será traduzido por uma construção
robusta e de fácil manutenção.
Como a área dos fundos do terreno recebe a melhor
insolação e é a primeira a ser
vista por quem entra no conjunto habitacional, os arquitetos
optaram por fazer da fachada posterior a principal e
concentrar ali o setor de convivência das crianças.
Isso ainda possibilitou usar o desnível natural
para acomodar a arquibancada da quadra, cujas laterais
apresentam elementos vazados de concreto para
garantir luz natural e ventilação cruzada
permanente, explica Milton Braga. O bloco administrativo,
no térreo, é marcado por transparências
que o integram à praça frontal da escola
e ao pátio de recreio.
Circulação fluida
Com 12 salas de aulas, a proposta do Una Arquitetos
para unidade destinada a alunos de 5ª a 8ª
série é dividida em térreo, dois
pavimentos e quadra na cobertura. De acordo com o arquiteto
Fábio Valentim, a linguagem do conjunto busca
evidenciar o sistema industrializado de construção
e tira partido, nas laterais, das juntas aparentes dos
painéis de vedação.
Acessos simétricos nas duas esquinas do
prédio promoverão a circulação
contínua. Para criar um anteparo solar, a proposta
prevê brises de alumínio no fechamento
lateral da quadra e nos patamares das classes. Como
o edifício é vizinho a outra escola dessa
primeira fase de obras, projetada por André Vainer
e Guilherme Paoliello, os arquitetos das duas unidades
se uniram para desenvolver um paisagismo que integrasse
as áreas externas dos dois prédios.
Espaços integrados
A unidade desenvolvida por André Vainer
e Guilherme Paoliello é dividida em térreo
e mais dois pavimentos, por onde se distribuem 15 salas
de aulas para turmas de 1ª a 4ª série
do ensino fundamental. Com acesso no centro do bloco,
a edificação terá no térreo
os setores administrativos e o refeitório, ambos
à direita; a outra extremidade será ocupada
por quadra de pé-direito triplo e pátio
de recreio, espaços que podem ser integrados
entre si e ao refeitório para atender a atividades
especiais.
A quadra receberá fechamento com grande brise
de tela expandida de metal, capaz de preservar a
ventilação e a iluminação
naturais, ao mesmo tempo em que controla a incidência
direta de sol ou água de chuva. O paisagismo
interliga suas áreas externas à escola
vizinha, projetada por Una Arquitetos.
Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 284 Outubro de 2003
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