Elio Madeira Arquitetura
PW Brasil Export, Colatina-ES
   
       
 
  Elementos metálicos compõem a estrutura, a cobertura e parte do fechamento das fachadas dos edifícios
       
 
Aço na Indústria Têxtil
 

Escolhido a melhor obra na categoria edificações industriais na premiação da Abcem em 2003, o conjunto de edifícios da PW Brasil Export foi construído com estrutura, cobertura e fechamentos metálicos. A ventilação e a iluminação naturais são garantidas por venezianas industriais e telhas translúcidas de PVC.

Centro comercial no norte do Espírito Santo, a cidade de Colatina passou a abrigar, a partir da década de 1960, indústrias produtoras de vestuário. Atualmente, as fábricas locais fornecem roupas para o mercado regional e também para grifes como a Yes Brazil, Vide Bula e Ellus.

Com planos de ampliar sua capacidade de produção, para atender ao mercado nacional e abrir oportunidades de negócios internacionais, a PW Brasil Export construiu um complexo industrial em terreno localizado 30 metros acima do plano da cidade. Se, por um lado, essa localização favorece a vista sem obstáculos de todo o vale do rio Doce, polarizador do desenvolvimento urbano, por outro expõe a edificação a temperaturas que chegam
a 40 graus
no verão.

Para reduzir o impacto provocado pela temperatura e pela exposição do edifício em área totalmente aberta, o projeto de arquitetura desenvolveu sistemas de iluminação e ventilação naturais, que possibilitam o funcionamento da indústria, no período das 7 às 17 h, sem a utilização de energia elétrica para os serviços de iluminação e ar condicionado. O partido arquitetônico criou quatro blocos, que abrigam administração, infra-estrutura, produção e lavanderia.

Elementos metálicos compõem a estrutura, a cobertura e o fechamento das fachadas dos edifícios. Segundo o arquiteto Elio Madeira, essa escolha atendeu tanto às exigências de dimensões dos vãos de cobertura e de fachadas quanto à necessidade de execução da obra em curto espaço de tempo. O processo também permitiu ao cliente planejar o desembolso gradativo de verbas em função da conclusão de cada etapa da construção. No total, foram utilizadas 220 toneladas de aço USI-SAC 41, para uma área estrutural de 9 200 metros quadrados.

Implantação
Orientados linearmente, os quatro prédios podem ser avistados de vários pontos da cidade. A arquitetura privilegiou a criação de largos de chegada e de praças entre os edifícios e reuniu, em um único pátio, os acessos aos depósitos e áreas de expedição. Monovias independentes e exclusivas servem ao trânsito de pessoas e de minicarros que transportam pequenas cargas entre os blocos de produção e lavanderia.

No edifício administrativo, fachadas de vidro permitem aos usuários avistar áreas distintas: de um lado, a cidade; de outro, os demais blocos da indústria; e, de um terceiro ponto, a paisagem mais distante de morros e matas. A proposta para o edifício era de planta livre, que permitisse várias possibilidades de layout. Para eliminar os pilares intermediários, a estrutura da cobertura vence vão de 60 metros lineares, apoiada em quatro pilares de 16 metros, que se conectam à cobertura através de tirantes metálicos.

Com 750 metros quadrados de área construída, o edifício que abriga o refeitório e o auditório possui em todo o perímetro da fachada um sistema de esquadrias pele de vidro. Anexo à edificação, uma pequena loja destina-se à ponta de estoque das coleções. A estrutura metálica da cobertura foi concebida de forma a apoiar-se em quatro pilares, consolidados a um conjunto de vigas metálicas de perfil I, estabilizados através do travamento do sistema de terças executado em perfil U enrijecido.

A área maior de todo o conjunto - 6 400 metros quadrados construídos - destina-se aos blocos de produção e lavanderia, que, apesar de atender a programas diferentes, têm envoltórios com a mesma proposta estética. Nos dois edifícios foi utilizado sistema de estrutura metálica constituído por um pórtico composto por dois pilares, um em cada extremidade, associado a uma treliça metálica curva, resultando em vão livre de 50 metros. O contraventamento da estrutura da cobertura é feito por tirantes, fixados a treliças e pilares metálicos estaiados no piso, em torno da área externa dos prédios.

Essa solução repete-se no comprimento dos blocos, com espaçamento de 10,30 metros. Com isso, foi possível criar planta livre nas áreas de produção e lavanderia, uma das principais exigências dos empreendedores para atender às futuras necessidades de mudanças e adaptações de layout, ou de uma possível expansão. Nesse caso, foi planejada a duplicação da estrutura sem interferência no funcionamento da fábrica.

Empenas translúcidas
Os blocos da produção e da lavanderia estão separados por vão de 10,30 metros, correspondente a um módulo da cobertura. No futuro, essa área poderá ser utilizada para expansão, interligando os edifícios. O resultado volumétrico obtido pela sucessão modular de pórticos conferiu interessante efeito plástico a todo o conjunto, reforçado pelas fachadas - empenas com seis metros de altura revestidas com venezianas translúcidas. Foram utilizados cerca de 2 300 metros quadrados de venezianas industriais, fabricadas em PVC, e 1 600 metros quadrados de telhas translúcidas do mesmo material, que garantiram melhor aproveitamento da iluminação e da ventilação.

Sheds instalados na área central da cobertura colaboram com a manutenção do conforto ambiental, permitindo que o ar quente, que tenderia a se concentrar nas áreas internas, seja dissipado para o exterior. Com esses recursos, eliminou-se a utilização de sistemas de ar condicionado. Aplicadas no fechamento frontal dos sheds, com cinco metros de altura, as venezianas brancas facilitam a captação do vento norte-sul, possibilitando a reciclagem do ar no interior da edificação.

O projeto de implantação desta unidade da PW Brasil Export também estabeleceu mecanismos para suprir a maior parte das necessidades exigidas para a operação da indústria. A água é captada de poço artesiano com capacidade para atender ao consumo médio mensal de até 1 milhão de litros, utilizados no processo de lavagem e tingimento das peças de vestuário. Foi criado um sistema de reaproveitamento da água proveniente dos processos químicos de tingimento, alcançando grau de limpidez de até 98%, segundo Elio Madeira. O projeto recebeu o Prêmio Abcem 2003, para melhores obras com aço, na categoria edifícios industriais.


Texto resumido a partir de reportagem
de Cida Paiva
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 36 Fevereiro de 2004

 
No edifício do refeitório e auditório, a estrutura metálica da cobertura está apoiada em quatro pilares, consolidados
a um conjunto de vigas metálicas de perfil I
 
A maior área construída do conjunto - 6 400 metros quadrados - destina-se aos blocos de produção e lavanderia, distanciados entre si por uma medida modular de 10,30 metros
 
O contraventamento da estrutura da cobertura é feito por tirantes, fixados a treliças e pilares metálicos estaiados no piso, em torno da área externa dos edifícios
 
Sheds na área central da cobertura permitem que o
ar quente, com tendência a se concentrar nas áreas internas,
seja dissipado para o exterior
 
Aplicadas no fechamento frontal dos sheds, com 5 metros de altura, as venezianas brancas facilitam a captação do vento norte/sul, colaborando com o sistema de ventilação
 
Para ventilar e iluminar o interior dos edifícios foram utilizados cerca de 2 300 metros quadrados de venezianas industriais, fabricadas em PVC, e 1 600 metros quadrados de telhas translúcidas do mesmo material
 
   
Fachada
 
Fachada
 
Fachada
 
Corte

Ficha Técnica
Obra:

PW Brasil Export
Local:
Colatina, ES
Projeto:
novembro de 2000
Conclusão da obra:
junho de 2003
Área do terreno:
21 560 m2
Área construída:
8 500 m2

Equipe técnica


Arquitetura:
Elio Madeira e Juliana Madeira
Projeto estrutural:
MCA - Carlos Augusto Nogueira Gama (engenheiro responsável)
Construção:
P & P - Geraldo Sérgio Pandolfi e Maurício Pandolfi (engenheiros responsáveis)
Fotos:
Tom Boechat/Usina de Imagem

 

Fornecedores
Fechamentos metálicos: Kofar  Venezianas Comovent e telhas de PVC: Grupo Como

veja também
  Flávio Cardoso e Guilherme Prado de Resende - Marista Hall, Belo Horizonte-MG
  Archepraxis Arquitetos - Clube Atlético Ypiranga, São Paulo-SP
  Sérgio Teperman - Conselho Regional de Química, São Paulo-SP
  Luiz Eduardo Índio da Costa - Residência, Cotia-SP
  Richard Meier - Igreja e centro comunitário, Roma-Itália
  Manoel Coelho Arquitetura & Design - Templo ecumênico, Curitiba-PR
 
patrocínio   informe publicitário
     
Índice Notícias Agenda Fórum Envie por e-mail