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Próximo de completar seu centenário
- foi fundado em 1906 -,o Clube Atlético Ypiranga,
em São Paulo, ganhou um edifício para
abrigar o novo conjunto de piscinas aquecidas. Fachadas
de vidro, protegidas por brises verticais,
conferem isolamento térmico e acústico
aos ambientes.
No local destinado à expansão do clube
havia, inicialmente, um estacionamento com 60 vagas
e uma quadra polies-portiva, configurando área
de 1 750 metros quadrados. A implantação
do conjunto de piscinas e do estacionamento exigia planos
horizontais extensos porém inexistentes,
devido ao tipo de ocupação. Outro fator
condicionante foi o desnível do terreno.
A solução que melhor atendeu ao projeto
foi a concepção de um edifício
vertical com três pavimentos, além
de mezanino e subsolo, para abrigar as piscinas aquecidas
- semi-olímpica, para adultos, e duas infantis,
integradas -, vestiários, apoio técnico,
quadra poliesportiva e vagas para 140 veículos
em dois níveis.
Carros e pedestres têm acessos independentes
por rampas que vencem o desnível do terreno
e direcionam o associado para a portaria do novo prédio.
Um bloco destacado do corpo da edificação
abriga o conjunto de circulações verticais.
Na fachada sul, uma rampa suave e suspensa configura
um túnel transparente que liga o piso dos vestiários,
no segundo pavimento, à área das piscinas,
no nível imediatamente superior.
O projeto teve como ponto de partida o conforto ambiental,
para o bem-estar dos usuários, e a facilidade
de manutenção. As fachadas da nova
edificação privilegiam vistas panorâmicas
dos jardins do clube e dos horizontes da cidade, permitindo,
ainda, a entrada do sol de inverno no ambiente
das piscinas e do mezanino. As transparências
evitam a sensação de confinamento.
Umidade e condensação
Segundo o arquiteto Alexandre Lipai, do escritório
Archepraxis, um dos problemas característicos
em áreas com piscinas aquecidas é o excesso
de umidade no ambiente, que causa condensação
do vapor de água. Na superfície das janelas,
provoca embaçamento e suor dos vidros, enquanto
na face inferior da cobertura produz gotejamento, além
de saturar a atmosfera com forte odor de cloro. Para
eliminar essas ocorrências, o projeto incorporou
à arquitetura detalhes construtivos e elementos
de iluminação e ventilação
naturais. No setor das piscinas, o pé-direito
médio é de seis metros, sob o banzo inferior
da viga-mestra da treliça, e dez metros sob o
oitão, em cada um dos três módulos
que compõem a cobertura.
Na cumeeira de cada módulo, um ventilador
não mecanizado movimenta o ar com baixa velocidade,
através de sistema integrado e manual de controle
de aberturas inferiores. Planos de vidro estrategicamente
inclinados favorecem a entrada e a movimentação
do fluxo de ar, impedindo a condensação
na fachada norte. O ângulo de inclinação
das tesouras que apóiam as telhas e compõem
o oitão foi estudado para que as gotas condensadas
não se precipitem sobre os usuários, mas
deslizem em direção à calha, na
extremidade.
As fachadas envidraçadas, que circundam
três das quatro elevações, são
parcialmente protegidas por brises, que permitem a entrada
de sol no inverno e impedem sua incidência no
interior do edifício no verão. Vãos
de iluminação zenital, em trechos
da cobertura, completam a iluminação natural.
Proteção acústica
Uma das questões abordadas pelo projeto é
a do ruído proveniente do trânsito
nas vias que circundam o clube. A fachada frontal ao
corredor da rua do Manifesto, com orientação
oeste, foi tratada com brises em lâminas
verticais, que, além de impedir a entrada do
sol de verão, têm a função
de anteparo acústico. Os vãos entre
as lâminas formam pequenos terraços que
contribuem para atenuar o barulho. A solução
da acústica interna tem início na forma
irregular e facetada com que esses terraços
delineiam as faces internas das fachadas, minimizando
a reverberação do som no interior
do edifício.
Fácil manutenção
Para facilitar o acesso e a manutenção
da cobertura, limpeza de vidros nas fachadas e troca
de luminárias e lâmpadas, foram desenvolvidos
detalhes especiais - abas de concreto, passadiços
internos e externos à cobertura, calhas transitáveis
e suportes de apoio. Na fachada norte, os quebra-sóis
são grelhas horizontais dispostas de forma a
permitir o acesso do pessoal de manutenção.
Dutos de prumadas para instalações de
hidráulica e elétrica foram estrategicamente
posicionados para facilitar futuras expansões.
Jardineiras ao longo das fachadas criam ambientação
e suporte externo para manutenção dos
caixilhos. O desenvolvimento e o acompanhamento de detalhes
de fabricação da estrutura metálica
da cobertura também levaram em consideração
a necessidade de evitar pontos de concentração,
acúmulo de água e conseqüente corrosão.
Sistema construtivo
O edifício foi construído com estrutura
de concreto armado moldado in loco, com exceção
do bloco de circulações verticais, que
utilizou sistema estrutural com perfis compostos de
chapas de aço. A modulação
dos vãos segue malha básica de cinco metros
no eixo longitudinal, mas é variável no
transversal, para ajustar a distribuição
de cargas da caixa da piscina e dos vãos de manobras
e vagas dos estacionamentos. Exceção ocorre
no último pavimento, o pátio das piscinas,
que possui dois pórticos paralelos e contínuos
de concreto, com pilares a cada cinco metros, distanciados
entre si por um vão de 29,50 metros, vencido
pelas vigas-mestras em treliça de aço
que estruturam a cobertura metálica.
Na cobertura, telhas trapezoidais de aço
pré-pintadas estão apoiadas em estrutura
com vigas-mestras vencendo vãos livres de 26
metros.
As tesouras são compostas por treliças
fabricadas com perfis de chapas soldadas e galvanizadas
a fogo. Sistemas complementares de apoio nas telhas,
como passadiços e malha de aterramento,
foram deta-lhados com soluções especiais
para minimizar as furações ou fixações.
Nas vedações foi utilizada alvenaria
de bloco, revestida com plaquetas de cerâmica.
Paredes de blocos de vidro garantem privacidade sem
impedir a passagem de luz. A caixilharia tem perfis
de alumínio anodizado na cor preta e vidros laminados
incolores de seis milímetros. Em áreas
que têm contato visual com a rua, os caixilhos
receberam vidros serigrafados no nível do peitoril,
que proporcionam resguardo visual. Exceção
ocorre com o grande plano de vidro da fachada norte,
composto de montantes inclinados que se apóiam
na viga-mestra da cobertura, estruturando as esquadrias,
para cobrir vão de 20 metros de largura e seis
de altura. Esses elementos também criam apoios
para as placas do quebra-sol.
A alimentação de água para
os diversos usos provém de uma torre de concreto
construída com fôrmas des-lizantes de 26
metros de altura.
Ela deve participar também na alimentação
dos edifícios mais antigos. No nível técnico,
abaixo da caixa da piscina semi-olímpica, foram
previstos dois reservatórios de coleta da
água proveniente das canaletas de borda da
piscina, que retorna ao sistema de tratamento. O aquecimento
das piscinas e dos chuveiros utiliza gás natural
da rede pública, com sistema de aquecedor de
passagem.
Texto resumido a partir de reportagem
de Cida Paiva
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 36 Fevereiro de 2004
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