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Pontual Arquitetos
Centro de compras Paço Alfândega, Recife-PE |
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O Paço Alfândega
ocupa a margem do rio Capibaribe; à esquerda está
a catedral e à direita, o edifício-garagem |
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| De convento a centro de compras |
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Destinado às classes média
e alta, o centro de compras Paço Alfândega
promete ser a âncora da revitalização
da porção sul da ilha do Recife, centro
histórico da capital pernambucana.
Com usos anteriores diversos, como convento e armazém,
o edifício foi construído em 1720.
E, agora adaptado por Carlos Fernando Pontual, faz parte
de grande empreendimento dividido em
quatro volumes, todos na margem do rio Capibaribe.
A transformação de prédios antigos
em centros de compras é temática presente
no Brasil - onde é exemplo o Shopping Light,
de Carlos Faggin, em
São Paulo (leia
mais) - e em outros países, como o Pátio
Bullrich, de Juan Carlos Lopez, em Buenos Aires.
Esse tipo de intervenção, bastante utilizada
para revitalizar áreas degradadas, transita entre
a preservação de elementos históricos
fundamentais
e o arranjo interno que viabilize o empreendimento.
No caso do Paço Alfândega, a mudança
de uso de um edifício do século 18, tombado
pelo Instituto do Patrimônio Histórico
Nacional (Iphan), submeteu o projeto a uma série
de exigências.
Prospecções arqueológicas e arquitetônicas
(que se estenderam por mais de um ano)
permitiram descobrir elementos das diversas
etapas de existência da edificação
(leia o quadro).
Como resultado, paredes originais desnudadas
- apesar de tratar-se, historicamente, de edifício
rebocado - pontuam o interior com trechos de alvenaria
(de tijolos ou de pedra e tijolos) e revelam elementos
do passado e da técnica construtiva.
“É uma aula de construção. As vergas
possuem interessante desenho”, relata Carlos Fernando
Pontual.
Como o volume ocupa uma quadra inteira, foi possível
abrir quatro entradas, voltadas para faces diferentes.
Os acessos no leste e no oeste rasgam
a antiga alvenaria com um desenho “inusitado, uma
caligrafia nova”, segundo o arquiteto. No entanto,
mesmo ali manteve-se aparente o ritmo das janelas de
antigas celas de convento.
A marca nítida dos locais de intervenção
norteia todo o projeto, aproximando-se dos princípios
da Carta de Veneza.
A estrutura interna é nova, uma vez que
não mais existiam os velhos pavimentos em assoalho
(que, de qualquer forma, seriam inadequados ao programa).
Pontual criou uma malha estrutural metálica independente
da antiga alvenaria, mas, para “buscar uma ordem
arquitetônica”, utilizou os mesmos eixos das
arcadas sobreviventes. O aço foi escolhido por
gerar menos impacto nos elementos preexistentes.
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Iluminado pela cúpula,
o átrio central preserva
arcadas do século 18 |
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| O terraço do terceiro
andar é um mirante |
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| Equipamentos do elevador
panorâmico estão à mostra |
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| Estrutura metálica segue
modulação das alvenarias |
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Trechos da alvenaria existente
dividem circulação e loja
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A estrutura metálica segue
a modulação
das arcadas de alvenaria |
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O Paço Alfândega possui
82 lojas e quatro pisos.
Os três primeiros são ocupados pelas unidades
de comércio, com núcleo de serviços
na porção sudeste do volume.
A distribuição segue a tipologia de centros
de compras, alternando corredores e largos - o maior
destes é o átrio central, que,
ligeiramente deslocado para o sul, interliga espacialmente
(com escadas rolantes e elevador panorâmico) todos
os pavimentos.
Nesse grande vazio - que é o ponto de convergência
do fluxo, segundo Pontual -, destacam-se a nova cúpula,
que o ilumina, e a alvenaria antiga, com dois conjuntos
de três arcadas sobrepostas. A praça de
alimentação, no segundo andar, é
o outro grande largo do conjunto.
O pé-direito mais alto do térreo possibilitou
a criação de um andar técnico intermediário,
no perímetro da construção. O Paço
Alfândega liga-se ao edifício-garagem por
meio de uma passarela no primeiro andar, que aproveita
o vão de uma grande arcada construída
para acesso de locomotiva e caminhões, na época
em que o edifício foi depósito de açúcar.
“Colocar a ligação naquele local foi uma
forma de evidenciar o acesso existente no passado. Antes
havia um trilho no chão, agora vai haver outro
no alto”, analisa Pontual.
O terceiro andar, por sua vez, possui cobertura
plana, situada entre dois elementos preexistentes, mais
altos e lineares, que ladeiam as porções
norte e sul. A cúpula, que ilumina o vazio central,
faz parte dessa cobertura.
Nesse piso estão três restaurantes e uma
galeria de arte, circundados por um terraço
de onde se pode visualizar o rio, a oeste, e
o mar, a leste. Dessa forma, percebe-se o desenho
da ilha do Recife, porção de terra onde
nasceu a cidade.
O Paço Alfândega é parte de um empreendimento
dividido em quatro volumes. Dois deles são edifícios
de múltiplo uso projetados por Paulo Mendes
da Rocha - garagens, centros de convenção
e locais de eventos -, que estão em fase final
de construção.
A quarta edificação é um exemplar
eclético do final do século 19, cuja adaptação
está a cargo de Luciana Menezes. O prédio
abrigará, entre outros itens, oito salas de cinema,
e está implantado ao norte do Paço Alfândega,
logo após a igreja da Madre de Deus, catedral
do Recife.
Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 290 Abril de 2004
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Escadas rolantes e elevador
panorâmico
interligam todos os pisos |
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| Algumas lojas utilizam aberturas
da alvenaria como vitrine |
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| As instalações
de ar-condicionado são visíveis |
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| Diferentes
usos, em quase 300 anos |
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| O
edifício em 1858, com as torres laterais
mais altas, antes do incêndio |
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Por seu porte e história, o edifício
do Paço Alfândega possui grande importância
para Recife. Ele foi erguido ao lado da igreja
da Madre de Deus, em 1720,
para abrigar o convento dos padres da Ordem de
São Felipe Néri. Pouco mais de cem
anos depois, em 1826, a Alfândega
de Pernambuco foi transferida
para o prédio, que passou por adaptações,
concluídas em 1841. Uma dessas mudanças
foi a abertura da rua da Alfândega, que
hoje separa a construção
da igreja.
Em 1922, o edifício sofreu um incêndio.
A partir de 1932, foi transferido para
a Santa Casa de Misericórdia, que o alugou
para diversos inquilinos, entre eles usineiros
de açúcar, que adaptaram a edificação
para utilizá-la como armazém. Nos
últimos anos, totalmente degradado, o espaço
era um estacionamento.
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Ficha Técnica
Paço Alfândega
Local
Recife, PE
Projeto
2000
Conclusão da obra
2004
Área do terreno
3 772 m2
Área construída
13 605 m2
Arquitetura
Pontual Arquitetos - Carlos Fernando Pontual (autor);
Iona Medeiros
(colaboradora); Luciana Menezes Consultoria e Projetos
(escritório associado)
Estrutura
Engedata
Climatização
Planejamento Térmico Integrado
Luminotécnica
Via Arquitetura
Acústica
Berenice Lins
Instalações
Andrade Lima
Fundações
Ensolo
Controle técnico
Tecomat
Consultoria
histórica/
prospecção arquitetônica
José Luiz Mota Menezes
Prospecção arqueológica
Instituto Ouricuri
Restauro e
apoio de pesquisa
Jorge Passos
Construção
JAG
Fotos
Fred Jordão/
Imago Fotografia
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Fornecedores
Cerâmica Brennand, Tecnogran (pisos); Sanvidro
(vidros); Usiminas (perfis metálicos);
Knauf (forro); Atlas (elevadores e escadas rolantes);
Eliane, Alucobond (revestimentos); Coral (tintas)
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