Eduardo Crafig, Fernanda Neiva e Rita Martinussi
Edifício DVR Alphaville, Barueri-SP
   
       
 
  Pilotis e volume horizontal lembram superquadras de Brasília
       
 
Raízes modernas e
elementos da cidade tradicional
 

Visto de fora, o volume quase banal parece indicar que os autores não estão interessados em criar um marco urbano.

Toda a energia do projeto concentra-se na criação do espaço semipúblico no térreo, estratégia que procura anular o “efeito Alphaville”, condomínio fechado cuja área comercial é composta por edifícios baixos, como o Club Center, de Luiz Fernando Rocco (leia PROJETODESIGN 222, julho de 1998), e altos, como o Stadium, de Königsberger Vannucchi.

Apesar do mix de programas estabelecidos na área comercial de Alphaville (serviços, escritórios e prédios de apartamentos), as longas distâncias e a concentração em um centro comercial praticamente anulam o trânsito de pedestres.

Na contramão desse processo, o projeto do edifício DVR procura estimular o convívio entre os usuários do espaço. Para tanto, utiliza elementos da cidade tradicional, como eixos, praças e bancos.

No entanto, o repertório espacial vem do modernismo: pilotis, caixilhos generosos, grandes vãos, continuidade interior/exterior, núcleos que agrupam circulação vertical e serviços, por exemplo.

O edifício desenhado por Eduardo Crafig, Fernanda Neiva e Rita Martinussi tem cinco pavimentos: subsolo, pilotis e três andares-tipo.

Os acabamentos são simples, em comparação com outros edifícios de mesmo programa: piso externo cimentado, madeira na recepção, espera e hall de elevadores, revestimento de agregado mineral jateado. Em contrapartida, o detalhamento rigoroso chega ao desenho do corrimão das escadas de emergência.

Depois do controle de acesso, o visitante está diante de uma praça central que ajuda a iluminar todos os conjuntos. O eixo de entrada é acompanhado pelo espelho d’água, que se estende até o auditório envidraçado.

O espaço do térreo é uma experiência sensorial que permite desfrutar a liberdade de um local controlado. Os quatro núcleos de elevadores abrem-se diretamente no pilotis, sem a necessidade de halls fechados.

Fora e dentro dos escritórios, os volumes que agrupam circulação vertical e serviços foram pastilhados com peças pretas. Isso induz à leitura da continuidade entre interior e exterior. O hall dos elevadores nos andares-tipo é iluminado por caixilhos voltados para o pátio.

As portas de cada um dos 24 conjuntos possuem o mesmo acabamento das portas pivotantes da entrada: são revestidas por laminado melamínico amarelo. Cada pavimento-tipo possui oito conjuntos, que, se unificados, possibilitam dezenas de combinações.

No entanto, o prédio foi alugado por uma única empresa. Os escritórios, que se abrem para o pátio e para fora do volume, possuem piso elevado, rebaixado em relação à laje. A estrutura é livre, com vão de dez metros, e a laje é protendida, executada com fôrmas plásticas.

Apesar da cuidadosa espacialidade, os autores não perderam de vista as necessidades atuais dos edifícios de escritório: segurança, estacionamento de visitantes, auditório, espaço de convivência, piso elevado e ar-condicionado, entre outras.

Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 290 Abril de 2004

 
Enquanto a face frontal possui caixilharia contínua,
as laterais apresentam três aberturas horizontais
 
O volume da circulação vertical é revestido
com pastilhas pretas
 
As portas amarelas são revestidas com laminado melamínico
 
Junto à recepção, o acesso avança sobre o espelho d’água
 
Nos pavimentos-tipo, o hall dos elevadores
possui piso de madeira
 
   
Cercado por torres, edifício tem adensamento com baixo gabarito

Ficha Técnica
Edifício DVR Alphaville
Local
Barueri, SP
Projeto
2002
Conclusão da obra
2003
Área do terreno
6 570 m2
Área construída
14 570 m2
Arquitetura
Eduardo Crafig, Fernanda Neiva e
Rita Martinussi
Paisagismo
Carmem Arrudão
Estrutura
Benedictis, Engeprot e Protensão
Fundações
Benedictis
Elétrica e hidráulica
HF
Ar condicionado
Arcoplan
Impermeabilização
Proassp
Construção
Walter Torre Júnior
Fotos
Nelson Kon

 

Fornecedores
Semith (cobertura metálica); Polimix (concreto); ThyssenKrupp (elevadores); Rochtec (combate a incêndio);
Tecwall (esquadrias de alumínio); CIA TEC (estrutura); Mac (protensão); Fulget (revestimento da fachada);
Ciasul, Maurício Canassa (forros); Oliveira (fundações); ACR TEC, Incar (impermeabilizações); Lumini (luminárias); Gramape (mármores e granitos); Plano (piso de concreto); Pisoag (piso elevado); Duvalli (piso de madeira);
Jatobá (pastilhas); Sherwin Williams (tintas); Trane, Runter (ar-condicionado); LM (vidros);
Baraúna, Bianca Zanetti, JLK (marcenaria); Angelo’s, Classic Metal, Donaldone (serralheria);
Dimep (catracas e cancelas); Reset (hidráulica e elétrica)

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