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As estações viárias
de transferência desenhadas por Marcelo Barbosa
e Jupira Corbucci compõem o sistema de
transporte público integrado da prefeitura paulistana.
Criadas para ocupar os corredores (agora chamados de
Passa-Rápido), as estações
são estruturadas por dois pórticos paralelos,
cada qual formado por uma linha curva contínua.
O sistema estrutural das plataformas inverte a lógica
convencional das paradas de ônibus, criadas a
partir de cortes transversais.
Vencedor de concurso fechado do qual participaram
outros cinco escritórios locais (Bruno Padovano,
Cauduro/Martino, Marcelo Aflalo, Piratininga e Ruy Ohtake),
o projeto de Barbosa e Corbucci propõe estações
de transferência com dez tamanhos, a partir de
um desenho básico. Segundo Barbosa, era o único,
entre os concorrentes, que não partia da multiplicação
de pequenos pontos de ônibus.
“Na maioria dos casos, estão previstas grandes
plataformas: não faz sentido multiplicar pequenas
estruturas”, relata o arquiteto. Outro ponto favorável
ao projeto é a instalação em vias
inclinadas: se fossem modulares, acabariam criando
um indesejável escalonamento da cobertura.
Além dos corredores, existe a possibilidade de
implantar as estações em passeio público,
por isso não é interessante que elas tenham
“uma fachada” impedindo a visão. Para reduzir
ao máximo a interferência urbana, os autores
inverteram o processo de criação de paradas
de ônibus, geralmente projetadas a partir de cortes
transversais.
O desenho adotado utiliza dois pórticos longitudinais,
cada um formado por uma viga metálica calandrada,
com 22 centímetros de espessura, apoiados em
delgados pilares centrais de seção circular,
com nove centímetros de diâmetro. Os pórticos
são travados na cobertura por terças metálicas.
No memorial apresentado pela equipe, a curvatura é
justificada por aproximar-se da “estética
automobilística“.
Para facilitar a produção em série,
a curva se repete nos diferentes tamanhos de estação,
que possui dez variações combinando as
seguintes dimensões: 38,40; 20,40; e 7,70 metros
de extensão, e 2,60 ou 1,80 metros de largura.
O acesso de pedestres ocorre pelas laterais,
através de pequena rampa. A plataforma é
sempre fechada por guarda-corpos em um dos lados, enquanto
o oposto é utilizado para embarque de passageiros.
Por isso, existem, no mínimo, duas plataformas
(em mesmo alinhamento) em cada estação
de transferência, cada qual servindo um sentido
de tráfego.
Dessa forma, diminui o espaço físico
que as atuais estações ocupam nas vias
públicas. Os ônibus, nesse caso, terão
as portas invertidas, uma vez que o acesso será
à esquerda, do mesmo lado do motorista.
O piso é composto por ladrilhos hidráulicos
com desenho característico do mapa do estado
- uma continuidade do passeio público -, intercalados
por faixas de piso cuja textura é percebida pelos
deficientes visuais.
As plataformas são providas de equipamentos como
bancos, painel informativo, guarda-corpo e apoio glúteo.
Não foi previsto espaço para publicidade.
As laterais possuem bandeiras de policarbonato que aumentam
a capacidade de abrigo e são suporte para a comunicação
visual. Defensas de concreto protegem a estrutura e
os usuários de possíveis acidentes.
A cobertura é composta por chapa metálica
lisa, levemente inclinada. As águas pluviais
são recolhidas por calha embutida, cuja tubulação
segue junto aos pilares curvos. O projeto chega ao requinte
de possibilitar a instalação da cobertura
próxima a árvores de grande porte, abrindo-a
parcialmente. A proposta inicial contava com variado
estudo cromático: no entanto, está prevista
somente a utilização do vermelho.
A eletrônica permitiu monitorar carros
(que eventualmente invadam a faixa de ônibus),
plataformas (para flagrar possíveis vandalismos)
e ônibus (painéis eletrônicos informam
ao usuário o tempo exato para a chegada do veículo
esperado). Segundo a prefeitura, uma das vantagens do
sistema proposto é permitir a criação
de mapas de ônibus da cidade, da mesma
forma como se faz com o metrô.
Segundo estudos da SPTrans - administradora do
sistema de transporte público paulistano -, o
sistema em implantação pode reduzir em
até 30% a quantidade de ônibus nos atuais
corredores.
O escritório de arquitetura é responsável
somente pelo desenho do equipamento: a implantação
das 345 estações previstas (cada uma com
duas, três ou quatro plataformas) está
a cargo da SPTrans e da Companhia de Engenharia de
Tráfego.
As primeiras estações de transferência
em operação, inauguradas em abril, ocupam
o trecho inicial do corredor 9 de Julho, da praça
da Bandeira até o túnel. São duas
paradas: INSS (com duas plataformas) e Getúlio
Vargas (com três plataformas).
Além do equipamento, a municipalidade promoveu
uma requalificação do espaço
urbano: a tipologia do calçamento foi unificada,
nova iluminação foi instalada e a fiação
agora é subterrânea.
Há certo simbolismo nessas imagens da
9 de Julho: criada em 1941, a avenida representou o
progresso paulistano. Ali, a partir de então,
se sobrepuseram diversas intervenções,
públicas e privadas, para o bem ou para o mal.
Com suas estações, Barbosa e Corbucci
agora convivem, entre outros, com Prestes Maia e
Uchoa Cintra, Vilanova Artigas, Croce Aflalo & Gasperini
e Lina Bo Bardi.
Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 291 Maio de 2004
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