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O posicionamento do terreno - abaixo
do nível da rua - foi determinante no projeto
do terminal de ônibus de Pirituba (zona noroeste
de São Paulo), no qual a transparência
evita nos usuários a sensação de
confinamento. Desenvolvida pelo escritório Una
Arquitetos, a proposta também se diferencia por
apresentar o bloco de serviços na plataforma
central, iluminada através de lanternim.
O terminal situa-se em lote junto da estação
da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM)
e da subprefeitura da região, instalada
sob o viaduto que corta a linha férrea. No local
funcionava originalmente uma garagem para a manutenção
de veículos oficiais, o que facilitou a adaptação
às necessidades do novo equipamento urbano. A
condição mais desafiadora foi o posicionamento
do lote, em cota inferior à da rua.
Segundo o arquiteto Fernando Viégas, um
dos autores do projeto, foi preciso realizar grandes
cortes para criar os taludes que fazem a transição
entre os diferentes níveis de três das
quatro vias adjacentes. Para evitar que os usuários
tivessem a sensação de confinamento nesse
terreno afundado, os arquitetos tomaram como ponto de
partida a criação de estruturas leves
e de grandes áreas transparentes, a fim de
preservar a vista para o entorno.
“A intenção da transparência
originou o desenho”, resume o arquiteto.
Outro dado importante do projeto também se relaciona
ao terreno em que ele foi implantado. Há
ali um recorte em forma de dente, área que, por
pertencer à subprefeitura, não pôde
ser incorporada ao terminal.
Essa situação implicou a criação
de dois acessos, um em cada extremidade do recorte.
O primeiro, na cota inferior, faz a conexão com
a estação ferroviária e caracteriza-se
como uma pequena construção térrea
que baliza a entrada. O segundo se dá pela cota
mais alta e é marcado pela passarela metálica
que também leva ao bloco administrativo, dividido
em dois pavimentos.
A fim de reduzir interferências no tráfego
intenso da região, duas entradas e uma saída
para os veículos foram posicionadas na cota inferior,
aproveitando a única via em nível com
o terreno e cujo movimento é menor que o da avenida
principal. Uma rotatória organiza os fluxos
de entrada e saída e propicia o acesso às
vias nas mãos corretas.
Internamente, o fluxo é distribuído por
três plataformas de 173 metros de comprimento,
separadas por duas ilhas de diferentes larguras. A proteção
é dada por coberturas planas, vazadas
na área central em toda a extensão, exceto
nos pontos de travessia de pedestres.
A ilha mais larga concentra as caixas de concreto que
fazem o contraventamento estrutural e abrigam os blocos
de serviços - sanitários e telefones
públicos, lixeiras, hidrantes e comunicação
visual. Distantes 28,80 metros umas das outras, essas
caixas recebem luz natural por meio do lanternim
e são intercaladas pelos pilares de concreto
que servem de apoio à estrutura espacial.
O escoamento da água da chuva é feito
pelas vigas transversais e por dutos acessíveis
que correm por dentro dos pilares. Pavimento de concreto
nas faixas de rolamento, ladrilho hidráulico
nas áreas de pedestres e telhas termoacústicas
na cor branca foram os principais materiais empregados.
O terminal integra o sistema Passa-Rápido Pirituba-Lapa-Centro,
criado pela Secretaria Municipal dos Transportes (SPTrans)
para interligar a região de Pirituba ao centro
da cidade. O percurso totaliza cerca de 15 quilômetros
e inclui o terminal
de ônibus urbano da Lapa.
Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 291 Maio de 2004
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