Clorindo Testa
Auditório da Universidade do Salvador,
Pilar, Argentina
 
Montanha de concreto e metal
 

Marcando presença no campus da Universidade do Salvador, o auditório projetado pelo arquiteto Clorindo Testa assemelha-se a uma montanha artificial formada por chapas metálicas irregulares, pintadas de verde. Junto com o edifício da biblioteca, em fase de conclusão e também da autoria de Testa, é um elemento de atração em meio a construções de pequeno significado arquitetônico.

O convite para a ampliação do campus partiu da própria universidade, fundada há dois séculos por jesuítas, mas, já há algum tempo, laica. Numa grande área cortada pelo rio Luján, situada na via Panamericana, a cerca de 40 quilômetros de Buenos Aires, erguem-se a biblioteca (implantada perto das construções existentes e ainda não concluída) e, na outra margem, o conjunto do auditório, terminado há um ano.

Entre as duas obras emergem, simbolicamente, pedaços da paisagem: arroios, pontes, montanhas, arvoredo reaparecem interpretados segundo conceitos do arquiteto, que coroa a edificação do auditório com um grande terraço aberto ao horizonte, artifício recorrente na maioria de suas obras.

O edifício do auditório foi idealizado como uma montanha de concreto, revestida com as chapas metálicas pintadas de verde - a simulação de um elemento natural dentro da paisagem, esclarece
o arquiteto. A seu lado, pequenos montes, como casulos, abrigam salas de aulas, que, ao se comunicar com o auditório por meio de grandes caixilhos envidraçados e portas de correr, conformam um único espaço.

Da passarela externa, que leva ao belvedere por meio de rampas suaves protegidas por gradis vermelhos, avistam-se panoramas diferentes do campus, nas etapas do percurso, e as competições de remo promovidas pela escola. Sustentada por finos pilares, a rampa, que parece pousada num dos casulos e na cobertura, faz alusão à ponte sobre o riacho.

O programa pedia que o espaço, além de 600 lugares para espetáculos culturais - teatro, dança
ou recitais de música -, pudesse se transformar em local para atividades desportivas. Por isso, parte do auditório situa-se no nível do piso - a platéia, com assentos móveis - e outra parte em arquibancada. Quando retiradas as cadeiras, a área fica livre para
a prática de esportes.

Portas corrediças permitem, com a abertura do palco para a área externa, espetáculos ao ar livre. Para obter flexibilidade espacial e funcional, o edifício dispõe de uma série de painéis divisórios móveis com proteção acústica, dispostos de tal modo que possibilitam diferentes configurações tanto no salão como no palco.

Além de cinco salas de aulas, complementam
o programa espaços para centro acadêmico, lanchonete, sala de múltiplo uso, camarins com sanitários, sala de ensaios, depósito e bloco de sanitários para os esportistas.

 
Passarela externa: rampas suaves, protegidas por gradis vermelhos, levam até o terraço do edifício
 
Detalhe da entrada da edificação
 
Marcando a entrada principal, a coluna-escultura foi pintada
de amarelo para fazer referência às flores da região
 
Auditório e salas de aulas conformam espaço único
 

Todas as estruturas são de concreto. Internamente, as paredes do auditório receberam tratamento isolante com materiais acústicos e pisos de tábua. No pavimento técnico estão acoplados refletores e luminárias, à vista.

As esquadrias, confeccionadas com chapas dobradas de aço pré-pintado, receberam cor branca. Para proteger os sheds de iluminação, foram colocadas cortinas de tela. A parte externa foi pavimentada com mosaico de granito e blocos de cimento.

Na fachada frontal, pilares em pórticos verdes compõem um cenário para a coluna-escultura que marca a entrada principal e cuja cor, amarela, faz referência às flores da região.

Desde o projeto do Banco de Londres, realizado há mais de 40 anos, Clorindo Testa mantém seu traço forte e inconfundível na paisagem contida e severa de Buenos Aires e arredores (leia entrevista com o arquiteto).

No auditório, tudo é simples e funcional, com a marca pessoal de Testa. As cores e as formas geométricas das aberturas – triângulos, quadrados, semicírculos - remetem a outras obras suas: as casas em Ostende e em Pinamar, ambas com mirante e muita cor; o Buenos Aires Design Center, na Recoleta; e o Auditório de La Paz, entre outros.

A nova obra, como cada um de seus trabalhos, mantém uma simbologia pertinente à paisagem local. Um projeto inequívoco de Clorindo Testa, que ganhou recentemente o concurso internacional para o desenho da Cidade Cultural de Buenos Aires.

Texto resumido a partir de reportagem
de Haifa Sabbag
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 292 Junho de 2004

 
O auditório é revestido por chapas metálicas pintadas de verde
 
O auditório possui dois setores: arquibancada e assentos móveis, que, quando retirados, permitem o uso desportivo
 
   
Do auditório, avistam-se os casulos das salas de aulas

Ficha Técnica
Auditório da Universidade do Salvador
Local
Pilar, Argentina
Projeto
1998
Conclusão da obra
2002
Área construída
2 400 m2
Arquitetura
Clorindo Testa (autor);
Juan Fontana e
Eduardo Bompadre (colaboradores)
Fotos
G. Soza Pinilla

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