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Os
programas brasileiros para a construção
de habitações não conseguem sequer
se aproximar do déficit habitacional,
um número impreciso, que já bateu em 12
milhões de unidades e hoje está estimado
em cerca de 5 milhões. Mesmo assim, nos
anos 90, a construção civil brasileira
conseguiu reverter a paralisia provocada pela falência
do Sistema Financeiro da Habitação, na
década anterior, e realizar algumas obras habitacionais.
Na esfera governamental, o melhor exemplo
da década foi a urbanização de
favelas, com destaque para o Rio de Janeiro -
com o programa Favela-Bairro.
Em São Paulo, algumas experiências
positivas surgiram na gestão da prefeita Luíza
Erundina, das quais sobressai-se o Conjunto Habitacional
Rio das Pedras (1991/97; PD 213), de Bruno Padovano
e Hector Vigliecca. Localizado em São Miguel
Paulista, na zona leste da capital, o conjunto possui
296 unidades habitacionais construídas pelo sistema
de mutirão e autogestão. O projeto propõe
a valorização do desenho da cidade e seu
tecido urbano, através das esquinas-portais,
dos volumes no alinhamento e da praça central.
Construído em Belo Horizonte, o Residencial
Gameleira (1993/94; PD 196), de João Diniz,
é um exemplo de alternativa criada pelo setor
privado. Os três blocos lineares acomodam-se em
acentuada topografia.
Sem nunca ter executado um conjunto habitacional aqui,
o escritório Brasil Arquitetura, de Marcelo Ferraz
e Francisco Fanucci, ganhou um concurso entre 56 escritórios
latino-americanos para a requalificação
do Bairro Amarelo (1997/98), no antigo setor
oriental de Berlim, Alemanha. O bairro abriga
12 mil pessoas e a nova caracterização
foi criada com cores populares da arquitetura brasileira,
muxarabis, azulejos e portais com esculturas dos artistas
plásticos Siron Franco, Amílcar de Castro,
Frans Krajcberg e Miguel dos Santos.
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