Indústrias
Anos 90
Modernizar, sem perder a ternura
 

A indústria brasileira passou por momentos difíceis nos anos 90, em razão de mudanças na economia nacional e da nova ordem mundial. Frente ao mercado competitivo, o setor tinha de modernizar-se, para não fechar as portas. A arquitetura de boa qualidade esteve presente, algumas vezes, nesse processo, principalmente para evidenciá-lo.

Junto com a necessidade de modernização, parte da indústria nacional seguiu a transformação ocorrida nos parques industriais dos países desenvolvidos, que humanizaram os locais de trabalho e incluíram preocupações ecológicas no processo de produção. Um dado espacial concreto é a separação clara entre os setores produtivo e administrativo.

Um dos setores industriais cuja transformação recorreu a bons projetos de arquitetura foi o de parques gráficos. O primeiro a passar por modernização foi o centro gráfico da Folha de
S. Paulo
(1992/95; PD 194), de Paulus Magnus, implantado próximo à capital paulista.

O Diário Popular construiu, também em São Paulo, novas instalações gráficas, com projeto de Valente, Valente. Em Duque de Caxias-RJ, o parque gráfico de O Globo (1996/98; PD 230) - projeto do australiano Kenneth Sowerby - possui área construída de 67 mil m2, finalizado por ampla cobertura metálica branca. A cobertura é definida pelo autor como uma espécie de marquise - sustentada por colunas inclinadas e delgadas -, que mantém o edifício à sombra, e remete à monumentalidade da escola carioca. Também no Rio, o escritório Mindlin e Associados projetou o parque gráfico de O Dia.

O investimento em tecnologia e controle de qualidade minimizou custos operacionais e gerou, algumas vezes, edificações de qualidade. Esse é o caso da Marilan (1996/98; PD 230), de Cláudia Nucci, Sérgio Camargo e Valério Pietraróia. O desejo de sofisticar a linha de produtos acabou gerando a modernização da linha de produção e pesquisa dessa empresa alimentícia, localizada em Marília-SP.

Já a Lever (1996/98; PD 230), de Sidônio Porto, tem como destaque o sistema construtivo. A empresa foi erguida no meio de um coqueiral, em Igaratu-PE, com elementos de concreto, que funcionam como venezianas, desenhados pelo arquiteto e fabricados especialmente para a obra. Assim, o projeto cria uma interpretação de elementos locais e da própria arquitetura brasileira.

O setor de importação e exportação também passou por grande transformação. Entre os projetos ligados a essa área estão a central da Coimex, em Vitória-ES, de Feu Rosa, e o entreposto alfandegário de Sorocaba-SP (1997/2000; PD 246), de Cláudio Libeskind. Este último é reflexo da descentralização do sistema portuário no país, privatizado.

Um projeto singular e de difícil classificação é o CPD do Unibanco, em Cotia-SP (1991/92), de Roberto Loeb. Ali, a exigência técnica e as medidas de segurança influenciaram decididamente o partido arquitetônico. Centro nervoso do banco, o espaço funciona autonomamente, como um bunker sem aberturas, de aço e concreto, protegido por uma passarela circular.

 
Centro gráfico da Folha de S.Paulo, em Barueri-SP,
de Paulus Magnus
Foto: Rubens Mano
 
Parque gráfico de O Globo, em Duque de Caxias-RJ,
projeto de Kenneth Sowerby
Foto: Kenneth Sowerby
 
Indústria Lever, em Igaratu-PE,
projeto do escritório Sidônio Porto
Foto: Emago
 
Marilan, em Marília-SP,
do escritório NPC
Foto: Valério Pietraróia
 
Coimex, em Vitória-ES
Foto: arquivo do arquiteto
 

Entreposto alfandegário Aurora Eadi, em Sorocaba-SP, projetado por Cláudio Libeskind
Foto: Cláudio Libeskind

 
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