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O atual panorama da produção arquitetônica
paulistana para o mercado imobiliário residencial
é de uma aridez que beira a esterilidade.
Propaga-se, especialmente nos edifícios mais luxuosos,
a “arquitetura neopós” - expressão
empregada por um dos expoentes desse mercado para justificar
seus projetos. Essa "arquitetura" nada acrescenta,
em termos conceituais, plásticos ou programáticos,
ao que já se realizou na cidade desde o início
de sua verticalização.
Por outro lado, há arquitetos que fogem das soluções
estereotipadas, apresentadas pelos empreendedores como
expectativa dos clientes. Marco Donini é um
deles. O condomínio Parque Villa-Lobos, em City Boaçava,
na zona oeste da capital, mostra a viabilidade, no mercado,
de uma arquitetura com qualidade diferente daquela de fachadas
pretensiosas.
O conjunto, composto por três blocos de edifícios
de baixo porte (com quatro pavimentos, sendo um deles de
garagem), possui sutilezas de desenho. Os materiais de acabamento
são comuns, mas utilizados de forma a constituir
solução volumétrica original.
O conjunto ocupa um lote cuja testada volta-se para uma
avenida e as laterais, para ruas secundárias. A idéia
inicial do empreendedor era dispor ali várias
residências, formando uma pequena vila. Estudo preliminar
com essa proposta foi abandonado quando se verificou que
a legislação de zoneamento permitia,
naquele trecho do bairro, construir casas com até
três pavimentos.
Daí se partiu para a solução adotada,
que propiciou melhor aproveitamento do terreno, com
maior número de unidades.
Donini conta que pretendia abrir acesso ao conjunto apenas
pelas laterais, constituindo no nível do subsolo
(garagens) uma via interna com áreas comuns
mais generosas entre os blocos. Isso permitiria também
reduzir as despesas condominiais - “haveria um só
zelador para os três prédios”, exemplifica.
A prefeitura exigiu, porém, acessos individuais
- a entrada pela via principal destinou-se ao edifício
do meio - e o empreendedor considerou conveniente manter
a individualidade de cada edificação. De toda
forma, a separação permite que, se os condôminos
decidirem, a unificação seja feita facilmente.
Os edifícios têm desenhos parecidos e sua
disposição no terreno aproveita-se da configuração
topográfica original. Enquanto os apartamentos do
térreo possuem um jardim, os superiores oferecem
confortável terraço.
Grandes janelas permitem a entrada da luz natural
e, nos dormitórios, vidro leitoso até
o peitoril preserva as áreas íntimas.
A circulação vertical é protegida da
insolação direta por brises ora horizontais,
ora verticais; o hall de acesso aos apartamentos possui
piso de vidro que filtra e distribui a iluminação
natural.
As unidades do último piso têm área
praticamente duplicada com a cobertura.
No posicionamento dos apartamentos, Donini procurou oferecer
uma solução equilibrada. Enquanto as unidades
voltadas para a via principal desfrutam de horizonte
mais amplo (abrem-se para o parque Villa-Lobos, projeto
de Decio Tozzi), as situadas mais ao fundo (a leste) usufruem
de
melhor insolação.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 297 Novembro de 2004
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