Marco Donini
Condomínio de apartamentos, São Paulo-SP
       
 
  O edifício Parque Villa-Lobos 3, concluído em 2004, é o que tem maior área construída
       
Um horizonte mais amplo
 

O atual panorama da produção arquitetônica paulistana para o mercado imobiliário residencial é de uma aridez que beira a esterilidade.

Propaga-se, especialmente nos edifícios mais luxuosos, a “arquitetura neopós” - expressão empregada por um dos expoentes desse mercado para justificar seus projetos. Essa "arquitetura" nada acrescenta, em termos conceituais, plásticos ou programáticos, ao que já se realizou na cidade desde o início de sua verticalização.

Por outro lado, há arquitetos que fogem das soluções estereotipadas, apresentadas pelos empreendedores como expectativa dos clientes. Marco Donini é um deles. O condomínio Parque Villa-Lobos, em City Boaçava, na zona oeste da capital, mostra a viabilidade, no mercado, de uma arquitetura com qualidade diferente daquela de fachadas pretensiosas.

O conjunto, composto por três blocos de edifícios de baixo porte (com quatro pavimentos, sendo um deles de garagem), possui sutilezas de desenho. Os materiais de acabamento são comuns, mas utilizados de forma a constituir solução volumétrica original.

O conjunto ocupa um lote cuja testada volta-se para uma avenida e as laterais, para ruas secundárias. A idéia inicial do empreendedor era dispor ali várias residências, formando uma pequena vila. Estudo preliminar com essa proposta foi abandonado quando se verificou que a legislação de zoneamento permitia, naquele trecho do bairro, construir casas com até três pavimentos.

Daí se partiu para a solução adotada, que propiciou melhor aproveitamento do terreno, com maior número de unidades.

Donini conta que pretendia abrir acesso ao conjunto apenas pelas laterais, constituindo no nível do subsolo (garagens) uma via interna com áreas comuns mais generosas entre os blocos. Isso permitiria também reduzir as despesas condominiais - “haveria um só zelador para os três prédios”, exemplifica.

A prefeitura exigiu, porém, acessos individuais - a entrada pela via principal destinou-se ao edifício do meio - e o empreendedor considerou conveniente manter a individualidade de cada edificação. De toda forma, a separação permite que, se os condôminos decidirem, a unificação seja feita facilmente.

Os edifícios têm desenhos parecidos
e sua disposição no terreno aproveita-se da configuração topográfica original. Enquanto os apartamentos do térreo possuem um jardim, os superiores oferecem confortável terraço.

Grandes janelas permitem a entrada da luz natural e, nos dormitórios, vidro leitoso até o peitoril preserva as áreas íntimas.

A circulação vertical é protegida da insolação direta por brises ora horizontais, ora verticais; o hall de acesso aos apartamentos possui piso de vidro que filtra e distribui a iluminação natural.

As unidades do último piso têm área praticamente duplicada com a cobertura.

No posicionamento dos apartamentos, Donini procurou oferecer uma solução equilibrada. Enquanto as unidades voltadas para a via principal desfrutam de horizonte mais amplo (abrem-se para o parque Villa-Lobos, projeto de Decio Tozzi), as situadas mais ao fundo (a leste) usufruem de
melhor insolação
.


Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 297 Novembro de 2004

 
As janelas das áreas íntimas são
preservadas, até o peitoril, por vidro leitoso
 
O edifício 2 tem entrada pela avenida principal
 
Blocos vazados na área de acesso:
acabamento sutil com produtos de linha
 
Variação volumétrica dá dinamismo à fachada.
No subsolo, as garagens em pilotis
 
Hall de acesso do edifício 2
 
   
Terraço de um dos apartamentos, com guarda-corpo de vidro leitoso
 
Elevação frontal do edifício 3

Ficha Técnica
Condomínio Parque Villa-Lobos
Local
São Paulo, SP
Projeto
1999 (edifício 1);
2000 (edifício 2);
2001 (edifício 3)
Conclusão da obra
2002; 2003; 2004
Área do terreno
1 925 m2;
1 585 m2;
2 606 m2
Área construída
2 251 m2;
2 688 m2;
4 296 m2
Arquitetura, interiores e luminotécnica
Donini Arquitetura
Paisagismo
Bonsai
Ar condicionado/
ventilação

CBPA e LS
Instalações
Ramoska & Castellani e Prolux
Estruturas
Pinto Rodrigues
Fundações
Consultrix e
Azevedo & Marino
Construção
Construtora
Machado Freire
Fotos
Francisco Zelesnikar

 

Fornecedores
Climatécnica, Klimas (ar-condicionado); Refax (brises e forro metálico); Alumecryl (domos);
ThissenKrupp (elevadores); YKK, Artalum, Sincol (esquadrias); Arte & Forma (gesso acartonado/forro);
AVS Prometal (guarda-corpos); Repume, Xou Luz (iluminação externa); Sergim (impermeabilização);
Vef, Potencial (instalações elétricas e hidráulicas); MGU (mármores e ganitos); Caminho Verde (paisagismo);
Selva de Pedras (pedras decorativas); Hardt (perspectiva artística); Durex, Blokret, JR Patini, Eliane, Portobello, Cecrisa (pisos e revestimentos); Art Spray (revestimento de fachada); Coral (tintas)

veja também
  M Roberto Arquitetos - Prêmio AsBEA 2004: Prêmio Roberto Cláudio dos Santos Aflalo
  Eduardo Martins Ferreira - Condomínio de apartamentos, São Paulo-SP
  Monica Drucker - Condomínio de casas, São Paulo-SP
  Luciano Andrades, Gabriel Gallina e Marcelo Pontes - Estacionamento, Porto Alegre-RS
  Carmem Sílvia Parlatore e Joubert José Lancha - Espaço cultural, Campinas-SP
  Pedro Paulo de Melo Saraiva - Revitalização de mercado público, São Paulo-SP
 
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